IMO
a beira de meu próprio precipício











o


que




por


detrás


das coisas


que


nossos


olhos


percebem?









(|-==i===n===d ===e===x==-|)



















1. Regra do Jogo

2. Corpo Textual

3. Entenda

4. Sonho sem fim

5. Make away with oneself

6. Orbe

7. Adonis & Eve

8. Don't talk

9. Sonâmbulo

10. Camelo

11. Em campo aberto

12. Surdo

13. Luto

14. Dom

15. Ante a porta

16. Depois da porta

17. Penha noturna

18. Simbiose

19. Sereias

20. Skinlove

21. Cemitério

22. Egito, eu grito

23. Cartografia

24. Sitiado

25. Veraz

26. Joana dos passos em arcos

27. Bilhete

28. Constatação

29. Onde estais?

30. Fato

31. Dano

32. Foto

33. Casual

34. JK

35. Docê

36. Só nós

37. Anel

38. Circe

39. Tato

40. Falta

41. Escuro

42. Orbe II

43. Mago

44. E.T.A

45. Vício

46. Please

47. IMO

48. Cego?

49. Fotomania

50. Planalto

51. Ato

52. Nothing ever last forever

53. Mística

54. Áries

55. Falso

56. Regime

57. Drogas

58. Tiana










Regra do Jogo

Não levo em conta
o físico que se parte
pela distância do tempo
nem mesmo dou atenção
a tudo que foge pelo vento
varrido, vazado, varado
de um olhar amado
de coração


Percebi seu nome
por entre as coisas do destino
que a muito não via
nem levava em consideração


Livros de paixão, facas de ódios
frascos de saudades,
caixas de lembranças
mapas de odores familiares

O cheiro que escala
através dos corpos
entorpece o raciocínio,
o beijo, o olhar, o gesto,
hipnotizando,
me deixam assim
sentado a beira do jogo.



Corpo Textual

Há algo de sex
numa folha em branco
Há algo de misterioso
na alvura de uma mulher.

As linhas, as letras, as palavras
massageiam o poema,
estendido por sobre a folha.

O corpo de uma mulher
merece todos os poemas
que se possam massagear,
porém
o orgasmo é sempre
uma assinatura ilegível.


Entenda

Miro sempre através
dos óculos da paixão,
me apaixono por quem
consigo olhar.

Olho para quem
se cristaliza
no meu ver espelhado

As vezes me engano
cegamente
As vezes enxergo aquilo
que não imagino.

Talvez sua preferência
seja outra
mas saiba que
a minha
é por você.


Sonho sem fim

Sempre quis que nunca acabasse
sempre quis ao meu lado
imutável
lento

vasto como a noite

sempre quis você nele
sempre quis

Hoje passado o vento
da juventude
o quadro amargurado
do inatingível
do amado e esquecido
ficou assim
irrealizável,
sem fim.


Make away with oneself

Bye, bye, baby, goodbye!
Don't cry by I sie
don't stay with streaming eyes,
at last, this is my spy-day,
I wait by this last expire.

Fly yours eyes towards sky.
You can me see,
try forever look for me.

Baby, never move forget me
if remember that I die
in the ours true blood.

ORBE

querer e não ter
ter e não levar
levar e não usufruir
usufruir e não gosar
gosar e não amar
amar e não querer

Adonis & Eve

Qual o nome da fome?
que não some?

A que se come?
Sim!
Fome do momento.
Tome!

Don't talk!

Agora que você me encontrou,
o que faço com o coração alheio
e as vistas mal dadas?

"- Não fale.
Não diga nada.
Chega de palavras asperes,
Frases suicidas.
Não me faça te desprezar ainda mais,
você dirá
nada por nada.
Não encontrará justificativa
explicação, desculpa ou defesa
que te livrará do escândalo
que armei contra você".

Qual seu endereço?
Quero te mandar o meu tempo.
Ele não vale nada, bugiganga sem valor,
entulho, refugo de relação mal começada.

Sonâmbulo

Ocorre que esse corpo outrora amado
está falhando à apodrecer,
encontrar-se urdido por outras vias
precárias, fora de prumo.

