**OBSERVAÇÃO DAS ESCRITURAS**


-- Neste capítulo, detalharemos o processso de observar um texto. No Salmo 119:18, lemos:
"Desvenda os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da tua le".
Esta é a nossa oração. Sem Deus nos ajudar, não teremos proveito no nosso estudo, nada que seja duradouro, eterno será acrescentado.


EXEMPLO DE OBSERVAÇÃO DE UM VERSÍCULO

Começaremos com um exemplo, para introduzir o conteúdo e o processo da observação. Usaremos, para este fim, Atos 1.8:
"Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os confins da terra.


1. Identifique o contexto

Quando lemos o texto acima, nos deparamos com a palavrinha "Mas", que nos leva imediatamente a pesquisar os versículos anteriores e posteriores a At 1.8. Fazendo isto, chegamos à conclusão que os versículos 6 a 1 1 tratam de um só tema básico: o último diálogo de Jesus com os seus discípulos, momentos antes da Sua ascensão. É neste contexto literário que o versículo 8 está inserido. De fato, podemos retroceder um pouco mais até Atos 1. 1 e dali a Lucas 24, onde é relatada a ressurreição e as aparições de Jesus, além de estendermos nossa visão até Atos 1. 14. Fazendo isto, teríamos um contexto literário mais abrangente e mais algumas informações a respeito daqueles dias que se seguiram à ressurreição.


2. Procure estabelecer a atmosfera

O mais importante a observar neste aspecto é, sem dúvida, a iminente partida (v 9-1 1) do Emanuel. Em decorrência disto, um misto de sentimentos deve ter invadido os discípulos naqueles dias: por um lado, indescritível alegria por causa da ressurreição e da presença do Cristo ressurreto entre eles; por outro lado, expectativa pelo que estava para acontecer, a partida de Jesus e a vinda prometida do Espírito Santo. Alguns estavam um pouco confusos, ainda não entendendo qual a sua área de competência, de interesse e atuação (note o contraste que Jesus faz nos versículos 7 e 8). Com certeza, estes últimos momentos, as palavras finais (registradas nos versículos 7 e 8) e a ascensão de Jesus, a inigualável emoção que sentiram marearam profundamente as vidas destes primeiros discípulos.


3. Descubra as pessoas envolvidas, o lugar e a ocasião

Identifique as pessoas envolvidas. Estavam presentes ali os apóstolos e outros discípulos(veja At 1.2,3 e também At 1.13-15). Os apóstolos caminharam com Jesus durante três anos, foram escolhidos para estarem com Ele, a fim de serem preparados para uma missão que nenhum deles jamais poderia sequer ter sonhado. Além disso, eram homens comuns e vários deles tinham sido pescadores. Todos os presentes eram judeus, conheciam o ensino de Jesus, viram os Seus milagres e gastaram muito tempo com o Senhor.

Preste atenção ao lugar. Eles estão no Monte das Oliveiras em Jerusalém (At 1. 12), perto de Betânia, um lugar especial para Jesus. Alguns dados sobre Jerusalém podem ser úteis a uma melhor compreensão do texto:

· uma cidade importante na região
· o Templo está ali
· é uma cidade familiar a eles
· é onde Jesus foi crucificado
· é o lugar do fracasso deles
· um lugar hostil a eles

E eles deveriam começar a sua missão evangelizadora justamente por Jerusalém!

Descubra a ocasião, a época. Quarenta (40) dias após a ressurreição (At 1.3) e a dez (10) dias do Pentecostes.


4. Identifique os termos principais (verbos e substantivos)
Verbos:
Descer - vem de cima, de Deus, de fora do homem
Receber - é uma dádiva, pois deveriam somente permanecer em Jerusalém para ganhá-la, sem merecimento, de graça
Ser - não se trata de dar testemunho somente, mas de ser testemunha; também não se trata de ser evangelista

Substantivos: Espírito Santo, Poder, Testemunhas, Jerusalém, Judéia, Samária, Confins da Terra

Observamos uma ordem nestes termos, isto é:
descer Espírito Santo
receber poder
ser testemunha

juntamente com
Jerusalém =:> Judéia ==> Samária => Confins da Terra


5. Procure relações de causa e efeito

* Causa: A Vinda do Espírito Santo
* Efeito: O Recebimento de Poder

Este poder não viria de dentro, mas de fora, por meio de uma pessoa: O Espírito Santo de Deus. Os discípulos precisavam deste poder? Sem dúvida. É só retrocedermos à ocasião da crucificação e lembrarmos o que fizeram, amedrontando-se, abandonando o Senhor e até O negando, que não teremos qualquer dúvida a respeito.

