Diagnóstico em Interconsulta Psiquiátrica

Experiência de uma pesquisa realizada no HC/UNICAMP

 

Tárcio Fábio Ramos de Carvalho 1

Manuela Garcia Lima 2

Milena Pereira Pondé 2

Dorgival Caetano 3

 

1. Doutor em Saúde Mental na UNICAMP.

2. Médica.

3. Professor Adjunto do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da UNICAMP

 

Resumo

Para avaliar os diagnósticos em um serviço de interconsulta médico-psiquiátrica, foi realizada uma pesquisa  no ambulatório e enfermaria do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (HC-UNICAMP). Foram analisados os diagnósticos psiquiátricos de 230 pacientes, sendo que 127 desses pacientes estavam internados em enfermarias e 103  pacientes foram atendidos no ambulatório de interconsulta psiquiátrica.  Os diagnósticos realizados pelos psiquiatras eram clínicos, sindrômicos ou  nosológicos, sem obedecer aos critérios de um sistema de classificação específico.  O diagnóstico mais freqüente no ambulatório de interconsulta foi de histeria, enquanto que  na interconsulta da enfermaria esse diagnóstico não aparecia entre os sete  diagnósticos mais freqüentes.  Os outros diagnósticos também apresentaram  grandes discrepâncias quando  os diagnósticos do ambulatório e da enfermaria eram comparados, com exceção de depressão e síndrome cerebral orgânica, que apareceram respectivamente em segundo e terceiro lugares. Quando comparados os diagnósticos da interconsulta psiquiátrica do HC-UNICAMP com os de outros serviços de interconsulta, foi observado também uma importante discrepância. Os autores sugerem o uso de um sistema de  classificação para o diagnóstico em interconsulta psiquiátrica, para fins de reconhecimento e tratamento dos distúrbios mentais, pesquisa, planejamento e ensino  em interconsulta psiquiátrica.

 

Introdução

                A interconsulta psiquiátrica pode ser definida como uma subespecialidade da Psiquiatria que se ocupa da assistência, ensino e pesquisa ao nível da interface entre a Psiquiatria e a Medicina (12). O interesse pela interconsulta psiquiátrica tem aumentado  nas  últimas décadas. No Brasil , uma pesquisa realizada em 1988 demonstrou que cerca de 95% das residências médicas atendem à solicitações de interconsultas para pacientes internados (6). Procurando melhorar a qualidade desses serviços, algumas instituições no país vêm realizando pesquisas, a maioria delas fornecendo um perfil do funcionamento do serviço de interconsulta.  Em um recente  trabalho, Paulo Abreu (1) reclama da necessidade  de pesquisas epidemiológicas em interconsulta e  da  padronização de instrumentos diagnósticos para podermos ter estimativas de morbidade, buscando o  aperfeiçoamento dos programas de saúde e em especial na interconsulta psiquiátrica (2).  Em um estudo realizado  pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (8), a pesquisadora relata :"Nas quatro etapas da pesquisa nos defrontamos com uma dificuldade por parte dos próprios psiquiatras na classificação dos pacientes. Havia classificação pelo CID 9, DSM-III, sindrômicas, pelas queixas ("nervoso"), ou inespecíficas (poliqueixoso). Isso revela dois pontos importantes da pesquisa: A atual nosologia psiquiátrica não é adequada para esse tipo de paciente aí encontrado...". Em outro trabalho (9) a mesma autora descreve sua experiência no levantamento dos dados de interconsulta no HU/UFRJ: "nossa primeira reação  às hipóteses diagnósticas foi de susto. Caracterizá-las parecia tarefa impossível. Encontramos diagnósticos pelo CID 9, DSM-III, classificações sindrômicas (síndrome depressiva, por exemplo), registro de patologias orgânicas (AVC), de sintomas (tremor, nervosismo) e descrições inespecíficas. Isso sem contar uma perda de 48% dos registros por estarem inadequados".

