
DESENVOLVIMENTO SÓCIO-AMBIENTAL
Para uma melhor compreensão das transformações ocorridas no ecossistema da Lagoa do Sombrio e
do Caverá, as duas maiores lagoas do extremo sul catarinense, requerem primeiramente, que conheçamos a história do desenvolvimento econômico e social da região, uma vez que o homem é o principal agente das modificações ocorridas no meio.
Procurarei demonstrar neste pequeno trabalho as ações cometidas e as conseqüências advindas dessas ações que continuam até em nossos dias comprometendo o equilíbrio ambiental de forma agressiva e sem maiores ações positivas capazes de reverter o quadro que piora a cada dia. Conhecer os motivos que levam a degradação de um ecossistema é preciso para conceituar as alternativas objetivas para a busca de políticas sociais e econômicas sustentável e viáveis para a convivência harmoniosa entre o homem e a natureza, uma
vez que não existirá o primeiro sem a última.
1 - FRAGMENTOS HISTÓRICOS
As terras onde moramos hoje foram habitadas por longos séculos por nativos das quais por desconhecimento e ignorância, os Portugueses e Espanhóis colonizadores destas terras, os chamaram de índios, achando que haviam chegado as índias, terras do continente asiático, já conquistadas na época por exploradoras anteriores, tais como próprio Cristóvão Colombo. Na verdade os nativos da região onde hoje habitamos se chamava Carijó, uma ramificação dos Guaranis, que viviam no planalto do sul do Brasil.
Aqui havia grande concentração de nativos, estimava-se que eram mais de 20.000 as populações só em nossa região.
Na localidade onde hoje se situa a Comunidade da Costa da Lagoa do Caverá ficava a maior concentração de suas moradias, conhecidas como "Ocas". A prova disso é que quando os agricultores preparavam as terras para o plantio, na época de mandioca, apareciam diversas manchas na terra de arenito na cor preta, comprovando a localização de cinza das fogueiras que eles faziam para aquecer as noites frias de inverno da época e também para fazer sua alimentação.
Os Carijós, nativos pacíficos, viviam em harmonia com a natureza, preservavam o ambiente de onde retiravam somente o necessário das florestas, dos rios e dos lagos para sua subsistência. Não havia a necessidade de acumulação de bens. A natureza lhes fornecia o necessário. Viviam suas culturas, sua religiosidade e toda uma vida de partilha em comunidade, que não cabe neste trabalho nos aprofundarmos.
1.1 -OS PRIMEIROS RELATOS REGISTRADOS
Os primeiros relatos registrados datam do ano de 1938, quando o botânico, Raulino Reitz, se embrenhou pelos sertões do extremo sul catarinense pesquisando
dentre os assuntos sócios religiosos a exploração científica natural, por ser ele um exímio conhecedor da flora catarinense.
Neste seguimento, mostrarei as dissertações registradas por Raulino Reitz sobre a hidrografia da região à época. "O sangradouro da Lagoa do Sombrio, dista 7 quilômetros da foz do Rio Mampituba, numa largura de 13,80 metros e uma profundidade de 3,70 metros. Neste sangradouro mais que nenhum outro se devem fazer varadouros pelas inúmeras voltas que faz até chegar a Lagoa do Sombrio. A correnteza de suas águas em todas as estações sempre é maior que a deste rio, o que fica provado não só pela sondagem que apresenta este sangradouro com o da Lagoa. Tem esta um fundo regular de 2,80 a 3,00 metros e um perímetro de 30 Km (Deve ser 16.360 m N. A)". "Lagoa da Serra, com 5 km de comprimento e 1,5 km de largura, está ligada ao Rio Araranguá pelo rio Negro e a Lagoa do Caverá pelo Sangrador do Fundo Grande, completa 76 km até o Rio Mampituba. ¹Quem concebeu o grandioso projeto do canal que ligaria todas as lagoas, foi o egrégio catarinense Brigadeiro Jerônimo Coelho. E quem mais trabalhou pelo canal e mandou estudar pelo engenheiro francês Demouly, foi o Dr. Hercílio Luz. Ultimamente surgiu novamente um estudo do canal, encabeçado pelo
governo federal. De Laguna até o Rio Mampituba. Já estão feitos os novos estudos para um canal de 25 m de largo com 4 m de fundo que será feito até Torres e mais tarde, em outra etapa, até Porto Alegre". "Lagoa do Caverá – Cáa-berá significa, na língua indígena, (Folha brilhante ou luzidia). É interposta entre a Lagoa da Serra e a Lagoa do Sombrio, com 9 km de comprimento e 4 km de largura. As margens são de grande beleza e ricas em caça. Comunica-se com a Lagoa da Serra pelo Sangrador do Fundo Grande, e com a Lagoa do
Sombrio pelo Rio Caverá."
"Lagoa do Sombrio – Sua extensão sobrepuja todas as demais lagoas do estado.
Situada no distrito do mesmo nome, mede 16.368 m de comprimento, com cerca de 5 km de largura. O seu perímetro é de 54 km² e a máxima profundidade é de 3 m. É muito majestosa e bela. Oferece recantos de rara beleza nas localidades em que é margeada pelos morros de arenitos do Sombrio, com 250 m de altura. A ponta norte os arredores da furna são encantadores. Suas matas marginais são habitadas por grande variedade
de orquidáceas".
"Lagoa do Pai avô – De pequenas dimensões, fica ao norte da Lagoa de Fora". "Lagoa de Fora – Também conhecida como Lagoa do Centro – tem a propriedade de ser estreita e muito comprida. Numa parte a largura é tão diminuta, que é cruzada por uma ponte de madeira que liga a vila de Sombrio a costa do mar. A Sanga dos Rodrigues esgota suas águas diretamente no Mampituba. Esta lagoa foi outrora o rincão predileto dos Cervos Galhudos".
"Lagoa do Piritú – A esquerda da Sanga da Madeira, ao sul da Lagoa do Sombrio
situa-se também esta pequena e graciosa lagoa".
"A zona das lagoas, ao lado dos encantos da Serra Geral se torna, pois, a parte mais típica do sul catarinense".
"A par deste rosário de lagoas temos inúmeras lagoas pequenas que acompanham por toda a costa, as dunas de areia. Lagoinha deve seu nome a uma destas lagoas costeiras."
Bibliografia: Livro Paróquia de Sombrio – 1938 – 1948 – P. Raulino Reitz
Edição: Edimilson Colares