. Causa: Recebimento de Poder
· Efeito: Ser Testemunhas

Ser testemunha é conseqüência (o efeito) do poder recebido (a causa) com a vinda do Espírito Santo.


6. Defina os termos mais importantes

Um dos termos que merece uma definição neste versículo é a palavra testemunha, cujo original grego corresponde à palavra mártir na língua portuguesa. Uma testemunha é alguém que viu, presenciou, experimentou algo; neste caso, testemunhas de Cristo, de quem Ele é, do que Ele fez e está fazendo em nós. Esta palavra ou derivadas dela aparecem vinte (20) vezes no livro de Atos. Realmente, este é o livro do testemunho do Espírito Santo e da Igreja.


7. Relacione o versículo com o livro como um todo

Considerando tudo o que observamos até aqui sobre este versículo, poderíamos levantar a seguinte questão: É possível que este versículo seja, de algum modo, um esboço do livro? De fato, o livro pode ser dividido de acordo com as localidades ali citadas:
Jerusalém => Judéia =:> Samária =:> Confins da Terra, pois foi nesta ordem que o testemunho de Cristo se propagou nos primórdios da história da Igreja.


ORIENTAÇÕES PARA UMA LEITURA PROVEITOSA

A leitura da Bíblia deve ser sempre como se fosse a primeira vez, com perspectiva renovada. Além disso, deve-se lê-Ia com total atenção, interesse e envolvimento, sorvendo cada palavra, apaixonadamente, como se fosse uma carta de amor. São as seguintes orientações que gostaríamos de enfatizar:


1. Leia muitas vezes Reserve tempo para ler o texto do princípio ao fim. Se possível, use várias traduções. Leia, também, em voz alta e ouça gravações da Bíblia, pois o som introduz uma nova dimensão, o que contribui para a familiarização com o conteúdo envolvido.

2. Leia com atenção. Concentre-se totalmente na leitura, evite distrações. Não ponha sua mente em ponto morto, mas leve-a a pensar, a julgar, a se envolver com o texto.

3. Seja paciente. Bons resultados de estudo bíblico não acontecem rápido. Não queira alcançar tudo já nos primeiros dias. O estudante da Bíblia é melhor comparado a um maratonista do que a um velocista. Seja paciente e a mensagem de Deus será revelada, e você achará os tesouros da sabedoria.

4. Leia orando. Ore pedindo a Deus sabedoria, entendimento, revelação. Em João 16.13, Jesus nos diz que o Espírito Santo nos guiará a toda verdade.

S. Leia telescopicamente. Observe os detalhes, mas não se perca neles. Procure ver as partes à luz do todo, junte as partes. Caso não o faça, terá apenas um amontoado de fragmentos. A identificação dos assuntos tratados e palavrinhas de ligação como - mas, e, portanto - ajudam nesse trabalho.

6. Tome nota do que descobrir durante a leitura. Leia algumas vezes sem tomar nota de nada, para começar a familiarizar-se com o livro (ou o texto), com os assuntos que ele desenvolve. Após as primeiras leituras, comece a anotar os personagens, os fatos e as idéias mais evidentes, as dificuldades, e tudo que obtiver do processo de observação que será abordado a seguir.


