A

última

patada

do

Dragão

PEGADAS

A última patada do dragão Shinju Restos de quarto Gruta Amarras Permuta Buenos aires? Ponto de vista Queimada Recouvrement des notes Le diamètre de le diamant Cimetière Dúvida atroz Chuva Le desespèrè Camila Brainner Lençois Tao Meus dez mil dias Telefonema The other side of the mirror Aminésia Caçador intrépido das estepes desiguais Luzes acesas Trajetória Ventania Presença de espírito Depois da "festa" Animal ferido esquece o dono que o feriu? Sonhos são indícios de delirios She's never hurt vefore Oníricas Encomenda O viajante Retomada A arte de enfeitizar o destino Incrédulo lilás Hsu, dois nos depos presságio Carência Saudade Marear Diário de Bordo Narciso Única Artista Opaco Fresta O instante na estante Montanha Dilapidado Mistério Mulher Divagações repetidas divagações Abrir os olhos e deixar a luz ferir "G" Olhos escuros Ao toque da infidelidade Criatura




A última patada do dragão

Perder o sentido da luz perder o sentimento de amar perder a razão de viver. Foi tamanha a ansiedade que quando veio infalível, invencível cruzou meu passado retornando ao início onde colocou-me arrependido por ter começado a viver. Poderia me marcar, uma tatuagem na alma mas, por que por amor a cicatriz ficou no olhar? Talvez quem me veja não saiba por que a luz não me sensibiliza mais, não entra pela janela e neles não espelha o amor que tive, vivi. Talvez não seja flagelo, auto-mutilação ou graça arrancar da face o dialogo silencioso e joga-lo num chafariz refletido do arco-íris, para tranqüilo dormir colorido no reino da escuridão. Nesta estrada que cruz o deserto de mim onde é proibido parar ou chorar vagueio, cego sem bengala , sem desculpa. Será que estou indo em frente ou dou volta sobre minha sombra? Haverá misericórdia ao fim do passo? Será o sol clemente ao pedido de chuva? ou terei que procura o deleite do suor de cansado? Hoje sinto na pele febril a falta do gelo artístico das lágrimas das nuvens vermelhas que sempre me acompanharam por todo destino que tive por todo destino me dado. Por quanto tempo chorarei por quanto desespero sofrerei por não poder amar a luz de minha estrela? Agora, aqui estou frente a frente com o pricipício do momento estático, desejoso de atos lunático, pensados ou afoitos. Quando a aurora do medo, da perda me tomar, nada será como antes nada será narrado para depois, tudo dependerá do que fizer agora. Ouço o conto sonhado da aventura. O leve cheiro das orquídeas paira sobre meus ouvidos loucos como entidades do anoitecer que roubam do dia o calor do sol para tricotarem cachecóis que o inverno incendiará. Planar sobre Atacama plantar sobre o destino de sal - vale a pena plantar um chafariz no meio da solidão? Estou a um palmo da solução, seria a frieza do calor um alento para desistir? Levarei comigo o meu passado íntimo não divulgado, retratado em 3x4, para a inércia do medo, para os porões da morte. - o fundo da existência é tão perto que nem desejamos saber onde dá pé -. daria tempo para recuar do empurrão de coragem- para a camiseta de perdedor envergar vergonhosamente - só pela satisfação alegre de que há esperança? O que há de insensato em garimpar as nuvens se na terra não colhemos nem idéias nem amores? Caiu um pedregulho da minha inocência pela vontade própria mergulha ao léu e minha curiosidade do olhar faz-me pender e os pés imagina asas. Navego por ares nunca voados cruzando mil ventos, tais pássaros tal ave de arribação, que da vida à infinidade alva deriva no céu escondido da plenitude. Se vôo ou precipito é pela simples fração da realidade, se não me estimo desabrocho o peito em flor. A flecha que do arco zune trespassa o futuro e a dor trazendo contra o meu ardor a última patada do dragão.



Shinju

Sonhar para além da insônia ir para onde o ônibus só vai andar em direção do impossível lutar por nada viver para perder. Que mais um kamikaze poderia desejar além de um juramento de amor.



