LIVROS DE G. I. GURDJIEFF

1. Relatos de Belzebu a Seu Neto

Nas primeiras leituras, este livro enorme e rigoroso intimida at� mesmo leitores acostumados a digerir textos complexos. Ele n�o entrega seus tesouros a uma an�lise prematura ou superficial, e o leitor n�o deve se deixar derrotar por sua aparentemente impenetr�vel obscuridade, nem se iludir pelo fato de o livro tomar a forma de um in�dito romance de fic��o cient�fica, pois os Relatos de Belzebu s�o na realidade o ve�culo de grandes id�ias e insights filos�ficos, religiosos e psicol�gicos. As barreiras e complexidades do livro n�o resultam jamais de mera forma liter�ria. Ele � labir�ntico por muitas raz�es: por causa do alcance, profundidade e interdisciplinariedade daquilo que Gurdjieff est� buscando; das propor��es m�ticas e os elementos �picos que atravessam sua estrutura, e porque as muitas id�ias profundas e perturbadoras que cont�m esquivam-se � compreens�o f�cil. O leitor s�rio atentar� para o aparentemente pomposo, mas realmente �Amig�vel Conselho� de Gurdjieff, de que � s� na terceira leitura completa que se come�a efetivamente a �provar e examinar a fundo sua subst�ncia.� O que Gurdjieff est� buscando n�o � nada menos do que aquilo que sua imodestamente intitulada s�rie de livros se prop�e a apresentar; ou seja, tudo e todas as coisas que realmente importam.

O t�tulo principal da primeira s�rie, Relatos de Belzebu a Seu Neto: Uma Cr�tica Objetivamente Imparcial da Vida do Homem � o centro em torno do qual gira a estrutura do livro. Viajando atrav�s do Universo na nave transespacial Karnak com seu neto Hassin, Belzebu compromete-se a promover a educa��o do menino. Hassin � um sens�vel, inteligente e perguntador menino de doze anos de idade. Durante sua prolongada viagem, Hassin questiona amplamente Belzebu acerca dos estranhos seres tric�ntricos que habitam um pequeno planeta do remoto sistema solar para o qual Belzebu foi banido em conseq��ncia de sua rebeldia juvenil. Hassin se esfor�a para compreender porque os seres tric�ntricos desse planeta �tomam o ef�mero pelo Real.� Como Belzebu existe numa faixa de tempo que se estende por milhares de anos terr�queos e foi banido para Marte por toda a eternidade, seu ex�lio lhe d� a oportunidade de observar de perto os habitantes de nosso planeta. Belzebu conta suas est�rias e usa essas observa��es da Terra feitas a partir de seu observat�rio em Marte e de seis descidas � Terra�aparentemente para instruir Hassin, mas na realidade para nos proporcionar uma cr�tica imparcial de nossas vidas.

A estrutura da trama proporciona a Gurdjieff uma plataforma �pica que � balanceada entre um cap�tulo introdut�rio de cinq�enta p�ginas intitulado �O Despertar do Pensar�, e um igualmente longo cap�tulo final intitulado �Do Autor.� Nesses extensos cap�tulos, Gurdjieff fala ao leitor com suas pr�prias palavras. Pr�ximo ao fim, Gurdjieff finalmente faz refer�ncia�� sua maneira caracter�stica, s� de passagem�� nossa reduzida capacidade de concentrar nossa �aten��o ativa� e a nossa depend�ncia do fluxo de �associa��es autom�ticas.� Ele indica que o fluxo de �associa��es autom�ticas� em n�s toma o lugar do que ele chama �pensar esseral ativo� e que a leitura atenta de seu livro pode nos ajudar a desenvolver esta fun��o latente.

No que se refere aos Relatos de Belzebu, hip�rboles reduzem-se a eufemismos. �nico em v�rios sentidos, este talvez seja o �nico livro escrito em que o autor estudou cuidadosamente a rea��o de seu p�blico de uma forma completa ao longo de mais de duas d�cadas e rescreveu-o com essas observa��es em mente. Nada neste livro, ou na rea��o do leitor a ele, � acidental. Relatos de Belzebu permanece�como Gurdjieff certamente pretendeu�o primeiro ponto de encontro para quem quer que esteja interessado em familiarizar-se com ele e com suas id�ias.