ORIENTAÇÕES QUANTO AO OUE PROCURAR

1. Gênero Literário.
A presença de diversos gêneros literários nas Sagradas Escrituras é mais um dos seus atrativos, expondo a multiforme sabedoria de Deus numa grande variedade de formas literárias, visando alcançar todo homem. Muitos dos sessenta e seis (66) livros da Bíblia apresentam mais de um gênero literário. O próprio Jesus não se ateve a uma pregação expositiva somente, mas usou especialmente de parábolas, procurando atingir os mais endurecidos de coração e entenebrecidos no entendimento. Dentre os diversos gêneros literários encontrados na Bíblia, podemos citar: o Poético (quase todo o livro de Jó, Salmos), o Narrativo, que inclui especialmente o Histórico (Josué, Ester) e o Biográfico (Os Evangelhos), o Expositivo (As Epístolas), o Parabólico (As parábolas de Jesus), o Profético (partes do livro de Daniel, Apocalipse), e o Sapiencial (Provérbios). Cada um deles possui suas próprias regras de composição e de interpretação.

2. Contexto.
A palavra contexto significa: o que acompanha o texto. Por extensão, passou também a significar o ambiente em que alguma coisa habita, o cenário em que alguma coisa existe ou acontece. É o contexto que dá significação ao texto (que pode ser uma só palavra), é ele que dita as regras que nos levam à interpretação. Por isso, é muito importante verificar o contexto e assinalar os seus limites. O contexto é determinado, observando-se cuidadosamente o que é repetido no texto e vendo como tudo se relaciona, procurando descobrir onde um assunto ou episódio começa e onde termina. Somente uma observação minuciosa e cuidadosa do texto levará à identificação do contexto. Se você encontrar muita dificuldade, saiba que algumas Bíblias modernas estão divididas em parágrafos, cada um dos quais encerra um assunto.

3. Atmosfera.
Aqui, além de observação, é necessário também de imaginação. Observe as circunstâncias, os sentimentos e tente compor, imaginar o cenário relacionado ao texto. Por isso, é necessário transportar-se para dentro do texto, vivenciá-lo. Se há um pôr-do-sol, veja-o; se há um odor, cheire-o; se há angústia, sinta-a.

Um exemplo marcante é Filipenses 4.4: Regozijai-vos sempre no Senhor,- outra vez digo, regozijai-vos.
Quando Paulo disse isto, ele estava preso em Roma. O conhecimento das circunstâncias em que se encontrava o autor dá uma nova força à exortação ali expressa.

4. As seis perguntas chave.
Leia o texto com espírito de investigador, de detetive. Enquanto lê, tenha em mente as seguintes seis perguntas-chave:

Quem?
Identifique as pessoas envolvidas. Procure saber algo sobre elas. Faça perguntas como: Quem são as principais personagens?
Quem escreveu? A quem o autor está falando? Sobre quem está falando? Quem disse? A quem disse?

O Que?
Procure investigar do que se trata. Faça perguntas como estas:
O que está acontecendo?
Quais são os acontecimentos principais? Que idéias estão expressas?
Quais os resultados?
Quais são os principais ensinamentos? Quais as características das pessoas?

Onde?
Identifique o lugar, Procure descobrir algo a respeito de antecedentes históricos, costumes e crenças importantes. Faça perguntas como estas:
. Onde a narrativa teve lugar?
· Onde está o escritor?
· Onde estão as pessoas? De onde elas vêm? Para onde vão?

Quando?
Identifique o tempo, a ocasião, o fundo histórico, a data se possível. Bombardeie o texto com perguntas como:
· Quando os eventos aconteceram?
· Quando irá acontecer?
. Quando foi escrito?

Por que?
Aqui se procura descobrir o propósito, a razão. Questione o texto, perguntando-lhe, por exemplo:
. Por que isto está aqui?
· Por que esta ordem?
· Por que esta pessoa disse isto?
· Por que tanto ou tão pouco espaço foi reservado para este ou aquele acontecimento ou ensino?
· Por que esta referência foi mencionada?

Como?
Finalmente, pergunte ao texto:
· Como se realizaram as coisas? Com que eficiência? Com que rapidez? Por meio de qual método?
· Como isto afeta a minha vida?
· Como essa verdade é exemplificada?