Cruza rios de sabores duvidosos,
montanhas entalhadas nas sobras
de um amanha unilateral
que não arrombou.

Fica horas estivado, inocente
sobre cortinas sem destino
na beira do seu próprio precipício.

Outras vezes,
permanece desenterrando
as raízes dos tempos
à procura da luz dos olhos,
cântico onírico das chamas,
depreciados pelas lagrimas corrosivas

Outras vezes,
redireciona o livro dos abismos ocultos.
Deglute os cristais ardidos,
esses frutos rasgados dos mistérios
como se fossem hostias encarnadas
em tecer sombras femininas.

Outras vezes
Padece a tortura da culpa
de ter um destino mudo.
paira sobre as árvores que trazem
dentro de si as tristezas uterinas,
com hábito de desapego
às lastimas humanas.
Passa tricoteando melodias perdidas
por entre choros arborescentes
das sementes estéreis
caídas das estrelas decadentes.

Agora que o riso da noite se abre,
sob as idéias impuras
esgaçando a boca sedente de paixão,
esse corpo finge ser prisioneiro
de um amor que nunca existiu.

Assim, manifesta às nuvens raquíticas
todo o ódio que acorda na pele
aquecida pelo sol dos esquecidos.

Camelo

De tanto naufragar
nas salivas dos acontecimentos
não ligo mais
para a sede
dos amores adormecidos.

Em campo aberto

O choro lentamente tecido
alongo o horizonte
da memória
constantes,
nebulosas náuseas.

No coração aberto,
a imensidão dos trigais,
bailando ao vento,
abarrota o tempo
tingindo pelos olhos vermelhos.

Ao largo deste poente
flui, rumo ao ermo,
a rota dos que se perderam
pelos sulcos irascíveis
do labirinto das falsas portas.

Surdo

Um dia,
espaço de tempo
em que posso te ver,
fascinar,
nao basta
para tudo que tenho olhado
no peito.

mas por toda parte,
no vento que corre
pelas veias da cidade,
na pele das paredes alheias,
em cada substância leal,
na intenção diluída da noite,
no lado enxertado na pegada,
em cada sarjeta inimiga
que há em ruas sem dono,
o desejo cegado
amar sem poder ouvir,
por se faz.

Luto

o som languido da lua
cruza a noite das cinzas
expelidas dos corpos.
um uivo esganiçado
alerta os olhos esgaçados
pelo êxtase.
no campo santo,
a mulher de todo o sempre
renova os protestos
de amor espetacular
à lapide do amado.
os pássaros negros
que tem suas nuvens espectrais
espelhadas nas sombras
brancas e fantasiosas,
levam para o horizonte ardente
todas as promessas ditas
que não se cumpriram.

Dom

(Dê um clarão)
a melodia
do dueto de corações
germina
da sensação de gerar,
de amar sem olhar
no tato quente das peles.
De imediato
as luzes iridecentes
que se fiam dos povos,
avoluma o vento expresso,
enche de sonhos exatos
os olhos do futuro.

As mãos abertas ao vento
são o ninho do mundo
de seu propósito,
é a sua forma de esculpir,
dentro de si mesma,
o rastro de ambos.

Agora é certo, se prenuncia,
o estado que nasce
das nuvens das dores repelidas,
das levas de contrações secas
e vastas náuseas marinhas.

Ocorre que somente
o corpo aceito
pode espelhar
e transparecer esse dom.
Ante a porta

Nunca quis me descobrir.
Vivo sem razão
apesar
de toda falsa alegria
que há no choro.

Depois da porta

Hoje em dia
não acho nada,
Já me encontrei.

Já fui lá e voltei.
Sei que tudo é efêmero.

Penha noturna

Carrego à terra sacrificada
o amor cultivado
nas unhas
sementeiras das paixões.
Sob elas,
os rasgos das alegrias azuis
escovadas das ondas sem medo.

Arrasto no corpo
o sabor da última noite.

Ali,
pregado no obelisco de março
sobre a ponte das luzes noturnas
as sereias me trazem o sonho saliente,
que confundi, tudo que lembro.
Do passado enforcado.

