A Internet no Brasil

Pesquisas recentes constataram que a quantidade de informações que entra no Brasil é muito maior do que a enviada para o exterior. Muitos se preocupam com esse fato, pois acreditam que as novas gerações correm o sério risco de esquecerem suas raízes e assimilarem costumes que não são os nossos.

Na minha opinião, a Internet no Brasil é algo realmente muito interessante e lucrativa. Os nossos jovens e crianças realmente estão sendo muito beneficiados com a Internet, principalmente porque tem a chance de terem acesso a todos os tipos de informações, do mundo inteiro.

Essa questão de assimilar costumes de outros países é muito comum e já vem de longe, desde o tempo que os meios de comunicação começaram a se difundir e progredir no País.

A questão é que o jovem deve saber equilibrar essas informações, saber a importância de seus próprios costumes e assimilar somente o necessário.

Todo esse problema é bem mais complexo, e diz respeito ao próprio orgulho de ser brasileiro, o orgulho da sua cultura, dos seus costumes e do seu País.

Mas, sinto-me orgulhosa de ser brasileira. E o povo brasileiro tem algumas criações notáveis, reconhecidas internacionalmente, como o futebol, a música, o carnaval e a franca mestiçagem. Além disso, o povo brasileiro não vive em parte da exploração de outros povos, como é o caso dos países adiantados.

Poucos povos têm uma experiência com tantas culturas de todo o mundo como o brasileiro - e, em poucos tantas culturas mundiais se apresentam fundidas. Não acho que devamos nos fechar à globalização, ao contrário dos setores isolacionistas da esquerda, que aliás estão aliando com direitistas que apoiaram o regime militar. Ao contrário, acho que o povo brasileiro, mestiço de várias raças e culturas, é um povo que já nasceu global.

Dá para ficar indiferente a todo esse processo tecnológico, a toda essa globalização? Como fazer para Ter uma participação sensata, sem prepotência, num fogo cruzado implacável? A biogenética, a high tech, a ecologia, a informática, a astronomia, a globalização, a antimatéria e o biquini de crochê? Não importa. Importa seguir em frente. Quebrando a cara, descendo a ladeira, se envergonhando, reagindo, questionando, errando, porque assim crescemos.

Essa gente não tem muita paciência para TV normal - muito parada. Querem interferir na informação que recebem. E olha que eles recebem muita, muita, muita, muita informação. E vão receber mais. Aposto que 30% dos brasileiros nessa faixa etária estarão "on line" nos próximos cinco anos (para quem não surfa na Internet, o convite: se ligue já ou resigne-se a viver à parte do mundo real).

Essa gente tem um senso de identidade único, e talvez diferente de tudo que já se viu antes. Nunca tanta gente foi tão bem informada, nunca tanta gente esteve em contato com tanta gente, nunca tanta gente sentiu os soluços e arrepios do planeta como tão seus.

Os mais velhos vêem garotos que sabem tudo sobre seus videogames, seus discos e seus filmes, e nada sobre déficits ou superávites. Até desconfio que é mais importante para a educação dos trabalhadores do século 21 saber ir até o fim do "Mario 64" do que ler Keynes, mas a questão não é essa. É porque a única coisa que literalmente todos os integrantes desta geração compartilham é a cultura pop planetária. Não interessa País, classe social, sexo, nada. Do Sri Lanka ao Piauí, todo mundo quer "Mortal Kombat", "Pernalonga", "Doritos", modem de 56, e cartão de crédito internacional. Todo mundo sai para dançar, todo mundo quer namorar e todo mundo usa o boné virado exatamente naquele ângulo. Como a Internet, esta geração considera qualquer impedimento à sua liberdade ou à sua evolução como um erro operacional - e cria atalhos instantaneamente. Faço parte desta geração e me orgulho. Desconfio que estamos na beirada de um mundo mais livre, mais informado e mais estimulante do que jamais se viu na Terra.

Juliana Domingues é aluna do QPIV PD A em Processamento de Dados

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