Restos de quarto

Meus sapatos, sós, ao pé da cama os lençóis não queimam mais o cheiro de mel e suor esvaíram-se pela janela o sono custa a chegar. No éter dos sonhos levito por entre seus pêlos me embriago na sua pele - no liminar do horizonte, descortino seu corpo aos olhos veladores do mundo -. No gesto de menina todo o fascínio de mulher toda a sensualidade animal todo o perigo do labirinto do prazer. Eregir rosas brancas à deusa loira dos olhos verdes para aplacar a ira dos pensamentos maus.



Gruta

A passagem é única e molhada gruta alucinógena gruta por todos os invernos feitos passar para o outro lado tem sabor de nectar. - mescla de dois corpos - o som do gemido conseguido entorpece os ouvidos dos calados cansados que não desvendam os mistérios da libido satisfeita em corpos aventureiros.



Amarras

É na noite que procuro meu sol minha luz de fevereiro. De dia choro, fico triste ando por portos dormidos a ver navios ao longe e imagino-me fugindo para uma solitária geografia.



Permuta

Nem mesmo pela própria vida se ela fosse objeto trocaria pelo meu amor. Nem mesmo a própria morte se ela fosse real mostraria a felicidade. De que vale a vida se até a própria morte á recusa?



Bueno Aires?

A flor que colhi com amor no canteiro do janeiro sempre-viva, sempre-bela secou sob os pés da desgraça de prata sem deixar de exalar o perfume do desprezo.



Ponto de Vista

Olho a cidade com outros olhos olhos de caçador, olhos perscrutador procuro a cidade das revistas do passado, a que ficou no coração. Vejo que as esquinas não são cruzamento de idéias, que os bancos da praça não ouvem mais as declarações de antes não são ponto de encontro. Ando pelas calçadas e sinto que as árvores no seu espetáculo nos observa (em sua silenciosa sabedoria) a incensar o ar mas, também a assassina-lo noto que o tempo sempre foi úmido e o clima marcadamente choroso. As pessoas atônitas, olham para os pés envergonhadas por serem fracas, por não poder enfrentar a vida, o dragão do destino como o fazem contra o oculto físico. A angústia pela falta de luar enegrece o espaço vivo do fato de andar só pelas pedras lisas de um passeio alheio ao fim. Meu andar cartográfico pelas ruas dessa cidade tem um pouco de tristeza arrependimento, talvez pela vida que tenho pelas sensações de ter andado em vão.



Queimadas


Bem que eu quis não me envolver não fazer parte deste complô nem participar do levante queria ficar só, á margem de tudo não estava a fim de tramóia mas você me obrigou aplicando a chantagem de sempre. Agora estou nos anais da justiça como cúmplice, por ter pactuado tua causa; agora, nossa. Júri nenhum irá acreditar que esse fogo todo na mata floresceu da fagulha de um cigarro mal apagado. Talvez a pena seja perpétua, companheira, viver para sempre juntos até morrer.



Recouvrement des notes

Foram tantos tempos, tantos tempos, tantos tempos, tantos tempos, e tantos tempos. Foram tantos dias, tantos dias, tantos dias, tantos dias, e tantos dias. Foi uma meia vida de espera que não sei o que perdi, o que ganhei.



Le diamètre de le diamant

Na fonte de águas turvas entre as pedras verdes de limo encontrei sob a lama tal cristal de luz vítreo de curiosidade estilhaços de coisa alguma - serei eu o único a reconhecer que tal falsidade encanta? Por anos a fio garimpei vidas lavando almas, limpando corpos sem saber o que procurava sem saber o que encontrar. Por mais a fundo que fosse jamais teria tal luz jamais facearia o cristal dos meus sonhos. Levei tempo lapidando desejos esculpindo fantasias nos metais frios. - prá que? só para compara-lo à bijoux hoje sobraram os cacos e sinto que nada restou, um corte no coração e a mão sangrando. Afogar a língua n'água engolir nacos mil sentar, esperar, recompor tais alternativas levam ao fim que não quero. Lágrimas cristalizam nos olhos tenho quilates de cristais - a quem dar tamanho colar de amor?



Cimetierè

Estrategicamente guardada num canto juntada a outros empreguinados de mofo enraizado no pó das horas. Talvez torne a vê-la quando outro caixão vier acumular tal refúgio de lembranças onde esqueço os objetos já sem uso. Lá fora nada há para além da solidão das estrelas uma imaginação fictícia que desabrocha em trevas.



