V e r b o
Veneno
Vida
louca vida... Ainda sem nada entender, eu caminho... Sempre em frente, mesmo
quando pros lados. Onde vou parar, quando vou chegar, são coisas que não me
assustam mais. O copo, quase sempre cheio de lágrimas me faz pensar na
embriagues dos corações noturnos. O sabor da cerveja há muito tempo se perdeu
na insensatez dos teus lábios. A loucura do teu corpo me persegue
sorrateiramente, como se a qualquer momento pudesse engolir meus pensamentos em
mares de suor e saliva.
Tesão?
Me consome! Gritos de luxúria acorrentados no fundo da alma conseguem atingir
os céus através de gemidos e suspiros que escapam pelos lábios entreabertos.
Prazer, gozo e êxtase deixam de ser apenas palavras para se tornarem reflexo da
tua silhueta sob a luz da lua. E no mais profundo silêncio eu escuto teus olhos
me dizendo: Te desejo!
Musa
alucinada. Não conheces os perigos do meu corpo. Não bebeste o veneno do meu
ser. Te aviso. Dado o primeiro passo não há mais volta. Dado o primeiro beijo
não há mais esperanças. Seremos pássaros sublimes dançando pelos lençóis.
Seremos a brisa da manhã sussurrando no corpo nu dos apaixonados. Seremos a
tempestade se impondo contra o pudor, esculhambando nossos corpos e aliviando a
febre do nosso sexo. Seremos palco, seremos pele, seremos puros.
Sim,
a ti minha alma. A ti o meu corpo. A ti me entrego por completo, pois só por
completo eu sei amar. E amar-te-ei colossalmente. Amarei teus olhos, amarei tuas
pernas, amarei os delírios derradeiros de um corpo em chamas que leva os
sonhadores a verem estrelas. E farei juras, sim farei juras. Serei
indivisivelmente eterno. Serei indiscutivelmente eterno. Beberei do teu corpo o
cálice da eternidade, e assim consagrarei nosso amor. Para sempre. Para sempre.
Mas
quando o sol me trouxer de volta a sobriedade, perceberás que nunca conheci a
sanidade. Perceberás que meu corpo frio já não guarda o teu cheiro, enquanto
o veneno do meu beijo contagia tua alma. Levantarei. Suavemente calar-te-ei os lábios,
e mesmo em silêncio ouvirás meu pedido de perdão.
Vida
louca vida. Vou me embora. Sempre em frente, mesmo quando pros lados. Fecho a
porta para não correr o risco de olhar pra trás. Agora que me teve, não te
quero mais. Voltarei para as ruas para ver se a noite me traz uma nova mulher.
Uma que não esteja contaminada pelo meu suor. Que não entenda os meus delírios.
E embora indo, eu sei: sempre que um corpo quente me acolher, sempre que em
outros olhos eu enlouquecer. Eu sei... A mulher será você. Seja você quem
for.