Os cogumelos que nascem na minha borda
sem a devida intenção de fé
poluem o desenrolar do grande peça,
incendeiam a chuva de gritos vãos,
narcotizam o meu caleidoscópio,
trocando as nuances da ilusão.

Simbiose

Aquilo
que guia as aves de arribação
sem paixão
as jornadas dos lentos paquidermes grandes
as sementes que vem e vão
nos dedos dos vetos,
o que traça
as rotas das suaves baleias leves
pelo eterno azul,
o que direciona o cego andar
dos animais migratórios,
o que uni os elos das correntes marítimas
e atiça o espírito de sobrevivência
também
inspira os poetas?

Sereias

Estou preso a essa ilha
de corações enferrujados
por ter acreditado
nas lágrimas doces das serias
estou preso a esse labirinto
de falsas águas
por ter me apaixonado
pelas escamas ardentes de prazer.

agora,
quero me livrar deste peso
que me faz flutuar nesta realidade
o amor o ódio se degladiam,
ponteiros de relógio na batalha do destino.

Como posso livrar-me delas
se eu não existo sem elas?

Skinlove

os corpos nus criam a luz fictícia
das manhas de ontem
na pele, a ostra solar da noite
se abre, grita e sangre.
a língua que acorda do pesadelo
é a mesma
que chama, molha e fala.
é na pele que ficam as cicatrizes
dos vendavais passados,
é nela que todas as curvas se voltam
e nela que se voltam as curvas.
tatuado em osso de mármore,
o tato alerta o odor,
o sentido do cadáver,
troca o olhar lacustre,
nos atira, enfastiado,
no princípio de nós mesmos,
sem direito à asas.
mesmo que todos os olhos
da pele murmurada
se tornem escuros,
como o medo,
não deixarei de tecer,
no vulcão dos dedos,
toda a vestimenta dos amantes
esquecida na lembrança das praias.

Cemitério

a noite tão bela
e tranqüila está,
que é possível
escrever no céu
os nomes dos que foram
comidos pelas ondas de vida.

Egito, eu grito

inútil é aquele
que tenta cruzar
o fosso das preocupações frias
na esperanças de captar
o futuro clandestino
no reflexo estagnado do presente.
inútil nexo em esculpir
o tempo perdido alhures
num relógio lunar minguante.
impossível
saciar a sede de amor
com lágrimas do vento uivante

inconseqüentemente é o ato de bular
as pedras femininas
com a intenção de faze-la
escrava das vontades dos homens.

inútil tentar tirar os apilhões dos olhos
enraizados na beleza férica,
que por conceito, fico mumificado
à sua espera.

Cartografia

Os caminhos traçados no seu corpo
rota que cruza músculo e intenção
te levam a porta única da dúvida
de qual geografia lhe satisfará.

A melodia que chove de ti
acalanta os olhos ávidos,
deixa o vento flagelado,
estira a vontade nas nuvens,
desenha imaginações onde
não ha ninguém e sem cerimônia
funde sangue, prazer e sonho.

A sombra dos que ficaram ontem
ofusca a luz atrelada no hoje
interrompe o estampido do beijo,
satiriza a vocação da lua,
ignorando a ação do sol.

Nas manhas levantadas
dos embalos tristonhos
os sonhos misturados nos olhos sós,
fazem alheiros nas frestas
nas ondas revoltas dos lençóis,
se automutilam
em seios de pedra pome,
perdidos em outros amores incertos.

Sitiado

o que me leva a crer
que estou te amando
é o fato de ter esquecido os nomes
das sobras moldadas nas ruas;
de ter a dor à corroer os dedos
abertos ao rebento das lágrimas;
por estar esquadrinhando as trilhas
da saudades perdidas.
à procura do vão
entre os horizontes;
por que durmo hirto sobre os gramados
perpetrados na luz das velas
içadas nas festas do acaso;
por que dança a valsa dos incesos.
no reflexo dos sonhos do albatroz soparado;
por estar açoitado pelo vento de rajada,
aquele vento que metralha
os gri-tos os er-ros os per-fu-mes e a vi-são;
por que fujo das causas ocas
que outrora emergiam
da pele salobra que não me encantava mais;
por achar que o amor
que se encontrava alienado
no labirinto das músicas finitas,
reconheceu o caminho das estrelas
e agora tece nas linhas da noite
a porta para te abalroar.

a estátua perfeita do meu sentimento
rugi sob o lado do verão
a integra angústia de sitiar-me numa ilha.
sem azul, sem futuro e sem sexo.