Relatos de Belzebu foi publicado pela primeira vez como Do Todo e de Todas as Coisas: Dez livros em tr�s s�ries das quais esta � a Primeira S�rie em New York pela Harcourt Brace em 1950, com 1238 p�ginas e em Londres pela Routledge & Kegan Paul em 1950 com 1238 p�ginas. A n�o ser por pequenas varia��es no t�tulo�que consistiam em reordena��es das express�es Do Todo e de Todas as Coisas, Relatos de Belzebu e Cr�tica Objetivamente Imparcial da Vida do Homem�a corre��o cont�nua de erratas e a inclus�o de dois par�grafos omitidos da 1a edi��o, o texto do livro permaneceu tal como publicado por Gurdjieff pela primeira vez em 1950. Esse texto foi desde ent�o reeditado em capa dura e como brochura pela Dutton, Routledge & Kegan e, mais recentemente, pela Penguin / Arkana em 1999, em brochura, com corre��o cumulativa de diversos erros m�nimos em edi��es anteriores. A exce��o � Relatos de Belzebu a Seu Neto: Uma Cr�tica Objetivamente Imparcial da Vida do Homem, Do Todo e de Todas as Coisas / Primeira S�rie [Edi��o Revisada] publicada em New York e Londres pela Viking Arkana em 1992 com 1135 p�ginas e lan�ada sem pref�cio editorial ou descri��o de seu prop�sito, m�todo ou fontes. Esta vers�o est� em Ingl�s contempor�neo mais acess�vel do que aquele da edi��o que o precedeu. � amplamente baseada na tradu��o francesa de 1956 e incorpora novo estudo do manuscrito original em Russo�ambos diferindo um pouco em alguns trechos do texto em ingl�s. A primeira vers�o em Portugu�s est� em fase final de revis�o, devendo ser publicada no final de 2002 pela Horus Editora.

2. Encontros com Homens Not�veis

Revisto a partir do manuscrito n�o publicado do editor de Orage, e dos manuscritos originais em Russo, a autobiografia de Gurdjieff se inicia com uma introdu��o de trinta p�ginas, na qual ele discute sobre literatura como um dos mais importantes meios para o desenvolvimento da mente, �que � o principal estimulador do aperfei�oamento de si� e lamenta a degrada��o da literatura contempor�nea em rela��o a esse prop�sito. Ele confessa ao leitor que havia se tornado �h�bil na arte de ocultar pensamentos s�rios em uma forma exterior sedutora e de f�cil apreens�o�. Os dez cap�tulos que se seguem s�o, na superf�cie, dedicados a descrever a fam�lia de Gurdjieff, seus professores de escola, amigos e companheiros que compartilharam sua busca do conhecimento e da compreens�o. Subjacente � forma exterior da atraente narrativa pessoal de Gurdjieff�da qual poucos detalhes podem ser verificados hoje, mais de cem anos depois�� a est�ria de sua busca decidida pela sabedoria psico-espiritual tradicional, que poderia levar ao conhecimento baseado no desenvolvimento do ser e ao �material necess�rio a uma nova cria��o.� O cap�tulo final n�o numerado � um adendo que cont�m a extensa narrativa chamada �A Quest�o Material�, na qual Gurdjieff responde com franqueza � pergunta sobre como suas extensas buscas e o Instituto que ele dirigia eram financiados. Em sua resposta, ele descreve a ingenuidade, versatilidade e o cont�nuo esp�rito de iniciativa que ele teve de p�r em pr�tica, bem como o consider�vel �nus financeiro necess�rio para atingir seus objetivos. Encontros com Homens Not�veis foi publicado pela primeira vez em New York pela Dutton em 1963 com 303 p�ginas, e em Londres pela Routledge & Kegan Paul em 1963 com 303 p�ginas. O texto foi relan�ado v�rias vezes em brochura, e mais recentemente em Londres e New York pela Penguin Arkana em 1985. A primeira vers�o em Portugu�s foi publicada no Brasil em 1980 pela Editora Pensamento.

3. A Vida S� � Real Quando �Eu Sou�

Um trabalho fragmentado que cont�m a maior parte das pondera��es �ntimas de Gurdjieff em Do Todo e de Todas as Coisas. Consiste em um pr�logo e introdu��o que toma quase metade do livro, seguido por cinco breves confer�ncias. O cap�tulo final intitulado �O Mundo Interior e Exterior do Homem� � interrompido subitamente no meio de uma frase e �, segundo John G. Bennett�um dos testamenteiros liter�rios de Gurdjieff�a �ltima coisa que Gurdjieff escreveu. Baseado no material autobiogr�fico de suas d�cadas de busca, bem como de seu trabalho com grupos na Europa e em especial nos Estados Unidos, com seu aluno e amigo, A. R. Orage, Gurdjieff adverte sobre pr�ticas, lutas e o intenso sofrimento necess�rios para se chegar a uma representa��o �do mundo que existe na realidade.� A Vida S� � Real Quando �Eu Sou� saiu pela primeira vez em 1975 em New York pela Triangle Editions, numa edi��o privada com 170 p�ginas com pref�cio de Jeanne de Salzmann e nota introdut�ria de Valentin Anastasieff. A 2a Edi��o, que inclui dez p�ginas adicionais da edi��o francesa de 1976, saiu pela primeira vez em 1978, numa edi��o privada publicada em New York pela Triangle Editions com 177 p�ginas. Foi relan�ada pela Routledge & Kegan Paul em 1981, pela Dutton em 1982, e, mais recentemente, em brochura pela Penguin Arkana em 1991. A primeira vers�o em Portugu�s foi publicada no Brasil em 2000 pela Horus Editora.

