Visões

 

Sinto o sangue escorrer

Dos cortes em minhas veias

Pulsos abertos já não podem

Ser costurados

O sangue se mistura à água

Da banheira em que tentei me afogar

A fraqueza começa tomar meu corpo

Não há forca para desfazer

O que para mim era necessário

Começo a ver vultos nas frestas do chão

Vozes sussurrantes em meus ouvidos

A água que enegrece

Passos em direção a mim

A porta começa a se abrir

A pouca pulsação que tenho

Começa a acelerar

Sinto algo tocando minhas pernas

A porta está meio aberta

Algo está subindo em mim

Minhas pernas estão presas

Estou me afogando

Em meu próprio sangue

Já não consigo respirar

Vejo almas me sugando

Tento nadar e fugir

Quando...

Acordo e vejo que tudo havia sido

Uma visão da minha morte

Um caminho que eu tomaria

Se quisesse acabar com a dor

Que hoje me consome

Meu corpo suado e trêmulo

Sinto que é melhor viver na dor

A espera de um dia melhor

Ao invés do suicídio

Onde minha alma se afogaria

Em um mar negro

De almas atormentadas

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