Suicídio em Adolescente

 

Existem sinais de aviso?
Sim. As estatísticas mostram que 80% das mortes por suicídio foram precedidas de alguma pista ou sinais.

Contudo, muitos deles estão tão codificados ou imperceptíveis que mesmo um conselheiro profissional pode não os perceber. O percentual de probabilidade de intenção de suicídio nunca deve ser esquecido.

Sobre a tendência popular de se desvalorizar quem fala muito em se matar, e levar mais a sério quem é retraído ou mais calado, Handwerk e colaboradores (1998),  encontraram uma relação inversa entre a letalidade da tentativa de suicídio e o fato da pessoa avisar mais enfaticamente que quer se matar. Segundo esse autor, algum tipo de uma comunicação precede 80% das tentativas de suicídio ou suicídios concretizados em adolescentes. Em 46 casos estudados, os mais letais fizeram poucas comunicações sobre a intenção suicida, ao contrário daqueles com mais comunicações, cujas tentativas foram menos letais. Isso, entretanto, não nos autoriza a menosprezar adolescentes que falam muito sobre a intenção em se matar.

 

Quem tira a própria vida está fora de si, sempre?

Não necessariamente. Embora muitos pacientes sejam diagnostica­dos como "loucos" por tirarem a própria vida, nós, médicos e pesquisadores sabemos que as vítimas de suicídio não procurariam tanto a morte, e sim um meio de fugir ao sofrimento. Os suicidas, assim, sentir-se-iam perdidos pelas circunstâncias da vida e encontrariam na morte o único meio de fuga. No entanto, mesmo na morte, eles desejariam que alguém os resgatasse da situação. Por isso, assumir que o suicídio é um ato de insanidade não apenas pode ser falso, como constitui uma indelicadeza para com os parentes.

 

Adolescente e o Ato de se Matar

A tentativa do suicídio é a emergência psiquiátrica mais freqüente nos adolescentes (Garrido Romero, 2000). A idade média dos pacientes admitidos com intoxicação voluntária em serviço de emergência para crianças e adolescentes foi de 15,6 anos, sendo 87% deles meninas. Já haviam passado por atendimento psiquiátrico prévio 60,9% desses jovens. 

A substância tóxica mais usada para esse tipo de tentativa de suicídio por intoxicação voluntária era originária de remédios que, na maioria das vezes (82,6%), foi  obtida no próprio lar dos adolescentes. Os resultados sugeriram ao autor que a prevenção do suicídio nessa faixa etária requer, além da avaliação dos riscos de suicídio, também a vigilância sobre o acesso aos medicamentos da casa.

 

Comunicação

No adolescente a comunicação principal se dá através da ação. O isolamento e a apatia geral (falta de ação) também é, para o adolescente, uma forma de comunicação. Percebemos grande dificuldade em aplicar nos adolescentes a orientação de ser expectante, ou seja, de esperar que o tempo proceda alguma mudança em suas vidas, esperar que problemas se resolvam. Geralmente não espera. Age. O adolescente é impulsionado à ação.

 

Depressão

A depressão no adolescente é atípica. Na medida em que não tem recursos para discursar sobre seus sentimentos, de externar a problemática existencial e emocional pela qual está passando.

Neste caso, diante de eventual introversão, da dificuldade em demonstrar sentimentos, da coerção que o meio cultural tem sobre a manifestação emocional, a ação acaba substituindo esta, digamos, “inabilidade” de exteriorizar sentimentos. Para o adolescente, a solução de seus conflitos pode se traduzir na atitude de recorrer às drogas, ao álcool, à rebeldia e desobediência, à promiscuidade sexual, aos comportamentos agressivos e, inclusive, ao suicídio. Enfim, alguma comunicação não verbal dos seus sentimentos pode aparecer no adolescente. 

 

Administração do comportamento suicida no adolescente

Geralmente é difícil. Primeiro por que um terço desses adolescentes fazem repetidas tentativas de suicide, aumentando assim o risco de morte.

Segundo, 70 % dos pacientes que tentam suicídio não têm um transtorno mental apropriadamente diagnosticado, embora necessitem de cuidados nessa esfera (Pommereau, 1998). Na prática observamos que, com exceção dos cuidados físicos dispensados ao adolescente suicida nos serviços de emergência, a expressiva maioria dos hospitais não dispõe de um serviço de acompanhamento psiquiátrico.

E não é apenas ao suicídio clássico e franco que o adolescente deprimindo recorre; muitas vezes ele pode tentar suicídio de forma indireta e inconsciente, dirigindo de maneira imprudente, envolvendo-se em acidentes facilmente evitáveis, abusando de drogas e álcool, lidando insensatamente com armas de fogo, enfim, facilitando para que o acaso possa acabar com sua vida. Segundo Antônio Goulart, de modo geral, os jovens morrem principalmente de causas violentas e para cada suicídio de um adolescente, existem 10 tentativas. As moças tentam 3 vezes mais o suicídio que os rapazes, mas os rapazes alcançam a morte mais freqüentemente que as moças e utilizam métodos mais violentos.

 

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