
2 - A CHEGADA DA CIVILIZAÇÃO
Mais tarde desembarcados em Laguna, o Jesuítas desceram até essas paragens, também com o intuito de catequizar os nativos e formar comunidades cristãs. Era o que os escravagistas precisavam para vir como bandeirantes caçar nossos nativos para levá-los para trabalhar como escravos nas fazendas de café de São Paulo. A maioria nem conseguia chegar até o destino morriam no caminho devido aos maus tratos sofridos.
Por incrível que pareça os brancos conseguiram formar os bugreiros "caçadores de índios" dentre os próprios silvícola ficando estes conhecidos como "Tubarões".
Entre 1800 e 1830, foram adquiridas as primeiras áreas de terras no extremo sul catarinense, conhecidas por sesmarias, pelos irmãos Luciano e Manoel Rodrigues da Silva. Sendo que o primeiro construiu sua casa na localidade onde hoje se localiza a comunidade de Curralinhos, Município de Passo de Torres e o segundo sobre um morro na margem leste da Lagoa do Sombrio, onde hoje conhecemos como morro de curralinhos, também conhecido hoje, como o morro dos macacos, devido a ser este último reduto de uma população de quase uma centena de maçados pregos.
A casa de Manoel Rodrigues da Silva, construída com a ajuda de seus setenta escravos no ano de 1830. Totalmente de pedra extraída das margens da Lagoa do Sombrio. Do local se tem uma exuberante vista do norte da Lagoa do Sombrio. Sua localização além do aspecto pitoresco, também levou em conta uma excelente vertente d’água natural que nasce do morro, mais a leste, onde também existia um engenho de cana-de-açúcar.
De onde se situava a casa é possível vislumbrar a visão que tinha Manoel Rodrigues da Silva, da Lagoa, ao fundo a elevação distante do Morro do Sombrio. Naquela época era incipiente a exploração, não
tinha os efeitos degradantes como em nossos dias, tanto que em visita recente (08/02/2005) ao local pude constatar o morro dos macacos ainda coberto pela mata atlântica e com uma população de mais ou menos 80 macacos pregos. Mesmo com os grandes estragos causados pelo furacão Catarina em 28 de Março de 2004, a mata resistiu, e se recupera rapidamente.
3 - A COLONIZAÇÃO DA REGIÃO
A partir de então, começava a chegada de colonos para se fixarem na região, primeiramente próxima ao Rio Mampituba e São Domingos das Torres, depois João José de Guimarães se aventurou de barco seguindo pela lagoa rumo ao Morro do Sombrio, costeando o norte até chegar nas Furnas onde mais tarde construiu a primeira casa do atual Município de Sombrio. Dela só sobrou à história contada pelos seus descendentes. As matas nativas começaram a dar lugar as "coivaras" para o plantio da cana-de-açúcar,
mandioca, milho, feijão e arroz. Gradativamente iam chegando novos colonos e tomando posse das terras. Surgiram então, os primeiros engenhos de açúcar, farinha e também as primeiras cerâmicas que exploravam a argila branca retirada do leito do Rio da Laje dentre outros, iniciando o processo de assoreamento, ainda que incipiente, devido à grandeza da época da Lagoa do Sombrio, que banhava a "boca das furnas", como
afirmam os moradores mais antigos da região.
Para usar em construção de casas e engenhos, os colonos da época retiraram as formações rochosas que haviam no interior da caverna maior. Segundo informação de Antonino de Guimarães Colares (in memoriun), tinha uma grande pedra no centro da furna que se estendia até o teto da mesma, existia vegetações próprias devido a grande umidade e a falta de luz, além de grande quantidade de morcegos.
Atualmente tudo fora destruído. As belezas naturais deram lugar a incontáveis estatuetas de Santos Católicos e de Umbanda, além da exagerada queima de velas que deixa um cheiro mórbido no lugar. Na parte externa onde as águas da lagoa banhavam, existem postos de combustíveis e restaurantes.
4. EXPANSÃO DEMOGRÁFICA
No início da colonização do extremo sul catarinense, iniciado por volta da década de 1830, onde as
primeiras propriedades foram adquiridas a natureza com sua fauna e flora riquíssima ainda deslumbravam os
passantes e estudiosos que por aqui passavam. Entretanto as famílias de colonos começaram a chegar ocupando as terras. A ciência conhecida em nossos tempos
como a Ecologia não era imaginada ainda pelos colonizadores da época e assim foram explorando a natureza sem qualquer critério preservativo.A expansão demográfica e a agricultura de subsistência, não trouxeram muito progresso para a região que se constituiu de pequenas propriedades fragmentadas por heranças e vendas sucessivas até a formação de pequenas vilas, como a de Passo do Sertão, Sombrio e Praia Grande. Embarcações de porte considerável cortavam o Rio da Laje – Lagoa do Sombrio – Sanga da Madeira – Rio Mampituba até chegar a Vila de São Domingos das Torres, levando e trazendo mercadorias e passageiros. Hoje tal idéia seria inconcebível devido ao forte assoreamento do Rio da Laje e da Lagoa do Sombrio, devido a intervenção humana.
Bibliografia: Livro Paróquia de Sombrio – 1938 – 1948 – P. Raulino Reitz
Este documento faz parte do trabalho "A HISTÓRIA DE NOSSO ECOSSISTEMA"
do autor: Edimilson Colares