A HISTÓRIA

Desenhos animados já não são o bastante para as crianças do ano 2000. Prova disso são as inovações que a indústria cinematográfica vem sofrendo desde meados da década de 90. Foi-se o tempo em que O Rei Leão, O Príncipe do Egito ou Anastácia impressionavam pelo realismo e pela emoção. Toy Story, A Fuga das Galinhas, Shrek e o mais recente, Final Fantasy e seus incríveis efeitos computadorizados, só têm contribuído para que o público infanto-juvenil se torne cada vez mais exigente quanto às produções originalmente destinadas a sua faixa etária.


No entanto, é impossível não ressaltar o papel dos roteiros por trás destas produções fantásticas. O que antes era para entreter crianças, agora se tornou elemento ambíguo: pais e filhos não viram o ogro feio da DreamWorks da mesma forma, assim como não verão este mais novo trabalho da Disney, Monstros S.A..


Divertido, inteligente e bem feito são adjetivos pobres para descrever a história de Mike Wazowski (voz original de Billy Crystal), um monstrinho gorducho e verde de apenas um olho, e seu amigo fiel, James P. Sullivan (voz original de John Goodman), uma estrela da Monstrolândia, o mundo paralelo no qual se passa a história. Logo no começo, somos apresentados a este mundo que tem como maior fonte de energia o grito de crianças humanas. E para que a energia nunca falte, uma fábrica funciona em vários turnos diários com seus empregados assustando o sono de várias crianças pelo mundo todo. Apesar da pequena competição não-declarada entre Sullivan e Randall Boggs (um monstro cafajeste) para ver quem consegue mais energia para a fábrica, tudo corria bem, exceto pelo racionamento na cidade, uma sacada genial do filme. Como as crianças de hoje em dia já não se assustam com qualquer coisa, os gritos estão diminuindo e, conseqüentemente, o racionamento de energia começa. Então, o grande acontecimento do filme surge: uma criança consegue entrar no mundo dos monstros e fica presa. Mesmo sob os cuidados de Mike e Sullivan, Boo (como a menina é apelidada) representa uma ameaça à Monstrolândia e tem que ser devolvida.


Se a função dos monstros é assustar as crianças, como Boo consegue se afeiçoar à dupla de monstrinhos, principalmente ao grandão Sullivan? É partindo deste dilema que a história ganha um caráter humanista e que os pais não a enxergarão com os mesmos olhos dos filhos. O lado bom e o mau existem, mas as questões dizem mais respeito a preconceito e caráter do que a qualquer briguinha entre monstros. O filme faz uma inversão de papéis (homens x monstros) nos diálogos das personagens, no comportamento da criança e na lição de dignidade que passa, sem ser moralista ou falso politicamente correto. A história consegue, mais uma vez, ser destinada a crianças e adultos sem deixar um ou outro desapontado ou considerando-a alguma coisa banal.


E se você é daqueles que se levanta logo que as luzes do cinema se acendem, continue sentado na cadeira desta vez. Monstros S.A. não acaba quando sobem os créditos. O melhor do filme, ao menos para os adultos, vem no final: os erros de gravação. Os produtores foram brilhantes na tarefa de personificar os monstros e acabar o filme como a maioria das comédias. Os erros de gravação neste filme de animação, além de ser trabalho a mais, roubam a cena pela graça e inteligência das sacadas.


Por tudo isso e pela interpretação que cada um tem da película, Monstros S.A. é altamente recomendável. Nem que seja só para você se deliciar com nossas porções mais "monstruosas".


Hosted by www.Geocities.ws

1