Dúvida atroz

Está faltando algo neste arco-íris. - Cadê o vermelho, que esquinas de sombras o escondeu?



Chuva

E se a pena vale-se esperar para imaginar que poderei ganhar? que poderei te ganhar? Como explicar meu horror à chuva se sempre estou molhado? Sempre a chuva esteve sobre mim sobrevivendo a momentos felizes por anos tive que abrigar-me por anos te esperei hoje sei que te esqueci te perdi num ônibus. Hoje eu estou a chover mas como explicar meu ódio se sempre estou te amando.



Le desespéré camila brainner

Por toda a desgraça que possa abater por todo terremoto que houver sempre estaremos perplexo, perante o futuro. A paciência de esperar pelo que vier nos leva a loucura insana e cega e nos torna frios, insensíveis aliás, não sabemos nada do presente. A procura nos carrega à pontes suspensas bambas ao vento, insuportavelmente leves, arriscando a jogar-nos no precipício dos sonhos. - por que chorar sobre a natureza se mesmo lutando contra o defeito tenta parecer normal sobre pedras. - e sobre a flor? tem ela o mesmo desígnio de beleza mesmo seca, mesmo rejeitada? Em tal desespero, chorar por não ter a chance de precaver-se de talvez evitar, esta escolha: esconder-se entre as terras ou, jogar-se no sonho? Se as pedras fossem vivas e tivessem o desejo de viver talvez seu desespero aplacaria vendo a ponte do real crescer.



Lençois

- Como um deus à contemplar a natureza! viria, eu sei, o desejo de possuir mas o olhar é duradouro além do efêmero prazer do toque. Agora eu sei que vendo-a deitada tal na praia deserta percebi no sentido do amor toda a extensão da vida - nunca imaginei chegar até aqui. Amar como deus possui-la com desejo e no real sentido viver num duradouro.



Tao

Que cadáver esquisito é esse tendo o corpo, um tendo a mente, outro A dualidade, uma oposição para a mesma direção.



Meus dez mil dias

Levei muito tempo tentando imagina-lo ou ao menos como seria e o que faria quando tivesse que esquece-lo? que mal dos males me aconteceria, deixando-me débil, aniquilado perante o desejo sem vontade de ser com o olhar, extasiado no passado? talvez, não tivesse tempo de prezar o arco- íris nem ao menos senti-lo orbitando minhas esperas. Agora, perdido o tato do rosto fiquei sem sentimento, frio. Hoje não sei o sabor da brisa passo um tempo enorme me escondendo fazendo um regime de puro isolamento. A liberdade me ecoa triste com aroma de solidão, um farol num deserto calmo, por mais que vôo adiante mais perto fica minha vida, mais longe vou, embora, fugindo de minha própria sina fugindo de mim próprio.



Telefonema

Que tal falarmos sobre lembranças entristecidas passado longínquo esperanças perdidas num papo ameno, simples palavras que flutuem na brisa do entardecer; Levaríamos em conta á saudade o clima o tempo que ficamos longe. Talvez a curiosidade de saber como estamos o que aconteceu? e o que pretendemos fazer? - lembra? como na primeira vez. Hoje nosso olhar é outro a voz soa afinada sob outro diapasão. Agora sabemos o dinossauro que somos e de que somos capazes.



The other side of the mirror

Quero te mostrar o que há ao longe do outro lado do que vê. Te levarei para além do reflexo do espelho sensibilizada a luz das horas do vôo das aves ausentes noturnas, silenciosas que sob os nimbos ideais tecem seu dia, meu destino. Tira-la da tristeza de estar atracada a um cais em dia de vento açoitado, podendo alegre cavalgar sobre ondas no livre baile do vento. Vejo na boca d'água seu paladar afoito naufragar em êxtase deixando tatuagens no corpo que pontuam o desejo que corre nos meus nervos.



Aminésia

Hoje percorro outros caminhos freqüento outros bares meu cometa desviou da rota vou a outros mundos, outros planetas, conhecer outras vidas mas, por que faço, não sei esqueci a razão. Não precisa tentar achar-me eu nunca sei onde vou estar.