Os Escritos de Gurdjieff: Complemento

Gurdjieff Fala a Seus Alunos. Primeiras Confer�ncias em Moscou, Essentuki, T�flis, Berlim, Londres, Paris, New York e Chicago Compiladas por Seus Alunos. Pref�cio de Jeanne de Salzmann. New York: Dutton, 1973, 284 p�ginas; Londres: Routledge & Kegan Paul, 1973, 284 p�ginas; Vers�o Abreviada com Nova Introdu��o, New York: Dutton, 1975, 276 p�ginas; Londres: Routledge & Kegan Paul, 1976, 276 p�ginas, Londres and New York: Arkana, 1984, 276 p�ginas. A primeira vers�o em Portugu�s foi publicada no Brasil em 1987 pela Editora Pensamento. Notas sobre quarenta (trinta e nove na edi��o em brochura) confer�ncias que Gurdjieff deu entre 1914 e 1930. A introdu��o � edi��o em brochura indica que �As Confer�ncias foram comparadas e reordenadas com a ajuda de Madame de Hartmann, que desde 1917 em Essentuki esteve presente a esses encontros e p�de assim garantir sua autenticidade.� Essas notas proporcionam um registro vital do enfoque fluido e �exigente de uma busca� inerente � tradi��o oral da qual Gurdjieff emergiu e � qual deu continuidade. Elas complementam seus escritos e proporcionam um vislumbre de um ensinamento que � para ser praticado, e n�o apenas apreendido como informa��o. Ele tamb�m cont�m o artigo �Vislumbres da Verdade��relato de uma conversa com Gurdjieff que Ouspensky leu pela primeira vez em 1915 e citou em seu Fragmentos de Um Ensinamento Desconhecido.
Fragmentos de Um Ensinamento Desconhecido. Por P. D. Ouspensky. New York: Harcourt Brace; 1949, 399 p�ginas, �ndice; Londres: Routledge & Kegan Paul, 1950, 399 p�ginas, �ndice; foi relan�ado em brochura v�rias vezes. Este registro preciso e v�vido das Confer�ncias de Gurdjieff em Moscou, S�o Petersburgo e Essentuki entre 1915 e 1918 foi feito por P. D. Ouspensky em 1925 com a aprova��o de Gurdjieff. O manuscrito mais antigo data de 1925, mas Ouspensky continuou a trabalhar nele at� a d�cada de trinta, quando o leu para seus grupos. Por decis�o sua, permaneceu fora do prelo at� sua morte em 1947, talvez porque ele tenha se recusado a permitir a publica��o de qualquer informa��o sobre �o sistema� durante sua vida. O manuscrito praticamente completo foi levado � aten��o de Gurdjieff por Madame Ouspensky, e, com seu est�mulo, publicado no outono de 1949. Embora cubra um terreno semelhante em seus trechos, sua leitura e estrutura de di�logos apresentam um dr�stico contraste com o �pico mitol�gico de Gurdjieff nos Relatos de Belzebu. A primeira vers�o em Portugu�s foi publicada no Brasil em 1983 pela Editora Pensamento.

Adapta��o Para o Cinema

Encontros com Homens Not�veis: filme dirigido por Peter Brook [e Jeanne de Salzmann]. New York: Remar Productions, 1979, [1 h. 50 min.]; Grava��o em v�deo (VHS) com a variante no subt�tulo: A Busca de Gurdjieff Pelo Conhecimento Oculto. New York: Sociedade Para o Estudo do Mito e da Tradi��o, 1997, Parabola Video Release. Filmado com a colabora��o pr�xima de Jeanne de Salzmann, o filme sintetiza a est�ria contada na autobiografia de Gurdjieff, da busca de sua juventude atrav�s do Oriente M�dio por um contato com as tradi��es antigas da sabedoria e uma compreens�o precisa do prop�sito da vida humana. O filme termina com uma demonstra��o arrebatadora dos Movimentos de Gurdjieff�a �nica demonstra��o dispon�vel para o p�blico.


Esta sinopse foi extra�da do livro do autor intitulado Gurdjieff: a Reading Guide and Interim Bibliography (Gurdjieff: Guia de Leitura e Bibliografia Transit�ria) que descreve escritos de Gurdjieff e cerca de oitenta livros-chave escritos sobre ele. Tradu��o para o Portugu�s: por Sociedade para o Estudo e Pesquisa do Homem�Instituto Gurdjieff, Rio de Janeiro, Brasil. Em 13 de Novembro de 2001. Fonte: http://www.gurdjieff.org




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