                A preocupação com o diagnóstico psiquiátrico tem aumentado nos últimos vinte anos , devido a observação de que as classificações em Psiquiatria nos anos sessentas  apresentavam pouca confiabilidade e validade (3). Numerosos estudos vêm sendo realizados em todo o mundo com o objetivo de melhorar a qualidade do diagnóstico psiquiátrico. Como resultado desses esforços, os sistemas de diagnóstico e classificação em Psiquiatria estão sendo reformulados. Os modernos sistemas, como o DSM-III-R (5) e a CID-10 (22) são baseados em critérios operacionais de inclusão, o que aumenta consideravelmente a confiabilidade do diagnóstico. Os critérios utilizados nesses sistemas ainda estão sendo  estudados  para melhorar a validade do diagnóstico psiquiátrico. Dessa forma, temos a passagem de uma Psiquiatria  filosófica para uma especialidade médica, mais científica,  baseada nos conhecimentos acumulados em pesquisas, e como parte dessa evolução,  é natural que surjam diversos sistemas de classificação.

                O objetivo dessa pesquisa é realizar um estudo dos diagnósticos dos psiquiatras  no serviço de interconsulta psiquiátrica do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (HC-UNICAMP). Busca-se identificar quais foram os diagnósticos mais freqüentes nesse serviço, a fim de compará-los com outros estudos semelhantes no Brasil.

 

Método e Pacientes

                A pesquisa foi desenvolvida no serviço de interconsulta psiquiátrica do HC-UNICAMP. Esse serviço é realizado através de atendimentos a pacientes internados e em acompanhamento ambulatorial nesse hospital. O atendimento aos pacientes internados são feitos através de pedidos de interconsulta solicitados pelos diversos serviços do Hospital e do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher. Os pacientes que são atendidos a nível ambulatorial pelas diversas clínicas e que necessitam de parecer psiquiátrico são encaminhados ao ambulatório de interconsulta psiquiátrica para avaliação. Dessa forma, a população observada nesse estudo consta de dois grupos diferentes de interconsulta psiquiátrica: o primeiro, a nível ambulatorial e outro, para pacientes internados nas diversas clínicas no HC-UNICAMP. O estudo é retrospectivo, constando de levantamento dos casos para os quais uma avaliação psiquiátrica foi solicitada no período de janeiro a julho de 1991.

                No ambulatório de interconsulta psiquiátrica foram avaliados 156 pacientes e nas enfermarias 127 pacientes. Não foi possível obter  os dados de alguns desses pacientes por dificuldade de acesso ao prontuário. Dessa forma, 53 pacientes do ambulatório foram excluídos do estudo, sendo avaliado os diagnósticos de 103  pacientes do ambulatório.

                Para saber o número de pacientes atendidos em cada um dos serviços durante o período citado foi consultado o setor de informática do HC-UNICAMP, que forneceu os números  de todos os prontuários dos pacientes atendidos pela interconsulta psiquiátrica. Os dados em relação a sexo, idade, diagnóstico, clínicas que solicitaram parecer, motivo do encaminhamento e outras informações foram obtidos através de revisão dos prontuários, e foram apresentados no II Encontro Brasileiro de  Interconsulta Psiquiátrica (11,20).  

                Os dados foram codificados  pelos autores para possibilitar a análise estatística. Como a nomeclatura não segue um sistema de classificação padronizado, foi necessário agrupar os diagnósticos realizados pelos psiquiatras. Foi necessário  identificar aqueles  diagnósticos que mais se assemelhavam para coloca-los dentro de um mesmo grupo.  Alguns diagnósticos são sindrômicos, outros são nosológicos, porém sem explicitar o sistema de classificação utilizado.

 

Resultados

 

                A Tabela 1 apresenta as características da amostra estudada em relação ao sexo dos pacientes. No ambulatório de interconsulta foi observada uma  freqüência significativamente maior de pacientes do sexo feminino. Como se trata de um levantamento de dois grupos de interconsulta psiquiátrica distintos, os resultados encontrados na avaliação dos diagnósticos apresentou algumas diferenças.  As Tabelas 2 e 3 apresentam  os resultados diagnósticos observados nesses serviços. O diagnóstico psiquiátrico mais freqüente nas enfermarias foi de neuroses (N =31), enquanto que no ambulatório foi de histeria (N =30). Se considerarmos separadamente o número de diagnósticos de neurose histérica na enfermaria (N=2), esse é muito pequeno em relação ao observado nos ambulatórios de interconsulta. O diagnóstico de depressão e síndromes orgânicas aparecem em segundo e terceiros lugares respectivamente em ordem de freqüência nos dois serviços.