Caçador intrépido das estepes desiguais

Queria te beijar a boca mas você fugia como uma garotinha foge do misterioso, escondido, oculto, daquilo que causa curiosidade se te pego forte, cabelo vai ao vento balança revoltado, hesitante, se te trago ao peito, me olhas feito gata desprotegida, miando querendo algo mais que o permitido. Se te rasgo, achas que sou tarado que te seduzo, te enfeitiço te conduzo a territórios arriscados, à loucura, sem passagem de volta. - você não entendeu a manhã de vista, o xis da questão imposta? Talvez minha obsessão, essa tatuagem cravada nos ossos não passe de frescura de adolescente, mas até onde posso ir andando por este passeio se todos os lugares são os mesmos a despeito dos rostos dos que passam, das mentiras pregadas nas paredes dessas casas que escondem idéias divergentes das minhas? tá certo que não sou o tipo ideal, desses bonecos estirados em revista de mulher, que minha voz não seja de galã ao contrário, mas meu delírio de aço chega a te buscar e te leva para além dos condores das vontades contidas entre os dedos, para o silêncio que o amor cintila.



Luzes acessas

Velar meus olhos roxos de paixão sobre as cortinas do segredo inoportuno e lavar a alma no jarro diáfano da alegria ainda que a lua cubra o sol estarei sempre a aguardar sua volta, regresso para o tronco da qual[ além da prima beleza, levou no coração a certeza que te quero de novo iluminada pela luz que deixei acesa.



Trajetória

Começo a entender a sintaxe do medo e do amor com a sua morfologia. Essa teoria que rege a vida, a rota das estrelas. - me conte a história do rio de luz? agora posso interpreta-la, sigo o curso natural das coisas, sem os acidentes geográficos dessa história infeliz. Eu. era. sou. serei. serão sereias as mulheres solitárias que nessa batalha, onde não sabem se lutam, se ganham ou se estão perdidas nesta mesquinha cidade sem remorso? Gostaria que tudo fosse fingimento e que soubesse lidar com o segredado mas sem felicidade, que molhada pela chuva do inverno encolheu, esqueirou-se pelo boeiro, torna-se difícil, quase oculto o futuro. O perfume volatilizado no tempo tem essência de mandragora, estilhaça-se no ar em mil intenções frágeis, em contrapartida da alma, são perenes essas incontáveis fagulhas que cintilam no olhar noturno. Devo voltar para onde nunca devia ter saído? - onde? sabe-se lá onde, só que aqui é que não fico.



Ventania

Os grãos da miragem são leves infinitamente penosos, na voz do vento voam cantando entristecido, pela ausência da amante do lado, o choro dos esquecidos, dos reservados. Triste, trilham opacos a via brilham no acaso de um dia sabendo que a noite é fria, cruel e que não deixa nenhuma alegria luzir nenhum amor florir nenhum amor brotar nesta terra de sal terra de solitários terra de sós, de otários terra sem sol.



Presença de espírito

O que vê à frente num íntimo relampejo de luz? a cor inexplicável da ilusão - forte, marcante na retina enganada- vai para além de tudo que há fica sepultada no breu das cores vividas guardada em cinzenta recordação, para ser ressuscitada no futuro quando a saudade das antigas imagens ferir os olhos do coração agoniado.



Depois da "festa"

Foi ato impensado mas tudo que usou cada prega de fita cada laço nos cabelos tinha algo a ver com aquela festa por traz de cada tempo perdido na maquilagem, no esmalte, nos apetrechos enfeitiçadores havia sempre a intenção de agradar de quer se dar. ela não iria se expor assim sem ter pensado em algo antes, afinal, esse riso de satisfação, de esgotada, de "calma, calma" não pode ser mentira, seu gemido, conseguido no último galho de cipreste, ainda o tenho brandindo no ouvido foi tão profundo quanto a noite passada e seu corpo, nu, como o céu sem estrelas, sem marcas sem o véu do medo estava ali, resplandecente lua no sono, como natureza vegetal. Eu que pensava que ela fosse uma miragem coisa do outro mundo, mas ela era de carne e osso prazer e autoridade desejo e possessão. Se eu levantar, ela acorda, se eu for embora, vai faltar-lhe afeto se ela acordar e resolver ir embora vou ficar cultuando uma deusa de mármore branca, fria, de olhar estarrecido pelo passado é por isto que vou ficar aqui quieto, defensor e amante como um cãozinho ao lado da dona.



Animal ferido esquece o dono que o feriu?