5. Propósito através da estrutura gramatical
-- A Bíblia é um livro cuidadosamente esscrito, não um amontoado de ditos e histórias; ela possui uma estrutura e devemos procurá-la, pois nos ajuda a descobrir o propósito do livro (ou texto) .Sujeito, Verbo e Objeto. Um segredo de como se fazem boas observações é discernindo a ação ou movimento de uma passagem. Gramaticalmente, a ação é expressa pelos verbos, que nos revelam o que está sendo feito, o movimento, o fluxo da passagem. O sujeito realiza a ação (expressa pelo verbo) sobre o objeto.
-- Em Hebreus 1 1, é repetida várias vezzes o seguinte tipo de estrutura: "... pela fé, Abel ofereceu a Deus ... pela fé, Noé preparou uma Arca ... pela fé, Abraão obedeceu... ", indicando que o crente desempenha um papel essencial na vida de fé; é de sua responsabilidade responder ao que Deus está fazendo em sua vida.
Por outro lado, em Efésios 1.3-14, vemos reiteradamente o seguinte tipo de estrutura: ... Deus nos abençoou ..., nos elegeu ..., nos predestinou ..., nele, fomos feitos herança .... fostes selados com o Espírito Santo ... ", indicando que o crente sofre influência. A ênfase está naquilo que é feito para o crente, e não naquilo que ele faz ou deve fazer.
Devemos prestar atenção, igualmente, aos tempos e modos dos verbos, se é passado, presente, futuro, indicativo (indicando uma afirmação), imperativo (indicando uma ordem, um mandamento), subjuntivo (indicando uma possibilidade). Por exemplo, Romanos 6.2: 11... morremos para o pecado ... " afirma algo já realizado, passado. Romanos 5.1, que diz: "... temos (tenhamos) paz com Deus ... " foi traduzido em algumas versões com o verbo no indicativo (temos), afirmando uma realidade presente (a paz com Deus), e em outras no subjuntivo (tenhamos), dando a idéia de algo (a paz com Deus) que ainda não possuímos.
Modificadores. Modificam o significado das palavras. Em Filipenses 4.19, lemos: "Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades... " A presença desta palavrinha enfatiza o cuidado de Deus para conosco, além de produzir um benéfico efeito colateral: o aumento da nossa confiança e da nossa admiração por este Pai amoroso.
Preposições. Indicam onde a ação está acontecendo (em, sobre, através de ...)
Conjunções. São elementos de ligação, que nos ajudam a discernir o fluxo dos assuntos abordados, a fazer a ligação entre eles e a obter uma visão panorâmica do texto. Eis algumas palavrinhas que desempenham estas funções:
emas, porém (indicam que a seguir vem um contraste) portanto (introduz um sumário de idéias ou resultados) se (introduz condição) porque, ou, pois, então (introduzem uma razão ou resultado) para que, afim de que (expõem um propósito)

6. Propósito através da estrutura literária.
Estrutura Biográfica: A chave são os personagens principais (Gênesis 12-50, Juízes, I-II Samuel).
Estrutura Geográfica: A chave é o lugar (o livro de Êxodo depende fortemente dos lugares visitados por Israel).
Estrutura Histórica: A chave são os eventos (os livros de Josué, de João - 7 milagres e do Apocalipse).
Estrutura Cronológica: A chave é o tempo, os eventos acontecem seqüencialmente (os livros de I-II Samuel e de Lucas).
Estrutura Ideológica: A chave são as idéias e conceitos, a argumentação em torno de uma idéia principal (a maioria das cartas de Paulo é assim).

7. Coisas Enfatizadas A ênfase de um texto pode ser mostrada ou identificada por meio de quatro modos:
a) Pela quantidade de espaço utilizado.
Gênesis possui 50 capítulos, dos quais os 11 primeiros tratam da criação, da queda, do dilúvio e do episódio de Babel, enquanto os restantes 38 capítulos tratam de quatro personagens, isto é: Abraão, Isaac, Jacó e José. A ênfase, portanto está na família que Deus escolheu.
Em Mateus, dos seus 1062 versículos, 342 são relativos aos discursos de Jesus.
Alguns evangelhos reservam muito mais espaço para a crucificação do que para outros eventos da vida de Jesus.
Efésios 1-3 (doutrina), 4-6 (prática); Romanos 1-11 (doutrina), 12-16 (prática).