                Alcoolismo foi diagnosticado em 6% dos pacientes nas enfermarias, enquanto que no ambulatório essa taxa foi ainda menor.  As disfunções sexuais aparecem em quarto lugar no ambulatório, o que é considerado pouco comum na literatura. Na enfermaria encontramos  omissão do diagnóstico psiquiátrico em 24% dos prontuários pesquisados.

 

Discussão e Conclusões

                O desenvolvimento crescente da consultoria psiquiátrica fez com que ela se tornasse uma subespecialização médica em Psiquiatria. Grande parte das Universidades no Brasil e no mundo vem incluindo um programa de ensino médico de graduação e pós-graduação em consultoria psiquiátrica. Aspectos da Psiquiatria clínica e da relação do paciente com o seu médico, com a instituição e com a doença são geralmente incluídos nesses programas. No entanto, poucas avaliações são realizadas de forma sistemática procurando analisar a efetividade desses serviços de interconsulta.

                Em um levantamento de pesquisas epidemiológicas em Psiquiatria realizadas no Brasil (18) , em relação ao diagnóstico os autores observam: "Do ponto de vista dos achados, é importante assinalar as dificuldades presentes no processo de comparação. A fragilidade na padronização dos critérios e classificação diagnóstica, apesar da extensão do uso da Classificação Internacional de Doenças (CID) em nosso meio, constituem-se em um dos principais fatores limitantes à comparabilidade entre os mesmos."

                Como exemplo desse problema podemos citar o questão do alcoolismo, que em nosso estudo  foi  pouco diagnosticado, quando comparado a outros estudos realizados no Brasil. Em uma pesquisa realizada com pacientes internados em uma enfermaria de clínica-geral no hospital da Escola Paulista de Medicina (16), 58% dos homens e 18% das mulheres revelaram um padrão de consumo sugestivo de alcoolismo, e em outro estudo realizado nas diversas enfermarias do Hospital das Clínicas de Botucatu (10), a prevalência de alcoolismo foi de 17,2% na população masculina e de 1,8 % na feminina.. O autor conclui que essas duas pesquisas serviram para mostrar que a detecção de alcoolismo seria bastante ineficaz a partir da anamnese de rotina. Utilizando entrevistas, escalas e metodologia semelhante, foi encontrado uma prevalência de alcoolismo em 51% na população masculina e 6% na feminina em pacientes hospitalizados em São Paulo (17) e 32% em homens e 6% em mulheres em pacientes ambulatoriais de hospitais gerais no Rio Grande do Norte (19).

                De acordo com dados da literatura em interconsulta no Brasil, quando comparamos os diagnósticos psiquiátricos realizados em interconsulta vemos que eles diferem muito. Uma recente revisão sobre estudos de morbidade psiquiátrica em ambulatório de clínica-geral (18), três pesquisas realizas no Brasil são comparadas (7,14,21) e os achados em relação à morbidade psiquiátrica são discrepantes, relacionando-se às diferentes medidas e critérios utilizados. Existem basicamente duas razões principais para explicar as diferenças nas taxas encontradas em serviços de saúde não especializados: as freqüências variam segundo a definição do caso, e os métodos de identificação  de casos adotados. Os estudos com base em prontuários ou na habilidade do clínico em detectar distúrbios psiquiátricos tendem a produzir taxas menores de morbidade do que os estudos que aplicam instrumentos padronizados (13, 15). Quando a avaliação  é realizada por psiquiatra as diferenças encontradas em relação ao diagnóstico se deve à forma de treinamento dos interconsultores, que aprendem a reconhecer determinado quadro a partir de orientações recebidas durante seu treinamento na graduação e pós-graduação. Alguns grupos aplicam mais a teoria psicanalítica (4), outros grupos utilizam instrumentos de avaliação para diagnóstico e quantificação dos sintomas (2).  As diversas formas de abordagem resultam em uma grande diferença no reconhecimento do problema e das condutas realizadas.

                Essa dificuldade é devido, em parte,  a uma falta de padronização da avaliação e dos sistemas de diagnóstico utilizados nos serviços de interconsulta. Quando realizamos essa pesquisa na UNICAMP observamos o quanto é difícil coletar os dados dos prontuários e organizar essas informações quando uma nomeclatura específica não é utilizada. Encontramos uma grande variedade de termos, e alguns de difícil interpretação clínica. O achado do diagnóstico de histeria como o mais frequente no ambulatório de interconsulta pode ser devido a uma "amostra viciada", mas é mais provável  que se deva aos hábitos de diagnosticar nesse serviço.

