Atelier Edney do Carmo

 

 

 

 

Esculpir (...) imprimir, cinzelar ou entalhar (...) em matéria dura ou macia (...) utilizando instrumentos adequados e técnicas próprias da arte da escultura (...)

exercer a arte da escultura (...) deixar impresso, gravar (...)”  

(Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)

 

 

Desde o início da história o homem procura maneiras de se expressar e de deixar suas marcas no mundo. Tais marcas, em diversas linguagens artísticas e em diversos materiais são alicerces do patrimônio cultural brasileiro e mundial. Dentre os diversos materiais, encontra-se a madeira, trabalhada a partir de tradicionais técnicas pelos homens com suas ferramentas, suas mãos, sua criatividade artística. Pensar no trabalho em madeira é imediatamente pensar no desenvolvimento e na evolução de técnicas que vão das utilizações rudimentares da madeira na pré-história até o seu auge no período anterior à industrialização. Ao passo que o uso da madeira propiciou sua extração, e até a extinção de algumas espécies, proporcionou também a existência de um legado que permanece materialmente pelas peças que hoje são artefatos da memória coletiva e imaterialmente pelas técnicas necessárias para a confecção de tais peças. Do conhecimento acerca das melhores épocas para extração da madeira, passando pelo seu beneficiamento e tratamento até a execução da obra de arte como produto final, todas as etapas eram realizadas por um mesmo oficial que, via de regra, aprendia o ofício com seus antepassados e se tornava mestre de seus descendentes.

Assim como algumas espécies de madeira são hoje raramente encontradas, raros também são os profissionais especializados nas técnicas que fazem parte desse legado imaterial. Tais profissionais, os mestres de ofício, tem a competência e a experiência requeridas para orientar os trabalhos executados por um atelier, que se transforma em escola e forma oficiais e artífices que um dia serão mestres em seus próprios atelieres; garantindo assim a transmissão de um legado cultural imaterial através das gerações e do tempo. Assim era transmitido o saber tecnológico e ancestral acumulado pela humanidade até que o advento da produção industrial em série em detrimento dos atelieres fez com que a transmissão dos conhecimentos e técnicas tradicionalmente passados de geração em geração sofresse um considerável hiato.

A marcenaria, o entalhe e a escultura são formas de trabalho em madeira aplicáveis à arquitetura, à ornamentação, à imaginária e ao mobiliário. Para a sociedade contemporânea, a utilização desse legado cultural imaterial constituído por uma ampla gama de conhecimentos técnicos acerca do trabalho com madeira passa a conferir às obras o caràter de arte; e ao seu produtor, o de artista. Hoje, tais técnicas devem ser preservadas não apenas como forma de trabalho, mas principalmente por sua importância enquanto expressão cultural do homem em sociedade.

 

 

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