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História
pessoal
Karol Wojtyla nasceu em 18 de Maio de 1920 em Wadowice, Sul da Polónia; filho de um antigo oficial do exército dos Habsburgos, de quem herdou o nome, também chamado Karol Wojtyla.
Em 1929, perderia a mãe Emília, vitimada por uma doença nos rins. Em 1931, morreria o irmão, de escarlatina. Karol perderia o pai poucos dias antes de completar 22 anos.
Manifestando interesse pelo teatro e pela literatura, a sua juventude foi marcada por intensos contactos com a então ameaçada comunidade judaica de Cracóvia, e pela experiência da ocupação nazi, durante a qual trabalhou numa fábrica de produtos químicos. Atleta, actor, tradutor, musico, dramaturgo e filosofo na juventude, Karol Wojtyla foi ordenado sacerdote católico em 1 de Novembro de 1946.
Foi docente de Ética na Universidade Jagieloniana de Cracóvia e subsequentemente na Universidade Católica de Lublin. Em 1958 foi nomeado bispo auxiliar de Cracóvia e quatro anos depois chega ao cargo máximo na sua diocese. Em 30 de Dezembro de 1963 é apontado por Paulo VI como arcebispo, ainda em Cracóvia. Na qualidade de bispo e arcebispo, Wojtyla participa no Concílio Vaticano II, contribuindo para a redacção de documentos que se tornariam no Decreto sobre a Liberdade Religiosa (Dignitatis Humanae) e a Constituição Pastoral da Igreja no Mundo Moderno (Gaudium et Spes), dois dos mais historicamente importantes e influentes resultados do concílio. Foi elevado a Cardeal pelo Papa Paulo VI em 1967.
Eleição
O conclave que se sucedeu ao inesperado falecimento do Papa João Paulo I foi dominado por duas correntes que tiveram como candidatos o conservador Arcebispo de Génova Giuseppe Siri e o mais liberal Arcebispo de Florença Giovanni Benelli. Crê-se que a eleição de Karol Wojtila tenha sido uma solução de compromisso e constituiu uma surpresa. Adoptou o nome de João Paulo II em homenagem ao seu antecessor e rapidamente colocou-se do lado da paz e da concórdia internacionais, com intervenções frequentes em defesa dos direitos humanos e das Nações.
No fundo, foi o Papa mais novo desde Pio IX.
No entanto, tornou-se o Papa cuja acção foi mais decisiva no século XX: as suas
viagens ultrapassaram em número e extensão as de todos os antecessores juntos,
reunindo sempre multidões; para muitos tem o carisma do Papa João XXIII; participou
em eventos ecuménicos (foi o primeiro a pregar numa igreja luterana e numa mesquita,
o primeiro a visitar o Muro das Lamentações, em Jerusalém); procedeu a numerosas
beatificações e canonizações; escreveu 14 encíclicas;
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Pontificado
Com mais de 26 anos, é o terceiro mais longo da história da Igreja Católica. Alguns números que se destacam são o de viagens pastorais fora da Itália (mais de 100, visitando 129 países e mais de 1000 localidades), cerimônias de beatificação (147) e canonizações (51), nas quais foram proclamados 1338 beatos e 482 santos.
A primeira metade do pontificado fica marcada pela luta contra o comunismo na Polónia e restantes países da Europa de Leste e do mundo. Na segunda metade é de notar a crítica ao mundo ocidental capitalista, opulento e egoísta, dando voz ao Terceiro Mundo e aos pobres.
Criticou a aproximação da Igreja com o marxismo nos países em desenvolvimento , e em especial a Teologia da Libertação [1] (http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_01051991_centesimus-annus_po.html). "Não é possível compreender o homem a partir de uma visão econômica unilateral, e nem mesmo poderá ser definido de acordo com a divisão de classes.", disse aos bispos brasileiros em 26 de novembro de 2002. [2] (http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2002/november/documents/hf_jp-ii_spe_20021126_brazil-sul-iii-iv_po.html)
Durante a sua visita a Cuba, em Janeiro de 1998, que marcou o fim de 39 anos de relações tensas entre a Igreja Católica e o regime de Fidel Castro, condenou o embargo económico dos E.U.A. ao país. Em 2003, por intermédio do cardeal Angelo Sodano, enviou uma carta ao presidente Fidel Castro criticando "as duras penas impostas a numerosos cidadãos cubanos e, também as condenações à pena capital"[3] (http://www.vatican.va/roman_curia/secretariat_state/2003/documents/rc_seg-st_20030426_sodano-cuba_po.html) .
Condenou também o terrorismo e o ataque ao World Trade Center ocorrido em 11 de Setembro de 2001, nos Estados Unidos da América.[4] (http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/2002/documents/hf_jp-ii_aud_20020911_po.html)
Promotor de uma aproximação às outras grandes
religiões monoteístas do mundo, João Paulo II enfrentou no entanto acusações
de «proselitismo agressivo» feitas pelo mundo Ortodoxo. A reconciliação com
os judeus marcou a sua viagem à Terra Santa em Março de 2000 e uma «viragem»
nas relações entre as duas religiões.Motivou o diálogo interreligioso, o ecumenismo
e a cultura da paz, sendo o primeiro Sumo pontífice a visitar ao Muro das Lamentações
em 12 de Janeiro de 2000, em Jerusalém e onde pediu perdão pelos erros e crimes
cometidos pela Igreja no passado. Foi o primeiro a pregar numa sinagoga, a entrar
numa mesquita (em Damasco, Síria), e a promover jornadas ecuménicas de reflexão
pela paz em Assis (Oração Mundial pela Paz). Fez a primeira visita de um Sumo
Pontífice católico à Grécia desde a separação das Igrejas Católica e Ortodoxa
no cisma de 1054.
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Visitas ao Brasil
O Papa João Paulo II visitou o Brasil três vezes. Na primeira vez chegou ao meio-dia do dia 30 de Junho de 1980 e percorreu treze cidades em apenas doze dias. A maratona teve um total de 30000 km. Entrou por Brasília e partiu por Manaus. A segunda foi entre 12 e 21 de Outubro de 1991 onde visitou Campo Grande. O Papa não costumava beijar o solo de um país que ele já tinha visitado, mas no Brasil ele quebrou a tradição. Visitou sete cidades e fez 31 discursos e homilias. Esteve também no Brasil entre 2 e 6 de outubro de 1997. O Papa sempre demonstrou grande amor pelo Brasil, o país com mais católicos no mundo.