                 A necessidade de padronizar os sistemas diagnósticos em serviços de interconsulta psiquiátrica cresce com o progresso da Psiquiatria, visando:

 

1. Melhorar o atendimento aos pacientes, com o reconhecimento e tratamento adequado dos problemas mentais.

2. Permitir estudos epidemiológicos para podermos identificar, de fato, os problemas psiquiátricos mais freqüentes em nossa população e levantar os fatores relacionados com esses problemas.

3. Realizar pesquisas em interconsulta psiquiátrica para avaliar, além dos dados de morbidade e mortalidade, a eficácia nos procedimentos utilizados, pesquisas farmacológicas, a interação do clínico com seus pacientes, etc.

4. Desenvolver programas de saúde mental em todos os níveis de assistência médica, inclusive programas de ensino a nível de graduação, para médicos generalistas e de outras especialidades.

 

                Os resultados dessa pesquisa podem não ser aplicados para outros serviços de interconsulta psiquiátrica com uma população semelhante devido às dificuldades metodológicas já descritas. Outros trabalhos no futuros devem complementar esse estudo. A padronização do diagnóstico e dos sistemas de avaliação clínica pelo psiquiatra é necessário em hospitais gerais e em serviços de atenção primária à saúde, como uma forma de melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes com problemas mentais.

 

 

 

 

 

 

Endereço do Autor:   

Tárcio Carvalho

UNICAMP - Faculdade de Ciências Médicas

SCPG - Saúde Mental

Caixa Postal. 6111

Cidade Universitária - Barão Geraldo

Campinas  -  SP

CEP. 13081

 

Referências:

 

 1 . Abreu P - Pesquisa Epidemiológica em Consultoria. In:Miguel Filho EC, Ramadam ZBA, 

      Malbergier A, Souza DG (eds)- Interconsulta Psiquiátrica no Brasil, Astrurias, São

      Paulo:60-68,1990.

 

 2 . Abreu P, Chaves M - Consultoria em síndromes mentais orgânicas:

      alternativas para o aumento de eficiência diagnóstica. In:Miguel Filho

      EC, Ramadam ZBA, Malbergier A, Souza DG (eds.)- Interconsulta Psiquiátrica no Brasil,

     Astrurias, São Paulo:69-76,1990.

 

 3 . Akiskal HS - The classification of mental disorders. In:Kaplan HI,

      Sadock BJ (eds.)- Comprehensive Textbook of Psychiatry/V, Williams & Wilkins,

      Baltimore. 583-598,1989.

 

 4 . Albuquerque JF, Siqueira ES - A interconsulta médico-psicológica no

      Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco. In:Miguel

      Filho EC, Ramadam ZBA, Malbergier A, Souza DG (eds.)- Interconsulta Psiquiátrica no

      Brasil, Astrurias, São Paulo:122-128,1990.

 

 5 . American Psychiatry Association - Diagnostic and Statistical Manual of

      Mental Disorders (DSM-III-R), Third Edition, Revised. American

      Psychiatric Press, Washington D.C.,1987.

 

 6 . Botega NJ - Residência de psiquiatria no hospital geral: uma enquete

      nacional. In:Miguel Filho EC, Ramadam ZBA, Malbergier A, Souza DG (eds.)- Interconsulta

      Psiquiátrica no  Brasil, Astrurias, São Paulo:15-23,1990.

 

 

 7 . Busnello E, Bertolotte JM, Wildt M, Fagundes S, Gerchman S, Gehrke R et

       al - Psychiatric disorders in primary health care settings: incidence

      or prevalence?. Intern Conf in Classif and Diag of Mental Dis and Drug-

      Related Problems, WHO, Denmark:13-17,1982.

 

 8 . Fortes SL - Interconsulta psiquiátrica e ensino médico. In:Miguel Filho

      EC, Ramadam ZBA, Malbergier A, Souza DG (eds.) - Interconsulta Psiquiátrica no Brasil,

      Astrurias, São  Paulo:86-89,1990.

 

9 . Fortes SL - O ambulatório de Saúde Mental do HU/UFRJ. In:Miguel Filho

      EC, Ramadam ZBA, Malbergier A, Souza DG (eds.) - Interconsulta Psiquiátrica no Brasil,

      Asturias, São Paulo:160-163,1990.

