DE BEM COM A VIDA


As definições servem para alguma coisa... se eu soubesse ao menos para que. Quem define limita e quem limita está inconscientemente preocupado com os perigos da vastidão. Definir, portanto, é um exercício intelectual que não me atrai. Diante de uma floresta ou de um jardim tenho a humildade dos pequeninos que vivenciam a felicidade com alegria no coração. A floresta me basta, o jardim me basta e Deus seja louvado. Assim, eu faço em relação ao nosso Internacional. Quando me perguntam porque sou colorado e o que significa o vermelho e branco na minha vida, desconverso propositalmente até que meu interlocutor cartesiano saia para outro assunto. Nenhuma definição serve para explicar este sentimento que carrega elementos múltiplos como alegria, tristeza, irritação, ciúme e me faz, ao mesmo tempo, homem e menino, herói e vilão, contestador vibrante e conciliador paciente, dependendo da fortuna do momento no perde / ganha do futebol. Nenhuma explicação serve para justificar este apego, esta paixão, que alonga ou estreita as horas de sono, que me deixa sem fome, que me joga para o meio da rua ou me confina no escuro do quarto conforme os resultados dos jogos realizados no Beira-Rio ou fora dele. Explicação, se existe não está em mim, não está comigo. Eu sou colorado e pronto, com a simplicidade de quem come uma laranja ou toma um copo d'água. 
Há, e tem aquela... Quando dizem que sou um colorado doente solto a risada adequada ao tamanho da estupidez. Nenhum colorado é doente. Ao contrário, ser colorado é estar em pleno gozo da saúde, de bem com a vida, curtindo, no íntimo, a satisfação de levar dentro do peito uma chama que não se apagará nunca. Doença, se existe, é sentir que a temperatura do corpo se eleva e o coração bate com mais força quando nosso time entra em campo. É, quem sabe, a emoção de ver uma criança pedir ao pai que não se esqueça de lhe comprar a camisa do Inter ou emoldurar o pôster mais recente do time. De resto, é tudo saúde, a saúde de quem veio ao mundo para carregar uma bandeira gloriosa e buscar sempre o primeiro lugar, independendemente da força e competência dos adversários, de sua astúcia, do seu lobby e até do seu mau-caratismo. Então, sou colorado e pronto. E não considero verdadeiramente colorados aqueles que reforçam as posições do adversário com críticas destrutivas, cobranças infundadas e um mau humor permanente plantado na beira do gramado. Deveriam saber, desde o princípio até o final dos tempos, que vitorioso ou derrotado circunstancialmente, o Inter é eterno como a abóboda celeste. Aos que sabem referenciá-lo com um olhar carinhoso, meus sinceros cumprimentos. Aos que não tem a recompensa dessa dádiva, minnha lástima e, se não for demais, o meu perdão. 


Kenny Braga

 

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