Levado ao quarto escuro, pela segunda nada além de um palmo do nariz somente escuridão, vazio, o que há? trabalhos reforçados sem reconhecimento perdi a razão do certo errado da diferença entre o inferno e imensidão do mar. A vontade de optar, escolher entre o claro ou claro que escuro! perco coisas que duvido ter feito. Agora não sei onde procurar-me ás vezes falo sozinho e não me entendo. O que a solidão faz aos olhos. Passei dias prado, com medo de mexer hoje sei que tenho o relógio atrasado e meu tempo é irreal. Levei tanto tempo dos outros agora pago o vexame em dobro mais juros e correção e todos esses encargos que me dão tento não incomodar grito surdo e mudo o que sinto mas, nem sempre consigo. Tudo é magoa de cisal, pânico dos gatos afogados. O veneno me corria do dente. Por favor, feche a porte, não me espie não gosto que me critiquem por chorar.



Sonhos são indícios de delírios

Quando penso em ficar sobre nuvens lentas você me dá uma insônia daquelas grandes daquelas que dura toda a lunação que cruza todo o porão do meu céu, demora para sair fica como nódoa de bananeira eu que deito e durmo, alegre sou assim tô sonhando acordado cada coisa utópica, onírica como toda esperança, loucura instigada por demônios subversão da vontade dos neurônios inadiplentes que turvam ainda mais essa cabeça já sem desejo tumultuada por muitos regressos, voltas, revoltas pela inquietude dos ventos noturnos do sul devido a mudanças bruscas no temperamento pela densidade relativa no clima do momento carrego punhais sob essa calma fingida disfarce das rugas ciumentas inadmissíveis essa dor que contamina, proliferando pelo meu corpo, nervos, movimentos e nas minhas atitudes exposta no pelotão da oposição imposta, pronto para atira-los contra o teu silêncio, tua defesa, sua parede, seu segredo, contra tudo que tira debaixo da unha, da saia e usa para me possuir, me levar a outra dimensão com sua malícia. De manhã uma raiva preguiçosa vai me fixar nos lençóis mexidos rixa entre querer e ter. Sob o eclipse da luz do tempo desconhecido narro até o fim o trajeto da paixão lá encontrarei vestígios dos desígnios dos signos tatuados em pétalas multifacetadas das flores da pele daquela que amei. Só que não estarei mais sonhando ficarei olhando para cima vendo as nuvens decidindo lentas sobre mim.



She's never hurt before

Vivo uma realidade parida de sonhos lacunas infinitas desgraças que leva em malas pedaços de vida para longe, distante dos desejos. Segue ermos caminhos desvios, atalhos, becos sempre em frente única ignorando o que passou um passado frio, nevasca. Quero pelo menos hoje, quero ser dono do meu nariz, usar minha identidade decidir sobre meu tempo sobre a chuva, sol, vento que roupa colocar seguir a ranhura do mármore o contorno das nuvens ir sem o dever de dizer prá onde.



Oníricas

Marionetes fantásticas com fios lunáticos em que sombras escondes em que páginas ficaram, esperando-me nesse encontro desgovernado ás cegas, na calada do desvio? Teu rosto, o tenho entalhado nos meus olhos visão ás claras, porém proscrita apesar desta esfera de influência ainda o tenho meta orfoseado na esperança de ter encontrar Será que tua presença fatal me terá tirado a vida depois de tudo o que aconteceu?



Encomenda

Benção ou flagelo seria o que você é além do sacrifício além da dor seria você o que é e por isto tenho que aceitar aquilo que traz disposta a dar sem saber se quero sem saber o que quero?



O viajante

Agora não dá mais do jeito que tá a floresta negra, sinistra e estranha, qualquer obstáculo é um susto qualquer pássaro é desgraça qualquer sombra é afronta. Voltar é começar de novo. Uma tendência de girar sobre o mesmo ponto cardinal. Tenho intimidade com essa vida posso debochar do meu azar, carrego tudo que acarreta sofrimento e magoa. Nem ao menos reclamo da mochila cheia de excessos e temperança. Parar ou seguir: eis a questão. esperar ou cair? ambas ciladas da escuridão. No silêncio da espera o amor cresce, planta rasteira cobre o chão. e a isca destas armadilhas? a esguia silhueta opaca do futuro. no espelho, tal qual foi a floresta que ora vejo refletida - sem remorso, sem ódio - há sempre uma saída a contornar, há sempre uma maneira a repensar há sempre uma palavra que não foi dada há sempre um beijo que não foi entregue há um jeito de reiniciar sem ter que voltar ao principio.



