| Di�rio Virtual da Re |
| A �ltima Carta por Ailin Aleixo |
| " Fulano , A inten��o era mago�-lo . E eu nem ousarei pedir desculpas porque , al�m de n�o querer , elas soariam rid�culas e ainda mais ofensivas do que minhas a��es suspostamente infantis . Voc� mereceu . Essa � a verdade . Existe um momento em que tudo de agrad�vel que fizemos um ao outro desaparece e , em seu lugar , surge um ressentimento aniquilador que traga o passado distante e s� mant�m vivas aquelas cenas finais . Tudo j� passou , � certo . Mas , assim como uma farta refei��o mexicana , demorar� para ser digerido . E enquanto o processo se completa , sua imagem vir� a minha mente como o gosto azedo da guacamole subindo pela garganta , totalmente indigesta . Seria lindo dizer "Espero que voc� seja feliz" , mas n�o sei se � isso que eu quero ou se � arrependimento seguido de um indisfar��vel rastejar . Nunca omiti que o altru�smo n�o era uma das minhas qualidades . Ao contr�rio de voc� , confesso meu erro em prometer sinceridade constante e n�o cumprir . Escondi minha raiva pelas suas derrapadas , falta de argumentos , omiss�es eventuais e ent�o perenes . N�o disse o que me aborrecia com medo de desandar as coisas entre n�s , sem notar que j� n�o existia o "entre n�s" , s� entre mim e algu�m que saiu e esqueceu de apagar a luz para deixar evidente o abandono do recinto . Antes que eu me esque�a , a maior vit�ria disso tudo n�o foi tritur�-lo . Foi descobrir que n�o me basta viver ao lado de algu�m emocionalmente surdo e cego , nutrindo-me de expectativas malogradas. Como li em algum lugar , "Eu n�o chorei por voc� . Chorei por uma id�ia que fracassava . Por uma id�ia que , num minuto , me pareceu ter futuro" . Mas odeio persistir nos meus erros. Se te neguei a realiza��o de uma promessa , agora fa�o valer . E me esqueci de entregar esse bilhete a voc� no �ltimo dia em que nos vimos , mas n�o poderia deixar de entreg�-lo para sempre : " Uma das sensa��es mais prazerosas da exist�ncia , � ver chorando algu�m que nos fez sofrer . Quanto maior foi o amor , tanto maior ser� a alegria m�rbida de observar o outro a debater-se com sua tristeza , como um peixe pendurado pelo rabo para fora do aqu�rio e bem perto da �gua . Parei de ignorar ou fingir que meu sadismo n�o existe - todos somos maus quando temos oportunidade ( e quanto menos temerosa do pecado for a nossa forma��o) . N�o � porque um espasmo de satisfa��o percorre o meu corpo perante as suas l�grimas que me torno desprez�vel - esse espasmo ocorre t�o naturalmente quanto um largo sorriso quando observo a vit�ria de algu�m que amo . Minha m�o sempre pronta a te ajudar , foi rejeitada como um velho peda�o de p�o . Agora , d� tapinhas nas suas costas . E bate palmas para um espet�culo t�o constrangedor e divertido . Certamente voc� n�o � t�o ruim . � s� algu�m que pisou na bola , e isso acontece com todos n�s - mas nenhum de "todos n�s" dividia a vida comigo . N�o importa se tenho raz�o ou se meus motivos s�o ou n�o fortes o suficiente para dizer o que digo . Aprendi algo importante desde que nos separamos : fome a dor n�o se medem - cada um tem o seu limite . E eu passei muito tempo com o meu a beira do insuport�vel ( por burrice minha , � �bvio) Se eu te desprezo tanto assim , por que perdi meu tempo escrevendo essa carta ? Porque sei que ela conseguir� algo que eu j� n�o conseguia e que me massacrava - surtir algum efeito em voc� !" Ailin" |