b) Pelo propósito estabelecido
· No evangelho segundo João, são relatados apenas sete (7) dos muitos milagres de Jesus. Só em João 20.31 é declarado o propósito destes sinais e do livro como um todo: "estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.
· No livro de Provérbios, o propósito é estabelecido logo no início (Pv 1.1-6), servindo de baliza para o leitor, à medida em que avança na sua leitura do livro.

c) Pela ordem
A ordem como as pessoas, eventos, idéias estão dispostos pode trazer luz quanto à intenção do autor. No capítulo 4 de Lucas, o batismo de Jesus, juntamente com a manifestação de sua aprovação por Deus, ocorre primeiro. Somente após isso, Ele é tentado pelo diabo.

d) Pelo movimento do menor para o maior, ou vice-versa
Há um clímax em Atos 2, no episódio da descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes (sem este capítulo, o livro não existiria). O mesmo acontece em 1 Samuel 17, o relato da luta entre Davi e Golias, com respeito a 1 e II Samuel.


8. Coisas Repetidas
A repetição desperta a atenção, reforça o aprendizado. Jesus usou a expressão "quem tem ouvidos para ouvir, ouça " 9 vezes nos Evangelhos e mais uma vez no Apocalipse. Ele realmente queria capturar nossa atenção.

a) Repetição de termos, frases, cláusulas.
· No Salmo 136, a frase sua misericórdia dura para sempre aparece 26 vezes. O que isto pode despertar em nós, senão confiança e amor por este Deus misericordioso?
· No evangelho segundo João, a palavra crer aparece 79 vezes, sempre como um verbo. É uma palavra-chave, essencial para o que o autor tem a dizer neste livro.
· Em Hebreus 1 1, o termo pela fé aparece 1 8 vezes, caracterizando a descrição de um estilo de vida.
· 1 Coríntios 15.12-28, a palavrinha se é usada 7 vezes, para mostrar que tudo que cremos está condicionado à ressurreição.

b) Repetição de um padrão
. Barnabé, cujo nome significa filho da exortação, encorajamento (At 4.36), é identificado como modelo de mentor espiritual. Atos 9.26,27 relata que Barnabé acreditou em Paulo e o trouxe para o círculo dos irmãos; em Atos 11.25,26, vemos o mesmo Barnabé buscando Paulo em Tarso e o colocando a funcionar na igreja de Antioquia. Novamente, Atos 15.36-39 registra um episódio em que Paulo se nega a levar João Marcos, pois este os havia deixado na viagem anterior, mas Barnabé decide dar-lhe uma nova chance.
· No livro dos Juízes, a seguinte fórmula: os filhos de Israel faziam o que era mal aos olhos do Senhor, eram entregues nas mãos dos seus inimigos, arrependiam-,se - Deus levantava um juíz que os livrava e os reconduzia de volta a Deus se repete até Juízes 21.25, onde o problema é identificado, pois "cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos."
Saul e Davi: o que Saul fazia de errado, Davi fazia certo; Saul foi a escolha segundo o povo, Davi -foi a escolha segundo o coração de Deus.

c) Passagens do VT citada no NT

Se o Espírito Santo repete uma passagem do VT no NT é porque Ele quer enfatizá-la.


9. Coisas Relacionadas
Coisas que estão ligadas, que interagem entre si, também devem ser procuradas e identificadas. Três tipos de relacionamento:

a) Entre o todo e suas partes
Entre uma categoria e seus membros, entre um quadro e seus detalhes. Quando encontramos uma declaração geral, ampla, devemos procurar os detalhes específicos a ela associados.
Por exemplo:
· Em Mateus 6.1, é estabelecido um princípio geral: "Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles ao qual estão relacionadas três áreas de aplicação, isto é: generosidade (Mt 6.2-4), oração (Mt 6.5 -1 5) e jejum (Mt 6.16 -1 8).
· Em Gênesis 1. 1, é dada a visão panorâmica do quadro da criação: "No princípio criou Deus os céus e a terra.", e no restante do capítulo, a descrição dos seus detalhes.

