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Site de discípulos em Salvador-Ba |
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A Igreja de Jesus
(Jamê Nobre)
A igreja de Deus. Tema maravilhoso e temeroso.
Maravilhoso, pois falar da Igreja é falar da Noiva do Cordeiro.
Temeroso, pois Paulo diz que isso é um mistério. E falar de mistério é algo que quem fala deve ser muito ousado, para tocar em algo escondido de muitos.
A igreja é um sonho que nasceu na mente de Deus e que vai ser realidade tanto mais por causa do alto preço que Ele pagou para isso.
Quero compartilhar o sonho de Deus para Sua Igreja. Eu sonho e me angustio na expectativa de ver a igreja sonhada pelo Senhor em sua plenitude.
A ceia aponta para isso, pois fala de um preço (terrivelmente alto) que Jesus pagou - fazei em memória de mim. Fala de uma vida de comunhão viva na qual flui o sangue/Espírito de Deus entre os santos - esperai uns pelos outros - examine-se. E fala do dia em que vamos nos encontrar com ele para as bodas - até que eu venha.
Naquele dia a igreja vai ser o que está no coração do Senhor.
Na minha extremamente pequena compreensão, eu vejo nos próximos anos o Senhor produzindo uma tão grande alteração e transformação na igreja que aquilo que hoje conhecemos como igreja nos fará se não estivermos como os magos, como Ana e Simeão, na expectativa da vinda do Senhor, poderemos reagir como os fariseus que estudavam a respeito da vinda do Messias, mas quando ele veio não o receberam.
O problema é que a igreja é um mistério, e mistério não se explica nem se entende com a mente natural.
Vamos chorar juntos pela manifestação dos filhos de Deus; vamos permitir que haja em nós dois sentimentos antagônicos - a angustia de ver o que os homens (nós) fizemos com a noiva do Cordeiro (sofisticamos, tornamo-la numa empresa sem cara de família, trouxemos o humanismo para dentro dela - por isso o Senhor nos convida a sair de dentro da Babilônia). Mas também o sentimento de um gozo indizível de saber que, pelo poder do Espírito Santo, aquele que disse que vai edificar sua Igreja o fará, e ninguém impedirá.
Vamos ver uma igreja gloriosa, indescritível. João tentou descrever e usou materiais naturais como ouro, jaspe, pedras preciosas, pérola, mas não conseguiu refletir o que vai ser.
Nada nesse mundo pode mostrar a beleza da igreja e a glória do Cordeiro manifestada nela. Olhos ainda não viram; não subiu ao coração do homem o que Deus está preparando para os seus.
Como a Igreja é um mistério, a compreensão desse mistério somente será possível se quem criou o mistério decifrá-lo.
Paulo fala que aquele que come sem discernir, come e bebe juízo sobre si.
Discernir significa avistar, ter visão, compreender, entender, mas, no caso em questão a palavra não se refere a uma constatação natural ou intelectual. Esse discernimento está relacionado com algo a que Paulo se refere como mistério. E ele diz que isso foi revelado a ele por revelação do Senhor.
Se ele compreendeu por revelação do Espírito Santo, desse mesmo Espírito dependemos para compreender (discernir) a igreja.
Ela é algo que não se explica pela razão.
Os magos conheciam algo das escrituras e esperavam que o Messias viesse da forma que fosse. Não determinaram por interpretação, mas estavam abertos, inclusive por sua característica mística. O Messias, o Rei, era o seu anseio.
Os fariseus esperavam um Messias que se encaixasse naquilo que eles sabiam pela sua interpretação natural.
A igreja também não vem com visível aparência. Nós não a encontramos nos grandes palácios metida com o poder deste século. O seu lugar será ao lado do Rei, e adornada com o ouro de Ofir, mas agora ela é modesta e humilde como foi seu mestre e criador.
Ela carrega a mesma essência de profunda humilhação encontrada naquele de cujo lado ferido ela veio.
O seu Senhor viveu em profunda pobreza e desprezo. Não se pode querer para ela uma outra situação.
Por isso que ela não é visível para aqueles que a procuram em grande pompa. Ela não tem parte com os grandes deste século; nós a encontramos na vida daqueles que se despojaram de tudo para viver a vida de Cristo. Quem a discerne?
Somente aqueles que a vêem através daquele que se fez pobre e desprezado.
Quando alguém vê Jesus, encontra a Igreja, e por outro lado, quando mais se vê da Igreja, mais se vê de Jesus, pois ela é o complemento daquele que enche tudo (Ef 1:22 - que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos).
