
A palavra
“preconceito” tem como significado uma opinião ou um conceito formados por
antecipação, geralmente com precipitação, destituídos de análise mais profunda
ou conhecimento de determinado assunto, sem levar em consideração suficientes
argumentos contrários e favoráveis, sem o devido cotejo entre os múltiplos
aspectos que incidem sobre os fatos, por conseguinte, sem a suficiente e
necessária reflexão.
O
preconceito está geralmente relacionado com a ignorância, aqui vista como a
ausência de conhecimento acerca de determinado assunto. Invariavelmente se
encontra acompanhada da teimosia, que é sua escrava fiel.
Muitos dos
conceitos que hoje assumimos como nossos, de nossa autoria ou simples
concordância, nos foram na realidade legados através de confortáveis
estereótipos transmitidos de geração em geração, muitas vezes sem justificativa
plausível que os ampare como legitimas ou verdadeiros.
Nesse
sentido, cabe a cada cidadão arguir, duvidar desconfiar, a todo instante,
contestar as fórmulas prontas, os rótulos, as receitas acabadas, não apenas com
o objetivo de buscar as próprias respostas para tudo, mas principalmente para
minimamente reconhecer as “verdades” e as “mentiras” que povoam o cotidiano
individual,, até para que a eventual “obediência ao sistema”, decorrente do
pacto social anteriormente mencionado, se constitua no resultado de uma opção
livre, segura, madura e espontânea.
Exercendo
a sistemática confrontação das alternativas através da razão, da ponderação, do
estudo (que proporciona o conhecimento), da experiência etc., naturalmente
pode-se obter resultados significativos em prol do desenvolvimento moral e
intelectual de todos e de cada um.
É preciso
estar permanentemente preparado para enfrentar o “novo”, aquilo que ainda se
desconhece, com o objetivo de melhor se relacionar com o futuro. Para tanto, é
fundamental que as pessoas se encontrem desarmadas de idéias preconcebidas,
despidas de preconceitos que em nada favorecem esse sempre difícil
relacionamento.
Como é bom
e confortável tratar com aquilo que já conhecemos, e, via de consequência,
dominamos!
Entretanto, o “novo” se impõe a cada instante, Incomoda a quem não está
suficientemente preparado para recebê-lo. Destrói aqueles que o rejeitam.
É comum
acreditar que o preconceito só existe no “outro”. Apenas o “outro” é
preconceituoso, esquecendo-nos de olhar para nós mesmos, ver o quanto de
preconceito carregamos junto a nossos valores, até porque a circunstância mais
grave dessa problemática é exatamente a de acharmos que nós próprios não
possuímos preconceitos.