Retomada

Olha, tenho tanto segredo contigo que o silêncio me acusa e essa cumplicidade no olhar nos delata sem defesa. a verdade escondida sob as unhas não me permitem desistir, mesmo que o risco de errar me faça pensar em não querer mais.



A arte de enfeitiçar o destino

Irão seguir o caminho que trilhei sentirão na face a dor de ser nojo. Não, não é pecado o que desejo, se é vingança não acredito em sua gratidão. Jamais pensei jamais imaginei estar no início onde tudo começou mas do outro lado do espelho.



Incrédulo lilás

Cansei de tê-la em meus sonhos (encontros e encantos) no espaço rápido do olhar não há dúvida de sua existência afinal, esperei tanto e tantas que não acredito na sorte. Minha alma vazia numa mesa. a cabeça cheia caída ao chão, seja por esquecimento, desprezo é frágil frasco para uma aventura. - agora que líquido guardar? você não conhece ainda meus demônios' tenho a chave errada de uma certa porta que esconde minhas trevas um passado recente e falso um cadafalso enganoso que me deixou com vergonha da luz. Mais que sorte necessito de chance mais que vida necessito de alguém mais que qualquer uma, necessito de você. serei subjugado pelo amor serei singelo, serei quente serei calmo, serei amigo serei claro como a gota que trago entre os dedos fruto de um azar inacabado. Hoje rio doce da beira do mar amargo.



Hsu, dois anos depois

De tanto esperar o estupido idiota dormiu na vida acordou morto. Viestes acompanhada, não me acorde. Como você se sente vendo um bobo? Muitos me avisaram que você não viria ainda tenho forças para seguir o atraso de uma oportunidade que não me foi dada quando precisei. Some, por que não vale a pena, perder. Sempre tive medo de expor-me agora aberta a chaga, me ferí estou ferido e com medo mesmo gostando mesmo querendo não estava comigo não te senti junto a alegria que tu esperava a acreditava, estava entre nós, muitos.



Presságio

Para onde você pensa que a humanidade se dirige? você não acha que ela ficou parada marcando passo na cadência da tua vida? Perdida por entre colunas lenços ao ventos nuvens enquadradas na janela lá fora as lendas se cumprem e se perdem na verdade, labirinto de portas, corredores falsos, idéias vãs. - how many the philosophy will exist between the sky and the earth? ninguém, sabe com que roupa vem o medo, quando descortinados os segredos da noite, horas afixiadas em que não se está certo de nada. esquisita coisa de esquiva indecisão pura estou tão sozinho, quero dormir quero teu colo socorro, estou com medo.



Carência

Vou continuar a brincar com sonhos mesmo sabendo que o castigo é a insônia, falta do real que escurece o quarto amplo em que hábito. ninguém é obrigado a enxergar a luz que fere os olhos. mesmo sabendo que ela ofusca aquilo que se imagina. - talvez ela nunca venha a saber o que se passou comigo o que se passa comigo. o que passou, ficou marcado. deixa assim.



Saudade

Quando se caminha por destinos acidentados não percebemos que estamos sendo empurrados puxados, jogados para os outros lados que estamos tropeçando na sombra, na vida que não estamos no sentido concreto. ninguém se feri e acha graça daquilo que o motivou, embora o sangue assuste a escolha é de cada um. o medo de cair e não ter ajuda, cega; sofremos tudo para não estar só. Vale a vida tamanha morte?



Marear

Ainda que longe do mar sinta sob a língua o gosto do sal, sem querer penso no sabor dos momentos que deixaram existir. Sometimes, questions me, I haven't answer que correntes marítimas foram aquelas que te levaram no repuxo da festa de fim de ano me deixando vago, num porto justo no meu aniversário? Tá certo que todas as águas correm para o mar embora meu amor esteja permanentemente refletindo as montanhas que me cercam. As vezes, tento impedir as ondas, meu castelo não alisar, tento , tento, tento não perder. As vezes, tento não te amar mas o mar é implacável.



