Ser deficiente não é ser diferente

 

Ser deficiente não é ser diferente

 Ser deficiente não é ser diferente
Somos neutros em alguns olhares de alguns homens normais.
Somos como tal, somos deficientes por um erro da natureza ou por algumas circunstâncias da vida, mas não somos aberrações feitas por Deus.
Somos vidas cheia de vontade de viver, dividir, sonhar e pôr em prática os nossos sonhos e ainda dizer: "O sonho não acaba por aqui". Ah! Por que será que as pessoas  nos olham sempre diferentes, sempre têm algo para nos dizer, bom ou mal. Se perguntarmos para uma pessoa que está a nos olhar, ele sempre sorri e nos olha com cara de quem está com deboche ou pena e responde: Não senhor, não é nada não, só estava olhando. Então, muitos de nós com a voz de bravo respondemos: Algum problema senhor? Pois em muitas circunstâncias, não há necessidade de palavras para podermos entender.

Se mandarmos um currículo para uma empresa com todo os requisitos, provavelmente dias depois, seremos chamados para a entrevista. Mas o problema maior é quando vamos para a entrevista.
É possível que se é uma pessoa cadeirante logo vem aquela desculpa do gerente de que a vaga já foi preenchida, sem querer falar que devido a sua condição de ser uma pessoa cadeirante, não poder ocupar o cargo ou executar certos tipos de tarefas. Ou ainda diz, nossa eu não sabia que você era cadeirante. Não adianta responder que colocamos na ficha,  tão pouca importância terá, ha, mas´eu devo ter olhado com pressa, bem senhor, eu queria lhe dizer que nós estamos precisando sim de uma pessoa deficiente para trabalhar, mas essa pessoa não pode ter deficiência motora. O gerente com um simples boa sorte ele nos dispensa. Então vamos tristes pela rua, desiludidos por não ter sido aquele momento ainda... 

Quando deparamos com algumas crianças entre 8 a 12 anos, quando não possuem informações e orientações sobre deficientes, nos olham com deboche, com aqueles sorrisos de meninos sapecas, desobedientes, falando inocentemente com suas mães, olha mãe veja aquele aleijado em uma cadeira de rodas. Meu Deus, por que todos nos olham como se fossemos seres de outro planeta, como se nós não fossemos seres humanos? Muitas vezes esquecem que temos corações sensíveis e sentimentos como eles.

Lutamos tanto pelos nossos espaços na sociedade, mas, qual o valor de tudo isso?.
Lutamos tanto contra os preconceitos, mas isso só basta?
Não, falta muito ainda, queremos, mas queremos igualdade pela capacidade que cada um de nós possuímos, pelos nossos esforços, estudos e trabalhos.
Podemos falar também daquelas pessoas que ficam perguntando o tipo de deficiência que nós temos, sem perceberem que às vezes estão ferindo ou mesmo trazendo a tona, algo que gostaríamos de esquecer. Para estas pessoas, um conselho: coloquem se nos lugares dessas pessoas e analisem antes a situação, ou mesmo o que os próximos, poderiam sentir. O ideal seria não comentar sobre o assunto, a não ser que possam trazer algo de útil ou algo que pudessem os ajudar.
Em muitos casos e situações, as pessoas tentam esquecer as causas que provocaram tais deficiências, que em muitas, são tristes, traumáticas e até  revoltantes.


 Paulo Santos

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