 

 10 . Kerr-Correa F, Rossini R, Malheiros FA, Valenca JEB, Souza LCB, Paulim

      LFR et al - Importância do estudo da prevalência da ingestão alcoólica

      excessiva para diagnóstico do alcoolismo em enfermarias gerais e

      especializadas. ABP/APAL, 7:159-162,1986.

 

 11 . Lima MG, Carvalho TFR, Pondé MP - Solicitações, diagnósticos

      e condutas de interconsulta psiquiátrica em pacientes internados no

      HC/UNICAMP. Tema livre apresentado no II Encontro Brasileiro de

      Interconsulta Psiquiátrica, Porto Alegre, 1991.

 

 12 . Lipowski ZJ - Consultation-liaison psychiatry: the first half century.

      Gen Hosp Psychiatry, 11:1-22,1986.

 

 13 . Mari J - Minor psychiatric morbidity in three primary medical care

      clinics in the city of São Paulo: issues on the mental health of the

      urban poor. Social Psychiatric, 22:129-138,1987.

 

 14 . Mari J - Minor psychiatric morbidity in three primary medical clinics

      in the city of São Paulo (Thesis submited for the Degree of Doctor of

      Phylosophy in the University of London). London,1986.

 

 

 

 15 . Mari J, Blay SL, Yacoponi E - Um estudo de confiabilidade da versão

      brasileira da Clinical Interview Schedule. Boletin de la Oficina

      Sanitaria Panamericana, 100:77-83,1986.

 

 16 . Masur J, Cunha JM, Zwicker AP, Laranjeiras RR, Knobel E, Sustovich DR

      et al - Prevalências de pacientes com indicadores de alcoolismo

      internados em uma enfermaria de clínica geral- relevâncias de formas de

      detecção . Acta Psiquiátrica e Psicologica de America Latina,

      26:125-130,1980.

 

 17 . Masur J, Tufik S, Ribeiro AB, Saragoca MAS, Laranjeira RR - Consumo de

      álcool em pacientes de hospital geral: um problema negligenciado?.

      Revista da Associação  Médica Brasileira, 2:300-302,1979.

 

 18 . Ministério da Saúde - Princípios de Epidemiologia para Profissionais de

      Saúde Mental. Centro de Documentação do Ministério da Saúde,

      Brasília,1989.

 

 19 . Moreira LFS, Cappriglione MJ, Masur J - Consumo de álcool em pacientes

      ambulatoriais do hospital geral na capital e interior do estado do Rio

      Grande do Norte. Revista da Associação  Brasileira de Psiquiatria,

      2:183-189,1980.

 

 20 . Pondé MP, Lima MG, Carvalho TFR - Diagnóstico, conduta e

      evolução  de pacientes atendidos em ambulatório de interconsulta de um

      hospital geral universitário. Tema livre apresentado no II Encontro

      Brasileiro de Interconsulta Psiquiátrica, Porto Alegre, 1991.

 

 21 . Santana VS - Transtornos mentais em um centro de saúde de Salvador-

      Bahia. Revista Baiana de Saúde Publica, 4:160-167,1977.

 

 22 . World Health Organization - ICD-10 1990, Draft of Chapter V,Categories

      F00-F99: Mental, Behavioural and Developmental Disorders. Clinical

      Descriptions and Diagnostic Guidelines (1990 Draft for Field Trials).

      WHO, Geneve,1990.

 

 

Summary

 

                In order to evaluate the diagnosis in a consultation-liaison psychiatry service, research was carried out in the out-patient clinic and on the ward of the "Hospital das Clínicas"  of the State University of Campinas (H.C., UNICAMP). Psychiatric diagnoses of 230 patients were analysed: 127 in-patients and 103 patients receiving care in the psychiatric consultation-liaison out-patient clinic. The diagnoses carried out by the psychiatrists were on a syndromic or nosological level and did not fulfil the criteria of a specific classification system. The most frequent diagnoses in the consultation-liaison out-patient clinic was hysteria, which did not appear on the list of the seven most frequent diagnoses for in-patient consultation-liaison. Great discrepancies were also present when comparing the out-patient diagnoses with those of the in-patients, with the exception of depression and organic cerebral syndrome, which appear respectively in 2nd and 3nd place. An important discrepancy was also observed when comparing the psychiatric consultation-liaison diagnoses of the H.C., UNICAMP with those of other consultation-liaison services. The authors suggest the use of a classification system for the diagnoses in consultation-liaison psychiatry in order to recognize and treat mental disorders as well as to research, plan and teach in psychiatric consultation-liaison.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tabela 1.  Características da amostra em relação ao sexo

