A visita feita dia 09 de Março de 2008, ao Morro do Bagaço, em Sombrio/SC, apresentou-se como uma novidade positiva. Nas décadas de 70 e 80, a flora e a fauna deste morro era muito castigada pelos agricultores e caçadores. Os primeiros para expandir as áreas plantadas, faziam as famosas "coivaras" (derribadas da vegetação) e após seca ateavam fogo. A área a ser limpa era cercada por uma espécie de carreiro que era totalmente limpo, deixando somente o solo, para evitar que o fogo ficasse fora de controle. Esses carreiros limpos tinham o nome de "acero".  Dependendo do tamanho da área a ser queimada o fogo poderia durar dias devorando a vegetação. Pouco sobrou de matas nativas no Morro do Bagaço.

        Entretanto, as coisas aparentemente deram uma melhorada. Já não se observa mais as queimadas e a vegetação, está se recuperando gradativamente. Em nossa visita, observamos que houve uma redução significativa das culturas de subsistência (pequenas plantações) e o cultivo do fumo que também diminuiu. Talvez os agricultores tenham concluido, embora tardiamente, que a terra divido ao seu alto grau de inclinação não era apropriada para as culturas de cultivo constante, devido a grande perda de matéria orgânica.
        A permanência e até uma certa expansão na cultura da banana, foi observada. Mas esse avanço se direcionou mais para aquelas áreas que outrora eram cultivadas pelas culturas de subsistência e o fumo. Poucas foram as áreas devastadas pela inserção do bananal. O que se pode observar desta cultura é que ela também vem enfraquecendo com o tempo, devido a constante perda de matéria orgânica que com a pouca proteção (falta de outros arbustos no meio), o sol chega até a superfície e acaba por ressecar as folhas que levam mais tempo para a decomposição e consequentemente o humus praticamente é raro. Já onde existem árvores  se observa que as bananeiras se apresentam mais sadias.

        Na fotografia ao lado, a Comunidade de São Camilo. Ao fundo a Lagoa do Sombrio e no horizonte o Oceano Atlântico. Vistas do Morro do Bagaço.

         Estudar a nossa região, recuperando a sua história ecológica é apresentar as novas gerações as potencialidades de rever os nossos conceitos dos ecossistemas onde vivemos, em busca de soluções para sua recuperação e preservação. Muitas pessoas não conhecem a verdadeira realidade e por isso se faz necessário o estudo e a apresentação dele a comunidade onde esta realidade está inserida.
Edimilson Colares
Educador Ambiental
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