Diário de bordo

Durante todo esse tempo .... e eu que pensava que a serra, a altura me fariam esquecer dragão, serpente e o mar. Você não imagina as luas que tive que cruzar. Trago uma marca no peito que mudou a paisagem da vida. Culpo o mar por não te amar e temo que deus me diga adeus por tamanha blasfêmia. Cortar a árvore para colher o fruto e reclamar da próxima safra. Noto que os ponteiros não andam talvez, sem estimulo. Sempre esperei pelo inverno com o coração no verão. encontrar o ponto exato entre o que você me fez e o que gostaria que acontecesse. enfrentar a fantasia de olhos abertos. desculpe-me vale menos que perdoa-me pelo que vou fazer. O que há de novo no passado além da tristeza do presente. Cem touros cruzam a pradaria indo em direção do horizonte imaginário. Centauros cruzam o corpo indo em direção ao realmente. Eu não poderia esperar não pude ficar a sombra da árvore talvez o destino viesse implacável e me deixasse morto para a vida, sem uma manhã seguinte. Cultivei segredos em campos estranhos frutos proibidos aos olhos seus, gestos incompreendidos sabores escusos, atos silenciosos, delatores. Me disseram que o amor é falso, intempestivo chuva forte em alto oceano, uma vez lanhado, toda vida marcado: a eterna luta de fugir, esquecer e querer de novo sofrer, sangrar, rasgar-se. durante todo esse tempo escavei dunas nos recônditos recursos da natureza humana.



Narciso

Um rio que revolve a terá mais dura tenazmente desloca pedras e obstáculos levando de roldão todos os passados aqueles que se banham nele. Lava, produz, enfeita ou esclarece nem mesmo o rio ou suas águas conseguiriam explicar tamanho curso de correnteza gerado Sem espuma, sem barulho. puro silêncio flutua nas águas escuras; abismo, profunda existência. quanta sabedoria se esconde sob o lodo? da nascente que se perde no ontem muitos amores foram contornados, foi desviado do leito natural teve quedas, chuviscos dispersivos estilhaçaram seu ideal. Mas nem mesmo o sol castigante da indiferença pode fazê-lo morrer. no leito seco corre o espírito calmo de quem procura mar. Há chuva. a chuva há de vir um dia. as pedras clamam o descaso e pedem proteção por mais longa existência, que haja azar não mais, esquecida pela natureza. sob o fogo dos mistérios voam luzes brancas, negras noites espelhadas na curiosidade superficial na tênue idéia de sê-lo em beleza. De todos os rios concebidos talvez haja outros com porte, volume limpidez, frescor e paisagem aquém ou além do que vislumbrado ao sair da mata. seus olhos se esqueceram das outras águas nunca ouvirá o nada escutado o sabor e o entorpecimento do ar, nada será igualado quando deitares no trapiche do convite. talvez se pudesse querer algo queria me retratar nestas águas.



Única

Mira! faz tanto tempo que não os vemos .... a ronda das estrelas agora está em outra praça neste céu, só cometendo bobice; de sã já foram todas loucas. só você restou no horizonte saudoso da lembrança. Calos na personalidade me fustigam à espera.



Artista

Vivo, represento o velho cego que garimpa estrelas no deserto. na senil tristeza encontro asas as recordações repentinas longas esperas, amores utópicos aragens súbitas me deixam atônito só, como toda árvore no inverno. Haverá tempo para mais uma vida que de tanto querer esqueci de tê-la? Ora, maldito por de sol levou-me a oportunidade tênue e agora fiquei a ver navios se tatuarem, vermelho alaranjados nos corpos das nuvens andarilhas. Quantas eclipses ainda sentirei na pele até que você me venha iluminada?



Opacos

Como te esquecer se cada segundo da ausência desvirtua meu tempo, desagrega minhas idéias, dilapida essa vida em quilates tão efêmeros... empreguina meu olhar com uma neblina, tão profunda, de um poço sem função. deserto nenhum me agüentaria desejar todas as miragens.



Fresta

Receio de desejar de querer, de poder ter de ser manipulado (para fora) pela razão do desejo. Não quero o que não tenho o que está longe em outro lado cruzado ao atalho onde só o pensamento perturbado pode ir e enlouquecer. Por debaixo da porta encerrada entram palavras proibidas, expulsas do jardim, são frias, chatas, fulgases rápidas e doloridos; negras. mesmo sendo a satisfação inimiga do prazer aceito a desilusão que ela me traz.