Veraz

só eu sei
a natureza das letras
que precisei para fixar na intenção
tudo aquilo que no silêncio das flores
são brilhos, afagos e ardores.

Só eu sei
a profundidade da floresta
que sinto por ti,

Só eu sei
a cor da fumaça
que levita das conversas frutificadas
no pomares oníricos dos bares.

Só eu sei
a quantidade de sonhos
que tive, ao apagar da imaginação
de um final de ano.

Só eu sei
o trabalho árduo que é polir,
transparecer no aquário de nuvens,
tudo que se espera identificar
em favor daquilo
que achamos para metalizar

Só eu sei
o quanto de surdez foi necessário
para freqüentar seu abraço de veludo,
seu beijo de fonte,
seu olhar praiano,
para que ninguém notasse
minha cachoeira explodindo
no peito aos olhos luzentes.

Só eu sei
o tamanho do camboio das paixões
que cruzará o céu dos seus olhos,
intimamente ligados ao meu desejo
de estar ao seu lado.

Só eu sei
o sabor do prazer que brota
dos domingos chuvosos
discretamente tatuado nos muros
que ignoram os destinos.

Só eu sei
o teor das virtudes que me cercam
entre o dia e o amanhã.

Só eu sei
o que é ficar escondido
atrás de loucas árvores escabelada
disfarçando moscas entre os móveis,
esperando que a raiva evapore
e os cipós pendentes das estrelas
enforquem de ponta-cabeça
aqueles que sequem tua solidão
ninguém vai saber
o que só eu sei.
O que trago encapsulado no coração
cristalizado entre um gesto e um adeus.

Joana dos passos em arcos

Joana
escrava moderna submissa,
defletindo realidade nua e feminina,
desembaiou, de cabeça erguida,
a espada da primavera sexual
e partiu com todos os ventos
por sobre o fogo macho exposto,
rasgando-lhe os subterrâneos,
as asneiras, o futuro,
com as garras indignadas da lua.

A voz torpente, crispada no silêncio
das multidões das pedras,
desfia dos relâmpagos rotos
as lembranças embolados, amassados
num corpo apertado e estrangulado
pela ampulheta do direito,
que não flui da boca,
arraigada nos dentes temerosos.

O que a leva rastejar,
pelos cabelos
da rede fina do medo?

Joanas de todos os cantos uníssonos;
-extirpem das noites esponsais
as estrelas que não guiam mais,
as que derivam por outras vontades.
- queimem seus eclipses cerceadores,
para poderem luzir a existência.

Bilhete
(Nilo é verdade, amar é abismamente canônico)

Uma paixão verdadeira,
avassaladora,
escraviza.
Joga-nos abnegados
diante do sacrário nu.
Faz
tudo se tornar sacramento
quando se idolatra a mulher.

Devia amar de outra maneira,
alheio a essa humilhação que extasia,
longe destas mãos que alisam os ossos
e gelam as repulsas adormecidas
nos abismos do peito.

Não mais devia cruzar os mares das peles
nem escalar o perfume do seus movimentos
muito menos afogar a sede
no poço das pernas
entregando-me à nudez do vício.

Me nego a escorregar novamente
pelas carícias ocultas na saliva
Não penso em continuar devotando
ao veludo nosso de cada noite
todas as flores surgidas da saudade.

Não farei mais cortejo que se diluem
no primeiro descantinar de nuvens,
As trevas que se lambuzam seduzidas,
não mais esconderei
por sobre os meus escombros recusados.
É impacientar o segredo do beijo
com extremo narcisismo.

Devia amarrar os mistérios dos desejos
na fonte das árvores solidárias
quem sabe a fumaça do fracasso
não se esconderia em outro mortal.

Agora a realidade é espectral,
é um punhal que deteriora
os corpos uns em outros.
É a transfusão de lágrimas e sombras
rompendo a veia do obsceno
em virtude de um amor lapidado.

