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Quando a informação começa a valer mais do que o capital, surge um novo problema |
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"Aquele que detém a informação, detém o poder", registrou o físico Fritjof Capra, a respeito da sociedade emergente. A tecnologia, em nosso século, evoluiu com uma velocidade surpreendente.
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Definitivamente essa idéia assusta muito, pois o avanço da tecnologia deveria ser produtiva e lucrativa para todos, e não fazer que apenas uma parcela da população seja beneficiada com toda essa tecnologia e informação.
A partir desta situação, acho que uma palavra, um conceito que começa a emergir, é o conceito de "apartação", ou seja, segregação.
Qualquer utopia passa, necessariamente, pelo avanço tecnológico. Mas, dependendo do compromisso ético, o instrumento que liberta o homem de suas necessidades termina aumentando a necessidade de muitos. O mau uso do avanço técnico, que aumentou a desigualdade e construiu a apartação, pode ser o instrumento de sua implantação definitiva.
Para que a restrição ética ocorra e sirva como elemento de correção no caminho da apartação, será preciso vencer a tendência de considerar modernidade sinônimo de avanço técnico. Em vez disto, submeter esse avanço a um projeto ético, no qual os homens assumam a diversidade entre eles e possam até ser desiguais, mas não diferentes.
Isso inverte a tendência da modernidade tradicional, vista pelo lado técnico, em que a sociedade tinha de caminhar para um único padrão de riqueza, construído por um único tipo de técnica, sem tolerar a diversidade, ampliando a desigualdade e construindo a diferença. Se quiser continuar com esse modelo de crescimento, o Brasil terá de implantar a segregação, explicitando a apartação entre ricos modernos e pobres atrasados.
O retrato do mundo atual que o Brasil representa pode servir para que o País elabore o retrato que o mundo do futuro pode ser, num projeto em que ética e informação se casem. Pode servir também para que, por meio de uma sociedade que respeite as liberdades individuais, o País elimine toda forma de apartação, concentre o esforço humano na ampliação do patrimônio cultural, com todo o respeito à diversidade e ao equilíbrio de informações, sem abandonar, mas considerando supérfluo o sonho do consumo e do poder da informação como parte da meta civilizacional.
Entre os objetivos definidos eticamente, um deles deve ser o de que os homens são semelhantes. Ainda que tenham acesso desigual às informações e à tecnologia, eles devem participar igualmente dos bens e serviços essenciais. Para tanto, a sociedade que desejar superar sua apartação, terá de fazer uma revolução em suas prioridades. Garantir a todos o acesso equivalente a todos os bens e serviços essenciais. Deixar que a desigualdade se manifeste como diversidade, mas jamais como exclusão da diferença.
Tenho muita pena daqueles que acham que o poder da informação leva ao poder total, muito mais até do que o dinheiro. Acreditam que se tornarão líderes e heróis, mas com certeza se tornarão vazios, tolos, prepotentes, odiosos e maléficos. Esses tipos de homens mentem, quando se dizem intérpretes do povo, e pretendem falar em seu nome, pois a bandeira que empunham é o do poder. Não podem suportar a liberdade, a invenção e o sonho, têm horror ao indivíduo, colocam-se acima do povo, o mundo que constroem é feio e triste. Assim tem sido sempre, quem consegue distinguir entre o herói e o assassino, entre o líder e o tirano?
O humanismo nasce daqueles que não possuem carisma e não detêm qualquer parcela de poder. Se pensarmos em Pasteur e em Chaplin, como admirar e estimar Napoleão?
Precisamos criar benefícios através das informações e tecnologias, e não criar mais problemas para a nossa humanidade.
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Juliana Domingues é aluna do QPIV PD A em Processamento de Dados