Da mesma forma que Jesus é a expressão exata de Deus a Igreja deve refletir a natureza do Filho aqui na terra.
Dessa maneira ela não pode aparecer diferente daquilo que Jesus foi. Ele teve um propósito para se manifestar como se manifestou.
Qual é o propósito da igreja com sua aparência atual? O que manifesta a aparência, a organização, a forma de ser da Igreja atual?
A igreja precisa voltar ao que Deus planejou para ela para que o povo que a compõe possa ser aquilo que Deus quer.
Um povo modesto e humilde que teme o nome do Senhor e que manifeste a glória de Deus em seus atos, seus relacionamentos e nas suas celebrações.
De uma maneira geral:
Até quando?
Atrevo-me a responder que será até o tempo em que nos dispusermos à restauração das verdades de Deus.
Até que a igreja volte a perseverar na doutrina dos apóstolos e na comunhão; no repartir do pão e na oração.
Hoje falta aos ‘apóstolos’ a doutrina de Cristo.
Falta comunhão na vida dos santos.
Falta o repartir do pão para uma igreja faminta.
Falta oração a um povo que depende de Deus e, aparentemente, não sabe disso.
O Senhor vai levantar seus apóstolos e profetas. Não em termos de títulos, mas em forma de homens que são da igreja, sem que a igreja seja deles.
Homens que se considerem a escória do mundo e rejeitem o tratamento VIP.
Que tenham a angústia das dores de parto até ver Cristo formado na Igreja.
Que desejem de todo coração desaparecerem para que Jesus, o Único Digno, apareça.
O surgimento de tais homens cheios da vida de Cristo, vai produzir uma igreja temente, amorosa, alegre, justa e que reparte o pão com singeleza de coração.
Uma igreja que reparte a vida e os bens.
Um povo que tem aparência de humildade e é humilde. Que busca ao Senhor e espera Nele. Que aceita a disciplina do Senhor e se alegra com a correção.
Que não admite a corrupção, nem se enreda com as coisas desta vida.
Um povo cuja política é não se envolver com a política dos homens, mas se envolve com os homens carentes.
A Igreja de Jesus, a ser levantada nos últimos tempos, será uma igreja profética no sentido de que vai ver o invisível e andar nos lugares altos.
Profética não somente no sentido escatológico, mas em termos de manifestar a vontade de Deus através de anúncio da Verdade e denúncia do erro e do pecado. Uma Igreja que conhecerá tempos e épocas.
Vai ser apostólica porque vai voltar para os fundamentos estabelecidos pelos homens da Bíblia, em nome de Jesus, e que andaram no poder do Espírito Santo.
Na sua apostolicidade vai ser universal porque vai ver a totalidade daquilo que o Senhor faz e não um segmento ou parte.
Ela não será, por isso, denominacional.
A igreja de Jesus manifestará o caráter de Jesus em sua humildade e mansidão e abominará títulos e posições, coisas a que os povos do mundo se aferram e valorizam.
A Igreja vai manifestar, através do relacionamento entre seus membros, o amor de Jesus na forma de cuidado e submissão mútuos. Isso vai produzir um impacto mais forte do que os muitos impactos nos escândalos e pecados que ela tem cometido no decorrer dos anos.
Uma característica marcante da Igreja vai ser a atitude do samaritano, que cuidou do caído sem esperar reconhecimento, nem recompensa, nem galardão.
A igreja vai manifestar o mesmo Espírito de Cristo que morreu por seus inimigos.
Essa igreja vai celebrar a vida de Jesus na sua plenitude por que vai conhecê-lo em plenitude. Vai viver no poder do evangelho, que é salvação para todo aquele que crer, por que vai ser salva do mundo e de suas mazelas.
Vai celebrar a vida de Jesus brotando de cada discípulo.
Utopia? Não! Profecia.
Idealismo! Não! Convicção.
Otimismo? Não! Realismo.
Esperança humana? Não! Fé na promessa.
Tudo isso é o que Deus está querendo fazer e vai se manifestar na vida do povo de Deus, a esposa do Cordeiro.
Essa é a promessa que o Senhor fez a nós, os que cremos.
Quando celebramos a ceia do Senhor anunciamos a realidade da morte vicária de Jesus, trazemos esperança à situação atual e anunciamos a igreja gloriosa assentada à mesa com o Rei dos Reis, bebendo o vinho novo no Reino de Deus.
Jamê.
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