Onde estais?

Esta terra é íntima demais
para eu estar em contato
com está água estagnada,
podre e sem respeito.

Não posso me esconder da esquina
que fede por despeito,
em tranca uma família
na esquina da parede.

O espelho nega a imagem real,
mentindo com todas as letras militares
para os imandos das bandeiras rasgadas,
que acreditam serem únicos na lama.
pregada num destino involuntário.

Porque obrigar alguém a viver
velejando pelos ventos da derrota
se tencionava ser somente feliz?

Morte, onde estais?
Por que ignora nossas suplicas
de liberdade e paz?

Constatação

Ela existe, logo perturba .
É só.
O mundo de ninguém
não sabe que eu amo.
É tudo.

Fato

Porque as coisas acontecem
assim
rápidas e sem anúncios prévio?

Essas
me deixam com esse ar todo
de nao saber dar um passo além,
necessitado das muletas das horas
para me situar no momento.

Dano

Sempre engano a direção
para então me acertar.

Perdi o caminho que trazia no passo,
queria me enraizar
para sentir o sabor do que produzo.

Foto

A porta do desespero
fica aquém da rodoviária
que te leva
para além dos meus olhos.

Estou com as tristezas das flores colhidas
enxertadas nos vasos emocionais.

É por não entender o sentimento
que fujo do beneplasto do só,
ligo-me ao passado estampado
na memória
e te cultivo
numa imagem halográfica.

Casual

A chuva molhada corpos
na fuga se tocam,
solidariedade do abrigo
cumplicidade de intenção

Impossível não se excitar
com a chuverada

O vento alça panos
desvenda os segredos

E depois de tudo
alguns tremam
outros hipnotizado pelo som
lembram.

JK

Sempre bato a porta do coração
contra a parede da saudade
sem pensar nas conseqüências
que isto possa causar
em toda a estrutura emocional
desse quarto e sala
de frente pra mata.

Docê

Meus olhos não são
mais os mesmos
submisso
potencializo
amortizações da cabeça
companhia de doce e sal.

Uma brisa nova
figura nas narinas,
e confunde o som do coração.

A falta que este corpo
não metaboliza em sua procura
muta por náusea
a alucinação de ter sua mão
alizando minha vida.

Só nós

não há espelho
só a identidade
e um cartão de crédito
positivo livre da brigada
sem luz, só nós.
Por todo o tudo da nota
a luz reflete aquilo que tivemos
ou teremos imaginariamente
só para nós.
Não há álcool
que nos desiluda,
só uma conversa,
uma retidão mordaz
nos une, só.

Anel

Falamos diferentes idiomas
o sentimento traduzimos
de maneira diversa,
aquilo que você olha
é o mesmo que eu quero ver,
aquilo que eu desejo
você me declara
aquilo que precisas,
eu faço.

é por ser igualmente estranhos
(estranhamente iguais!)
que a saudade é mais ácida
a lembrança é mais terrível
e a vontade mais carrasca.

Saiba que enquanto dormes nua
levito os olhos oníricos
por sobre sua pele clara.

É por estar tudo engendrado
é que me cultivo
no espaço negro desse anel.

Circe

Meu continente
está me enlouquecendo.

Necessito da paz
do carinho
e do calor
de sua ilha.

Ulisses.

Tato

É no silêncio das nuvens
que tenho o privilégio
de te namorar
quando cerro os olhos
sinto o cheiro de teu brilho
e o calor da minha pele
traz de volta a realidade
para o sonho.

Falta

Estou precisando do novo.
e de todo o mistério
que acarreta descobri-lo,
de toda a alegria
que leva vive-lo,
de todo o prazer
que da senti-lo,
de todo o medo
que há em mudar
de toda a expectativa
que se tem em espera-lo.

Estou precisando de novo,
viver.

Escuro

Venderam-me
uma saída falsa,
sem porta.

Agora durmo num marasmo
de idéias desconexas,
sem futuro
sem parede
sem luz no fim
de tudo.

Orbe II

Sonhar e não poder viver
olhar e não sentir seu calor
lembrar e não ouvir sua voz
andar e não querer te perder
ter e não ver
amar e acreditar.