b) Perguntas e Respostas As perguntas nos estimulam, nos envolvem, demandam nossa atenção, além de serem, geralmente, acompanhadas de respostas.
· O livro de Romanos é um modelo clássico. Veja, por exemplo Romanos 6.1-2: "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele ?
· A estrutura do livro de Malaquias é definida pelas perguntas e respostas nele contidas.
Os capítulos 38-41 do livro de Jó formam uma estrutura interessante, em que as perguntas que Deus faz a Jó não são acompanhadas das respectivas respostas de Jó. Elas já carregam suas próprias respostas.

c) Causa e Efeito
Em Atos 8. 1, discernimos uma causa - a perseguição aos primeiros cristãos em Jerusalém - e o efeito produzido - a pregação e difusão do evangelho.
No caso da história do povo de Israel, há relações de causa e efeito evidentes, e importantes como exortação para nós. O pecado de Israel (a causa) ocasionou o seu exílio (o efeito). O arrependimento do povo (a causa) permitiu o seu retomo à palestina (o efeito).


10. Coisas Semelhantes
As coisas parecidas (gêmeos, por exemplo) sempre nos chamam a atenção. Com respeito ao texto bíblico, devemos procurá-las e estudá-las, pois podemos aprender muito sobre uma, examinando a que lhe é semelhante.

a) Comparação entre duas coisas
Em geral, é caracterizada pelas palavras como, semelhantemente
· Salmo 42. 1: "Como o cervo anseia pelas correntes das alma anseia por ti, ó Deus/"
· 1 Pedro 2.2: "Desejai como meninos recém-nascidos, o puro leite espiritual, afim de por ele crescentes para a salvação"
João 3.14: "E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado" Jesus compara o episódio da serpente de bronze levantada no deserto a sua própria crucificação (ainda por acontecer).

h) Metáfora (a comparação está implícita)
· João 15.1: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o viticultor." É como uma pintura que ilustra o relacionamento o Pai com o Filho e com os crentes.
· João 3.7: "... Necessário vos é nascer de novo," O nascimento físico nos fornece o equipamento para vivermos esta vida terrena; através do nascimento espiritual, somos equipados para a vida eterna.


11. Coisas Contrastantes

Pelos contrastes, podemos aprender tanto ou mais do que pelas semelhanças. Por isso, devemos ficar atentos a eles.
. A pequena palavrinha "Mas" indica contraste, mudança de direção. Em Gálatas 5.18, temos: "Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei." Em Mateus 5, podemos encontrar diversos exemplos.
• Em Lucas 1 8, Deus é contrastado com um juiz iníquo.
Um interessante exercício para casa é descobrir os contrastes entre Marta e Maria, em João 1 1. 1-46, e aprender com eles.


12.Coisas que são Verdades para a Vida

. O que o texto diz a respeito da realidade, de como é a vida? Que aspectos do texto ecoam na sua experiência?
. Procure por princípios, pois eles não mudam com a cultura ou a época.

Aprenda com os personagens da Bíblia: virtudes e defeitos, atitudes e reações, erros e acertos, fé e obras, relação com Deus, o testemunho que deram, enfim com os exemplos reais de vida que nos deixaram.
Noé: Homem justo, temente a Deus. Entretanto, após o dilúvio, teve uma crise de depressão e embebedou-se.
A Bíblia não o descreve como alguém perfeito, mas real, falho também.
Abraão: Como ele deve ter se sentido quando estava para oferecer seu filho em sacrifício a Deus?
Moisés: Um líder incrível, talvez não tenha havido outro igual, mas não entrou na terra prometida. Por que?
Porque destemperou-se e feriu a rocha duas vezes (Nm 20.1-13). Como ele se sentiu por não poder entrar na Terra Prometida?
Como respondemos às conseqüências nos nossos pecados?

. Davi: O pastor de ovelhas, o músico, o poeta, o cantor, o soldado valente, o homem de fé, o rei, o homem segundo o coração de Deus. No entanto, um homem que adulterou e enviou o seu fiel soldado e marido da mulher com quem havia pecado para a morte na frente de batalha.
. Pedro: Ele nos faz lembrar muito de nós mesmos, disposto a morrer por Cristo num momento, negando-0, porém, logo a seguir.


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