Benedito Honório de Macêdo

Dia 12 de novembro de 1994:

Uma data em que jamais vou esquecer em minha vida!

Na Quarta-feira meu pai diz que não tomou café e nem comeu nada na Terça, mas saí para fazer um trabalho da faculdade, o qual ficou ótimo, depois de tanto esforço! Quando retornei da faculdade, ele não estava me esperando como sempre fazia, fora deitar mais cedo! Estranhei... mas, não quis ir incomodá-lo, ainda mais que ele estava dormindo no quarto dos fundos!

Na Quinta, meu irmãozinho, Wellington, me acorda dizendo que o pai havia caído na cama, ao ir procurar um real, em moeda, para ele ir comprar pães! Quando cheguei ao quarto, meu pai estava sobre a cama, não falava, estava nervoso... pedi para chamarem um vizinho, Sr Walter, que trabalhava de enfermeiro na época! Diagnosticou derrame também! A Unidade de Resgate do bombeiro foi acionada, bem como a ambulância da Secretaria da Saúde! Ambas chegaram muito rápido aqui, mas meu pai foi na UR!

Não havia vaga no Hospital São Francisco e meu pai teve que ser socorrido na Santa Casa local! Sempre disse que se um dia fosse parar lá, ele iria morrer! Um médico utilizou um aparelho para checar o coração, anotaram um monte de coisas, me disse que o problema dele também era de coração, mas que o problema do derrame só poderia ser tratado por outro médico!

O bombeiro me dispensou naquele dia! Pela gente já estava tudo encaminhado bem! Mas, lá pelas 13h, à Luciane, minha irmã, telefona à Santa Casa e descobre que meu pai estava jogado num corredor e ninguém nem sabia quem era ele! Fui feito uma fera até lá! Mesmo sendo bombeiro, só consegui levar meu pai para a clínica às 17h! Teve o mesmo tratamento que teve dentro da viatura dos bombeiros!

Mas, no dia seguinte, tiraram o oxigênio dele! Um dos companheiros de quarto disse que uma enfermeira deu comida para ele e ele jogou longe o prato! Houve um momento em que todos os visitantes tiveram que sair da Santa Casa porque um paciente ia ser enviado de helicóptero para São Paulo, me parece que da Unicor! Nós não tínhamos um plano de saúde! Cheguei a pedir para o comandante do bombeiro de SJ dos Campos, entrei em contato com a Cruz Azul da Polícia Militar, com alguns vereadores de Jacareí, médicos, com a Secretaria da Saúde, mas não houve ajuda necessária!

No dia seguinte, tiraram o soro! Parecia que ele havia melhorado, a cor da pele... minha irmã Sílvia voltou chorando da Santa Casa, falando sobre a igreja, que anunciou sobre um cálice amargo no meio da irmandade, um aviso da morte!

Cerca de 22:30h da noite, uma vizinha que trabalha na Santa Casa, veio até o portão avisar que fizeram de tudo, mas não teve jeito... contendo as lágrimas, corri até onde a Rosiane, minha outra irmã, e a "puxei" pela rua, indo até o telefone da Padaria Chispita, contando o que havia acontecido e ela também não se conformou! O telefone estava quebrado e fomos até o outro orelhão! Fomos caminhando até o Farol do Rio, de onde liguei para o Corpo de Bombeiros, tentaram me acalmar evitando que fizesse alguma besteira e fomos até a casa do Antonio Fernandes, que falou que qualquer coisa era só entrar em contato com ele!

Quando chegamos à Santa Casa, já estava lá a minha mãe, a Sílvia e outros... não tive coragem de contar antes, em casa! Procuramos a funerária e tudo mais... chorei a noite toda, inconformado! Como puderam tentar enganar alguém formado em curso de tecnologia?!! Sabia dos equipamentos que existem em São Paulo e que poderiam tentar manter meu pai vivo... não tiraram o sangue que havia devido ao acidente vascular cerebral interno, bem como não havia nenhum aparelho para controlar o coração! Só podia morrer, mesmo! Chorei mais de 3 dias sem parar... quando ia trabalhar no bombeiro, ia chorando dentro do ônibus, o mesmo acontecendo dentro da sala de aula na faculdade! Sempre quis morrer antes de meu pai, mas isto não aconteceu! Era a pessoa que eu mais amava neste mundo e que não encontrei, até hoje, alguém que possa ser comparada à ela: meu adorado pai!

Foi mais por este motivo que resolvi sair do bombeiro (tive um ano afastado) e não considero mais a área médica! Sou revoltado e inconformado com médicas! Só em pensar, as lágrimas já começam a correr pelo meu rosto... sempre me emociono quando ouço as músicas que ele gostava: as raízes da nossa música sertaneja, caipira! Até coloquei duas letras em homenagem ao meu velho pai! Quantas coisas boas passamos juntos em minha infância e adolescência, embora eu não gostasse de roça e de gado igual a ele, preferindo estudar... meu pai nem sabia o que eu fazia na faculdade e não chegou a conhecer o que é um computador, uma pena!

Teve funeral em seu enterro e fiz uma homenagem antes de enterrarem-no! Foi sepultado no Cemitério do Parque Santo Antonio, em uma das poucas (só 3) jazigos que restavam na entrada! É cheio de flores e palmeiras... local bonito! Mas, Deus também sabe o que faz! Talvez seria muito mau sua vida se ficasse em uma cama! Que Deus o tenha em bom lugar!

Um conselho a todos: se têm um pai e/ou uma mãe, procurem viver muito bem o tempo que têm ao lado deles, pois não estaram ao lado de vocês para sempre! Demonstrem o carinho que têm por eles, pois um dia pode acontecer de vocês não terem mais essas chances que têm! Os pais são os melhores amigos que temos na vida, pois foram eles que nos criaram, muitas vezes até mesmo com sérias dificuldades, mas tudo fazem para seus filhos!

Tá aqui o motivo pelo qual estou devendo cartas aos correspondentes de todo o mundo, pois não achei forma de contar a todos o que houve! Espero que me perdoem e que retomem a amizade comigo, pois já faz 14 anos que troco correspondência! Adoro meus correspondentes, alguns até bastante especiais! E, tenho muitas, mas muitas novidades mesmo, para contar a todos! Vocês me trouxeram muitas coisas boas no decorrer dos anos 80 e em boa parte dos 90! Sempre falei que as amizades é o que levamos de melhor desta vida! Adeus Meu Querido Pai! Até qualquer dia!!!

Deus seja eternamente louvado! Amém!

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