Mago

No princípio
não acreditava
no fim
agora, acredito
na realização
dos sonhos.

E. T. A.

Eu sei que ouvi você dizer
mas penso
que não te queira como amiga

Te quero para querer sempre
num abraço, num beijo

Para me desfazer do sol
quero ser estrela
eu te amo
minha lua.

Vício

Lavem as mãos
depois de esfaquear
o inimigo.

o ácido corrosivo do ódio,
liquido vital da vingança
vicia.

Please

Não me prive
dos olhos das suas letras que encantam
do cheiro de suas palavras viciantes
num do sentimento encrustado
nas suas frases
muito menos
do brilho que sua carta gera.

Só você pode alterar o destino
do cometa errante.

IMO

Ao cruzar a porta que achamos
nos perdemos
a cada passo
um sentido se esvai

Não se ouve nada
não se vê nada,
é como se afogado estivéssemos
Temos o paladar abolido na boca
e notamos que os cheiros sumira,
como se enterrado estivéssemos.

Por maior que seja
a nossa vontade
Não sentimos nem mesmo
o próprio corpo.

e depois de lacrada a porta
as nossas costas,
só nos restará
aquilo que trouxermos
no imo.

Cego?

o que eu vi nela?
aquilo que você não tem?

o que ela tem?
aquilo que você esconde.

o que ela não esconde
ora, aquilo que você não mostra.

Afinal, o que você quer ver?
aquilo que eu só vi nela.

Fotomania

Jamais pensei olhar
para outra pessoa
paixão.
Entre todos os olhos
só vi os seus
então
não entristeça.

Apesar de não ter
a coragem
dos inconseqüentes
quero te beija
as costas

Depois que te vivi
não sei por quem
brilha o meu sol,
meus olhos, amor

Meus olhos, sim
sempre por você.

Planalto

Não era sonho
a vida é que não era real
apocalipse.

Verde mofado
amarelo estragado
azul necrosado
branco morto
slogan surdo e mudo.

Ato

agora que estou só
posso descascar os ventos das mão
deito
falo
calo
grito
ando
rezo
amo
escrevo
falo
canto.

Nothing ever lasts forwer
(nada dura para sempre)

A história avança
sobre todos caminhos,
rumos sem saídas,
atalhos circulares
por percursos flamejantes
limita o horizonte,
por ruas paralíticas
que dificultam o destino
fustiga os ares da manhã
e fulgura o mistério no futuro.

Mística

me perder nesta aventura
de sentimento, amor
de sexo e carne.

todo novo, tudo novo
não sei onde finda
a vontade de estar.
cega o tempo.
só êxtase no tato
contato prazer.

Aries
- como se fosse personalidade,
amor, dinheiro, paz, afeto,
coragem, loucura, medo e etc -

Entro de olho fechado
em tudo,
Quero mudar sempre,
o meu ponto de vista.

Quando caio
sempre vejo onde tropecei.

Falso

É ver que em todos
os olhos,
as lágrimas,
são óleos
e constatar
que o contato amoroso
é superficialmente
mecânico.

Regime

Sinto carência de você
de gravitar tudo
que nos isola.

Sobre cada imagem
a menina do coração
cria sua face,
sua lembrança

A mim resta
devorar o desejo
e esperar.

Drogas

De tanto bater em portas
estranhas
acabei por conhecer
algumas das minhas pessoas
que até então
não conhecia.

Atitudes aversas ao tempo,
vontades sem desejos,
visões alheias a luz;
movimentos sem sentido
de finalidade.

O estágio dúbio
entre o ser e o morrer.

Tiana

Lá esta ela inerte
por detrás do muro esfarrapado
pelo medo em chamas.

A metálica
por estar só,
balança pendurada
em seus olhos aventados do passado.

Os traços, longe dos sonhos,
se diluem-no noite estagnada
na vã alegria de colher
no pomar das Boas lembranças,
o segredo de voltar no tempo.

Envolta nas humilhações
das chuvas que se a vizinha,
persegue as pegadas
esquecidas na escada
(pequenas cicatrizes de prazer
que votaram a doer)
atrás do fio da saída
do labirinto amarelo.






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