Eu ligo o radio e de repente eu me sinto em Nova Iorque e
aquele sonho de ser gente desacelerou, não teve torque.
Me dá um medo aquilo tudo que não entendo, night and day juro que andei, sei
que não say quase mais nada e aquela coisa de país de pátria ou jaula ficou
na sala de aula.
Eu boto um disco pra tocar, eu tô inteiro, tão sensível que me dói não ter
dinheiro, pilotando o tempo porque a vida não tem timoneiro.
Perdi o rumo, o prumo, o fumo no cinzeiro, mas tenho esperança, chicle e um
pandeiro, provocando eu solto tudo no banheiro.
Sou perfeitamente normal, apesar de brasileiro, exatamente igual a qualquer
estrangeiro, a diferença é que pago em cruzeiro.
Eu ligo o radio e de repente dá um branco. Eu sou soul, sou sol, sou
saltimbanco.
Assalto um banco de dados pra ter identidade ou um retrato de entidade,
santidade, ó castidade...
O sonho do porvir está por vir ainda que tarde. Decidi que estou cansado de
ceder a minha parte.