TEXTO PARA USO EXCLUSIVO NA DISCIPLINA ECZ5102 - CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS

 

Assis, José Chacon de. Brasil 21: uma nova ética para o desenvolvimento. 5a ed. Rio de Janeiro: CREA-RJ, 2000. Cap. 7: A sustentabilidade do produto. P. 49-52

 

A ANÁLISE DA SUSTENTABILIDADE DO PRODUTO DEVE AVALIAR O SEU processo de produção, a sua utilização, o descarte dos rejeitos finais após o uso, a sua acessibilidade a todos os cidadãos do planeta, a reciclagem, o seu conteúdo energético e durabilidade.

A avaliação do processo de produção deve abranger todos os setores que formam a cadeia produtiva desde a extração dos recursos naturais, passando pelos produtos intermediários até o produto final. Deve contabilizar, visando seu uso racional e sustentável, a demanda de energia, de recursos naturais e rejeitos para o meio ambiente em cada fase de produção.

Esta análise deve incluir, também, quando da utilização do produto, o consumo de energia, a reposição de peças e os rejeitos associados ao seu uso.

Mas isso só não basta. O processo produtivo pode encobrir potenciais impactos ambientais negativos - muito deles gravíssimos - que só serão sentidos quando o produto for descartado. Um exemplo em evidencia são as embalagens PET que são descartadas em profusão no ambiente, gerando sérios problemas de poluição dos rios, mares, lagoas, redes de água e esgoto e, finalmente, formando volumes gigantescos nos aterros sanitários. O seu efeito nocivo ao ambiente é tanto maior quanto maior for a escala de sua utilização que é crescente. Será que os ganhos de custo dos fabricantes compensam as deseconomias causadas pelas externalidades colocadas na conta dos contribuintes? Provavelmente, não! Não será mais ecoeficiente a volta das tradicionais embalagens de vidro retomáveis e reutilizáveis?

Não há sustentabilidade, também, quando o produto não é acessível a todos os cidadãos, como é o caso dos automóveis, que não pode ter a generalização de seu uso sem causar estragos ambientais irreversíveis.

Quanto à reciclagem, deve ser vista como uma solução parcial da questão ambiental, pois embora signifique a recuperação de parte dos insumos necessários à produção (sem os custos ambientais associados a sua obtenção), a reciclagem não modifica o processo produtivo e a concepção do produto. Por esse ângulo, a reciclagem realimenta o modelo econômico atual, consumista, predatório e excludente. Por isso é fundamental voltar-se para urna nova concepção dos produtos e do consumo com normas para sua maior durabilidade e o mínimo de rejeitos.

Na análise da sustentabilidade não se pode ignorar que os produtos em que os processos de produção são intensivos em energia ou que utilizam materiais de elevado conteúdo energético, são os que provocam os maiores impactos ambientais, diretos e indiretos. A substituição desses produtos, ao fim da sua vida útil, demanda novo aporte de energia e materiais ao sistema produtivo, igual ao que foi incorporado ao produto substituído, exigindo, permanentemente, um elevado requerimento de energia e de recursos naturais à sociedade.

Haverá, pois, maior sustentabilidade dos produtos quanto menor e menos frequentes forem os rejeitos, maior a sua durabilidade, menor o seu conteúdo energético, não serem poluentes em sua utilização e forem acessíveis a todos cidadãos do planeta.

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