** INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS **


-- A interpretação procura responder a ppergunta: "Que significa?". Neste ponto do estudo você procura explicar a passagem, compreender o sentido que as palavras tinham para o escritor quando ele as escreveu e descobrir a mensagem que ele está querendo comunicar.

-- No decorrer dos séculos muitos "homenns da Palavra" estudaram a Bíblia e descobriram que ela tem uma simetria, uma estrutura, uma lógica, uma grande mente e uma grande sabedoria. Esses irmãos descobriram certos princípios relacionados ao estudo das Escrituras e com esses princípios podemos entender mais e mais a Palavra de Deus. Alguns desses princípios são apresentados a seguir.

-- Esses princípios tem como substrato oo fato de que a Bíblia é a Palavra de Deus, não apenas contém a Palavra de Deus. Portanto o pressuposto é que a as Escrituras, como um todo, são inerrantes e infalíveis. Elas formam um mundo todo seu, completamente auto-consistente e coerente. Não erros, não há contradições. A Bíblia sempre está de acordo consigo mesma.


PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO

1. Princípio da Declaração Direta
-- A primeira abordagem sobre o significcado de um texto deve ser o seu sentido natural e óbvio. Isto eqüivale a dizer que o texto diz o que ele está realmente dizendo. Procure primeiramente o ensino claro e mais direto, não algum significado oculto. A primeira regra é não espiritualizar".

1º Exemplo: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus,- não vem das obras para que ninguém se glorie" (Ef 2.8-9). Aqui a interpretação deve ser literal. A interpretação rígida de textos como esse fez com que muitas verdades das Escrituras pudessem ser redescobertas pelos reformadores, como a "justificação pela fé".

-- Por outro lado, identifique e entendaa as figuras de linguagem, interpretando-as adequadamente. As vezes, ao interpretar literalmente um texto podemos chegar a resultados absurdos. Temos então que procurar seu sentido natural, numa forma simbólica. Quando lidamos com linguagem figurada, temos que nos ater aos aspectos pertinentes dos símbolos usados, que sempre reforçam o ponto central da passagem. Detalhes dos símbolos não considerados no texto devem ser tratados com muito cuidado.

2º Exemplo: "Desvenda os meus olhos para que eu veja as maravilhas de tua lei" (SI 119.18). É claro que o tirar a venda dos olhos é uma linguagem figurada para o fato de buscarmos ter um espírito receptivo para a Palavra do Senhor.

3º Exemplo: " O justo florescerá como a palmeira , crescerá como o cedro do Líbano" (SI 2.12). Através dessa figura de linguagem podemos considerar a importância de termos raízes firmes no Senhor para crescermos n'Ele. Porém, um estudo sobre os "cupins" dessa árvore, que poderiam se rebelião, inveja, entre outros pecados, por mais bonito que seja, não tem nada a ver com o que o texto está dizendo.

4º Exemplo: "Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti, pois convém que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno" (Mt 5.29). O Senhor não está ensinando aqui que temos que nos mutilar. Temos que ser cuidadosos, pois essa interpretação literal iria contrariar outras partes das Escrituras. Lembre-se que nosso corpo é templo do Espírito Santo (1 Co 6.19-20).


2. Princípio do Contexto Imediato
-- Interprete as Escrituras observando oo contexto imediato. Quando lemos determinadas passagens da Bíblia não podemos considerar só uma frase ou um versículo isolado. Precisamos colocá-lo dentro do contexto, analisando alguns versículos antes e alguns versículos depois daquele versículo. Muito freqüentemente esse procedimento trará muita luz ao que está sendo estudado.

1º. Exemplo: "Assim pois, amados meus, como sempre obedecesses, não só na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, desenvolver a vossa salvação com temor e tremor" (Fl 2.12). Será que esse texto está querendo dizer que devemos produzir a nossa salvação? A justificação é pela fé ou pelo que fazemos? Porém, ao continuarmos a leitura, o próximo versículo nos esclarecerá: " Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo sua boa vontade". Então podemos entender que quando trabalhamos, é Deus que está trabalhando dentro de nós e enxergamos o verso 12 com uma nova luz.

2º. Exemplo: "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Rm 8.28). Muitas vezes usamos este versículo em situações onde queremos consolar alguém que está passando por uma experiência difícil. Exemplificando: "Não se preocupe, você perdeu esse carro, mas Deus tem um carro melhor para lhe dar. Todas as coisas cooperam para o nosso bem!" Será que estamos aplicando corretamente o texto? O versículo seguinte diz assim: "Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes a imagem de seu Filho". Entendemos então que o que Deus tem de bem para nós não se refere ao carro novo, mas que todas as coisas cooperam para que sejamos transformados a imagem de Cristo, inclusive a perda do carro.

-- Na poesia hebraica não são as palavraas que rimam, mas as idéias, numa estrutura de sentenças paralelas. Esse paralelismo pode nos ensinar muitas coisas. Vejamos os exemplos:

3º. Exemplo: "Os céus proclamam a glória de Deus, e o Armamento anuncia as obras de Suas mãos" (SI 19.1). Aqui céus e Armamento são sinônimos; também proclamam e anunciam; bem como glória de Deus e obras das suas mãos.

