V   e   r   b   o

 

Neve no Sertão

 

Apesar de todo horizonte cinza e verde que me leva a imensidão

Convidando com um pouco mais de vida e alertando sobre a densa escuridão

Caminhando sozinho pela rua perdido sem explicação

Procurando a sombra de um amigo que ficou no último verão

 

Noite que não é mais noite

Pois os olhos não são mais fortes

Mas ainda lutam esperando ver

A neve no ardente sertão

Noite que não é mais noite

Pois os olhos não são mais fortes

Mas ainda procuram cegos

Pela saída dessa prisão

 

Na cabeça uma proposta que não diz a solução

Num conselho a resposta errada que confirma minha solidão

No espelho um desejo que me traz agonia e desilusão

Essa vida é um brinquedo que não passa de uma alucinação

 

Noite que não é mais noite

Pois os olhos não são mais fortes

Mas ainda lutam esperando ver

A neve no ardente sertão

Noite que não é mais noite

Pois os olhos não são mais fortes

Mas ainda procuram cegos

Pela saída dessa prisão

 

Acho que vou voltar

Àquele lugar

Onde as pessoas dizem ser o melhor lugar para estar

 

Acho que vou voltar

Pra onde eu nasci

Pro espaço infinito com a força de um grito que você não pode ouvir

 

Não

 

*Em parceria com Gustavo Brandão Blundi

 

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