O instante na estante

Entro, te obstruo os móveis enquanto te tenho, vivo enquanto me tens, preocupo-me. o sol não sai e no céu destas esquinas chove sem parar. - angústia encrustada nas estátuas do tempo deturpa as idéias e gestos torna-os pesados, fardos lentos - por quanto há de se caminhar? você me lê e não me encontra muito antes pelo contrário me troca. agora, me procura e não me vê, seria o caso de estar perto e admitir que posso acordar muito antes do relógio despertar.



Montanha

A tatuagem ainda pulsa depois de todo vento ainda há amor fluindo por veias e redes. medos e receios entopem as linhas de acesso tornando complexa a retomada do curso. uma única gota morena sobressai no lago loiro trazendo saudade do tempo que choveu do seu céu.



Dilapidado

O destino não prega peça sem estopa ainda tenho cravado nas costas o tempo de imensurável lentidão. sobre o estigma do meu ser a insuportável tristeza de amar. querer ter o ser me expõe, me trespassa me enferruja me deixa corroído por asfixia. que corpo vai lhe captar o toque que transitei-lhe? nossa rua continua sem nome.



Mistério

A fumaça levita no quarto tricoteia mensagens cegas, solidifica sonhos. olhos fechados turvam a autenticidade estática deturpa parte de mim. acordado, acaso de me perder, perdido jamais vejo o que falo. como representar a seta que me feri se não ignoro o arco que à lança? - por que me agridem? que desdita virá com o cometa?



Mulher

O poder de fazer-se desejar a condição de não ser querida. o querer a sua hora, o dever de satisfazê-la. o direito de muitos o suplicio de não tê-la. ouvir a voz e desfalecer, tentar a surdez inútil. o calor na pele, o gozo num toque. o perigo de ser devorado, precaver-se sobre o aviso: seria não se possui, ama-se, sinceramente.



Divagações repetidas divagações

( ... )
no vôo da coruja, viajo ao som do vento, transporto idéias de infância, levo longe a saudade, deslizo ...
( ... )



Abrir os olhos e deixar a luz ferir

- que horas eram quando cutelo quebrou a brisa? o futuro cai por terra o vento foge em desalinho pelo cordão telefônico o machado ainda sangra, amorosamente perdido, escondido, renegado. agora é de se esperar que a terra chupe a chuva que o sol aqueça os ânimos, que a lua, hoje misteriosamente só, cheia de segredos, cheia de acertos, faça florescer nos campos o medo de pontos, medo de referências, medo de lugares, medo de nada.



"G"

Bem no meio da noite tive um desejo alheio a vontade identificado, concreto, eu. emoções negativas retrataram meu estado de sono. o que há de se fazer com esse quarto caminho afogado escondido atrás da realidade perdida por entre lembranças? desperto, me vejo policiar-me tateando em busca de significados, diretrizes e bases trabalho a representação restrita da liberdade de si. Olhos escuros Flores, fumaça, vela. a vela que se acende a luz que se apaga viemos do escuro quente vivemos no escuro nada vamos para o escuro frio. os homens de branco que nos tiraram para viver hoje estão de preto nos colocam no leito escuro eterno. sempre voei em volta dos que foram alheio as lágrimas choro e apegos, frieza dominada, controlada vontade que inunda sem válvula de escape. - quando os meus forem, onde pousarei? nascer, morrer imagens no mesmo espelho vidro e prata vida e morte o círculo se completa e gira rumo ao sentido de tudo rumo à unidade rumo à eternidade adquirida. - tenho medo de ser imortal, aliás, tenho medo de viver. como conseguir tanto em tão pouco tempo e ainda se tornar "luz"?



Ao toque da infidelidade

Há um certo toque que transborda o rio ao ponto de gotejar em minhas mãos penetrantes pegajosas gotas que desliza ao entrar ao sair quando te bebo. que mares de saudades singar que veios escavar em que deserto procurar a ilha desse rio? que sede!!! nessa essência sacio-me esse defeito tenho sempre esse prazer que lembro. nas noites, morro desesperado, concentrado nesse toque.



Criatura

Tenho medo de lua cheia medo de desejar medo de querer medo de trair a lua cheia traída de desejo quer outra. são loiras, morenas qualquer uma na sombra da noite. uma sede, um beijo, uma relação. um fio de sangue corre do conto da boca satisfeita por fazer amor.





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