          

                                   

 

Interconsultas no Ambulatório

 

Interconsultas nas Enfermarias

 

 

 

Sexo

N

%

 N                                       

%

 

Masculino

53

34

54

53

 

Feminino

90

57,7

67

43

 

Sem Informação

13

8,3

6

4

 

Total

156

100                                                   

 

 

 

 

   

127

100

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  Tabela 2

Diagnósticos da Interconsulta Psiquiátrica nas Enfermarias do

 HC-UNICAMP

Diagnóstico

N

%

Neuroses

31

24

Depressão

17

13

Sínd.  Cerebral Orgânico

11

  9

Dist. de Personalidade

11

  9

Oligofrenias

8

  6

Psicoses Funcionais

7

   6

Alcoolismo

6

  5

Outros

6

  5

Sem diagnóstico

30

 23

 

Total

127

100                            

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tabela 3

Diagnósticos no Ambulatório de Interconsulta Psiquiátrica do

HC-UNICAMP

Diagnóstico

N

%

Histeria

30

29

Depressão

18

17,5

Sind.  Cerebral Orgânico

10

9,7

Disfunção Sexual

8

7,8

Ansiedade

5

4,9

Outros

18

17,5

Sem Diagnóstico

14

13,6

Total

103

100

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

AMOSTRA:  153 pacientes encaminhados ao ambulatório de interconsulta  psiquiátrica da UNICAMP

                         durante o período de                 a  

 

 

            DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA

                                                    

                                                                     

                                   SEXO

________________________________________________

 

                    Masculino            Femenino        

________________________________________________

 

                 N              %           N            %

 

                                                        

 

 

 

       DISTRIBUIÇÃO DA IDADE POR FAIXA ETÁRIA

 

   FAIXA ETÁRIA                                    SEXO

____________________________________________________________

 

                                                      Masculino            Femenino        

____________________________________________________________

 

                                                    N              %           N            %

 

   <20                                           7             13,2           3           3,5   

 

21 a 30                                       10            18,9          16         18,4

 

31 a 40                                       17             32            22         25,3

 

41 a 50                                       10            18,9          19         21,8

 

51 a 60                                        7             13,2          16         18,4

 

  > 60                                           2               3,8            8           9,1

 

sem informação                        0                0              3           3,5

_____________________________________________________________

 

Total                                          53             100           87        100

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CLÍNICA QUE ENCAMINHOU O PACIENTE E O

       DIAGNÓSTICO PSIQUIÁTRICO

 

 

                                                              Diagnóstico Psiquiátrico

_____________________________________________________________

 

Clínica que                                                                                       Disf.

encamilhou                              N        %            Histeria         Sexual      Depressão             

_________________________________________________________________________

 

Reumatologia                         14      8.9                 6                      0                       2

 

Neuroclínica                           12      7.7                 2                      0                       1

 

Clinica  Médica                      10      6.4                3                       0                      2

 

Urologia                                     9        5.8               2                        4                      0

 

Gastroclínica                           9        5.8                1                        1                     1

 

Outros                                      92        59                 16                     3                     8

_________________________________________________________________________

 Total                                       156      100                30                     8                   14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     CONCORDÂNCIA ENTRE O DIAGNÓSTICO DO CLIÍNICO E DO PSIQUIATRA

 

 

 

                                                                                                     Hipótese diagnóstica da psiquiatria

___________________________________________________________________________________

 

Hipótese diagnóstica                                                                                  Disf.

psiquiátrica  da clínica                   N         %                 Histeria      Sexual      Depressão      Ansiedade ___________________________________________________________________________________

 

Ansiedade                                         11          7                       3                       1                      2                       0

 

Depressão                                         10        6.4                      2                       0                     4                       0

 

Histeria                                                 9         5.8                     1                        0                      2                      0

 

Distúrbio Sexual                               7         4.6                     1                        0                       0                     3

  

Outros                                                 18      11.5                           

 

Sem informação                            101      66.7

_____________________________________________________________________________________

 

Total                                                     156    100                      30                     6                     14                     8

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     

 

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