4º. Exemplo: A oração do Pai Nosso é uma poesia hebraica. Considere as sentenças "Venha o Teu Reino, seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu" . Na estrutura poética essas frases são paralelas, e assim podemos definir o Reino do Deus como sendo aquele em que Sua vontade está sendo feita, como é feita no céu.

5º. Exemplo: "O filho sábio alegra a seu pai, mas o homem insensato despreza a sua mãe" (Pv 15.20). Aqui o paralelismo é invertido, onde o sentido de uma frase é contrário ao da outra.


3. Princípio do Contexto Correlato
-- Interprete as Escrituras comparando ttextos correlatos. A base deste princípio encontra-se em IS 28.10: "Porque é preceito sobre preceito, preceito e mais preceito, regra sobre regra, regra e mais regra, um pouco aqui, um pouco ali". Assim é a Palavra de Deus, um pouco aqui, um pouco ali, um pouco em Gênesis, em pouco em Salmos, um pouco em Lucas.... São as Escrituras interpretando as Escrituras. Se quisermos entender certas verdades temos que procurar em toda a Bíblia. Ao estudarmos uma passagem temos que ver como ela se relaciona com o restante daquilo que a Bíblia ensina. Este é um principio muito importante. Comparando textos correlatos poderemos ganhar muito entendimento. Ás vezes, textos correlatos podem parecer conflitantes; no entanto, porque as Escrituras são inerrantes, uma estudo mais aprofundado nos dará uma compreensão mais aprimorada do assunto.

1º. Exemplo: "Se alguém vem a mim e não aborrece seu pai, e mãe, mulher, e filhos, irmãos e irmãs, e ainda sua própria vida, não pode ser meu discípulo "( Lc 14.26). Quando lemos este versículo poderemos pensar: "Será que esta tradução está correta? Como estará no grego?" Mas no grego está igualzinho: "Se alguém vem a mim e não odeia seu pai... " Parece então que este versículo não confere com o mandamento de honrar nossos pais e com o ensino geral da Palavra de Deus sobre amar a todos. Porém, Mt 10.37 nos resolve esse impasse: "Quem ama seu pai e sua mãe mais do que a mim não é digno de mim". Então podemos entender: a condição para ser um discípulo do Senhor é que nosso amor para com Ele seja maior do que por qualquer outra pessoa. E ao amor menor a Bíblia denomina ódio. Essa interpretação confere com Gn 29.30-3 1, onde se afirma que Jacó amou a Raquel mais do que a Léia, e por isso Léia era tida como odiada.

2º. Exemplo: "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou o que dará o homem em troca de sua alma? "(Mt 1 6.26). A palavra aqui é alma. Como podemos definir alma? Temos aprendido que alma é a personalidade do homem. Como podemos provar isso? Se examinarmos o texto paralelo em Lc 9.25 temos: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder-se e causar dano a si mesmo?". Então, comparando esses versículos podemos comprovar que a alma é realmente o nosso ego.

3º. Exemplo: Jesus diz em Jo 14.3: "E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também". Em relação a essa volta de Jesus, como podemos entender? Será que está se referindo à sua ressurreição? Será que está falando do aparecimento dele para nos receber quando estivermos morrendo, como no caso de Estevão? Será que é essa vinda é através do Espírito Santo? Ou será a sua vinda pessoal, em glória, no final dos tempos? Nossa dúvida será respondida se estudarmos I Ts 4.16-17: "O Senhor mesmo descerá dos céus com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, e assim estaremos para sempre com o Senhor". Repare que as duas passagens são absolutamente paralelas, e sem dúvida se referem ao mesmo acontecimento. Portanto a vinda do Senhor em João 14 refere-se à sua vinda pessoal em glória.

4º. Exemplo: O livro de Romanos nos ensina claramente que o justo é justificado pela fé. Rm 4.2-3 diz assim: "Porque, se A braão foi justificado pelas obras, tem que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça". Por outro lado, em Tg 2.24 encontramos: "Vedes então que é pelas obras que o homem é justificado, e não somente pela fé". Aparentemente temos uma contradição. Porém, uma análise cuidadosa desses textos nos mostrará que Paulo se refere em Romanos à justificação diante de Deus, e isto é pela fé. Tiago, no entanto, refere-se ao fato de que se alguém é justificado pela fé, também deve ser justificado pelas obras, mas diante dos homens. O conflito então pode ser resolvido, possibilitando que aprimoremos nossa compreensão a respeito da justificação.

5º. Exemplo: Muitas profecias se cumprem parcialmente numa geração, com o restante cumprindo-se em outra época. É muito semelhante com o que acontece quando olhamos para as montanhas e vemos apenas a primeira fileira delas. Quando os profetas olhavam para a vinda do Messias, viam os seus dois adventos como um só. É o que se dá em Is 61.1-2: "O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus". Comparando com o trecho de Lc 4.17-21, Jesus disse: "Hoje se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir", mas note que Ele omitiu as palavras "e o dia da vingança do nosso Deus". Esta refere-se à sua segunda vinda.


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