Textos de Paulo Roberto Lopes
no "Diário Popular" (anos 80)

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8 de maio de 1986
Secos & Molhados
Paulo Roberto Lopes
Vestuário na mira do governo

Apesar de as roupas de inverno não pesarem tanto no índice do custo de vida levantado pelo IBGE, em relação ao mesmo item no índice da Fipe, o governo está atento para os seus preços por causa de reajustes nos últimos dois meses acima das expectativas.

Como não dá para tabelar todos os preços dos vestuários, o governo, para desestimular os reajustes, considerou, inicialmente, a possibilidade de liberar a importação de produtos similares. A importação, no entanto, não foi adiante porque empresários conseguiram convencer o governo de que haveria demissões no setor. O setor de confecções é um dos maiores empregadores do país.

Ainda assim, alguma coisa tem de ser feita contra a alta dos preços. Principalmente agora que, por parte de fabricantes de matérias primas do setor, há denúncias de que os lojistas  têm praticados valores abusivos, aproveitando-se do fato de que eles, pelos vestuários, estão pagando preços deflacionados.

Ontem mesmo, o presidente da fabricante de tecidos Companhia Indústria Rio Guayba, Wolf Gruenberg, informou que as lojas operam com margens de lucro acima de 100%. “Essas margens seriam válidas na época de inflação galopante, mas agora elas não se justificam.”

Ele citou um exemplo: uma blusa de acrílico de 300 gramas, que deveria custar Cz$ 250,00, no máximo, está sendo vendida acima de Cz$ 700,00.

Dentro do custo de vida, o item mais importante é o de alimentação, cujos preços têm se apresentado de acordo com as expectativas do governo. No cálculo do índice inflacionário, os vestuários são um item secundário, porque, diferentemente da alimentação, não é todo dia que o consumidor precisa de roupa nova.

Alta dos preços

O presidente do Sindicato do Comércio Atacadista  de Tecidos de São Paulo, Mírcio da Cunha Rego Miranda, discorda das críticas segundo as quais os responsáveis pela alta dos preços são os empresários.  Para ele, os reajustes têm a ver com a excessiva emissão de moedas.

 “Querem [o governo] comparar um bode com um boi.”

Itaú tem um ano “frutuoso”

Em 1985, o patrimônio líquido consolidado do Banco Itaú foi de Cr$ 6,5 trilhões, revela relatório anual das instituições financeiras do banco. Acrescenta: “O lucro líquido da instituição chegou a Cr$ 1,4 trilhão, o que representa uma evolução de 33,3%, considerando o resultado apurado em 1984”.

Mensagem do presidente e diretor geral da instituição, José Carlos Moraes Abreu, abre o relatório. A primeira frase é: “O ano de 1985 foi especialmente frutuoso para o Itaú”.        

O patrimônio líquido teve expansão real (descontada a inflação) de 14,8%; as receitas cresceram 18,8%; ativos totais, 19,5%; financiamentos, 11,4%; recursos captados, 26%; depósitos a vista em contas correntes, 43,1%; depósitos em contas de poupança, 17,7%; e depósitos  a prazo, 40,9%.

O presidente do banco afirma que houve aumento de 15% no número de funcionários, indo a 87.436. O Itaú é o terceiro maior empregador do país.

Constituinte

No relatório anual do Itaú, o presidente da instituição, José Carlos Moraes Abreu, menciona a Assembléia Constituinte, que tratará, entre outros itens, “das primeiras definições quanto ao papel reservado à iniciativa privada no sistema econômico brasileiro”.

Abreu espera que a sociedade tome “consciência da necessidade de se assegurar no mercado financeiro espaço para o setor privado, impedindo o avanço da estatização e com ela o risco de coletivização de toda a economia”.

Montoro

O governador Franco Montoro recebeu ontem delegação do Ministério das Relações Exteriores do Canadá, chefiada por Michal Bel da Divisão dos Assuntos da América Latina e Caribe.

A delegação segue para Brasília, onde permanecerá por três dias.

Deflação

Inflação abaixo de zero não só ocorre no Brasil. A UPI noticia que na Alemanha Ocidental os preços ao consumidor caíram 0,2% em abril, em relação ao mesmo mês do ano passado. A última vez que houve, lá, deflação foi há 27 anos.

A queda do dólar e a do preço de petróleo foram as principais causas da queda dos preços na Alemanha Ocidental. Não foi preciso um plano de estabilização econômica.

Petróleo

Se depender do ministro João Sayad, do Planejamento, a queda do preço do petróleo não será repassada ao consumidor brasileiro nem agora nem nunca.

Sayad afirma que a queda é temporária e que, portanto, nada adiantaria reduzir agora o preço da gasolina para ter de elevá-lo em seguida.

BNDES

O economista Rômulo Almeida, diretor da área industrial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi indicado pelo ministro João Sayad, do Planejamento, para presidir a instituição, em substituição a André Franco Montoro.

Patentes

O ministro Sayad garante que não há estudo para a extinção da carta patente aos grupos interessados em atuarem no setor financeiro. Informa que, em todo o mundo, não há sequer uma exceção onde exista a carta patente.

Recentemente, o economista Luis Gonzaga Belluzzo, assessor especial do Ministério da Fazenda, sugeriu a extinção da carta patente.

Delfim

O ex-ministro Delfim Netto, do Planejamento, acredita que o governo terá dificuldade para controlar os gastos das estatais. Com a impostação de quem conhece bem o problema, afirma que as estatais têm mais força política do que o governo.

Empresas & Negócios

-- A Varig completou ontem 59 anos de existência. Fundada em Porto Alegre, a empresa tem seu controle acionário exercido pelos próprios funcionários desde 1945, por intermédio da Fundação Ruben Berta. Entre as empresas aéreas do mundo, ocupa o 14º lugar.

-- Até o dia 10, a Coca-Cola comemora seu centésimo aniversário, em Atlanta (Geórgia), Estados Unidos. Participam das festividades mais de 14 mil fabricantes do mundo.

-- Fernando Gomes Carmona assumiu a diretoria de Recursos Humanos da Vasp. Ele substitui Ricardo Arinai, agora diretor de Recursos Humanos da Sid-Informática, do Grupo Machline.

-- A Prever Previdência Privada S/A cresceu 180% reais no ano passado. O lucro líquido foi de Cz$ 16.943 milhões. A empresa é constituída pela associação de três bancos: Bamerindus, Nacional e Unibanco.

-- A Kadron, fabricante de sistemas de escapamento, investirá US$ 2 milhões nos próximos dois anos na ampliação de sua fábrica de Amparo.

-- O primeiro EM-120 Brasília, de uma encomenda de dez, já foi entregue à Air Midwest, sediada em Wichita, Kansas, nos Estados Unidos.

-- Tomou posse ontem a diretoria para o triênio 86/89 do Sindicato da Indústria de Instalações Elétricas, Gás, Hidráulicas e Sanitárias de São Paulo – Sindinstal. O presidente é Nelson Mesquita.

-- A Fritz Dobbert vai expor os modelos de seus pianos na III Amostra de Brinquedos e Instrumentos Musicais (Abrim), que começa no próximo dia 13 e irá até 17, no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera.

-- A Volvo está recuperando a história da presença de sua marca no país, começando por 1934, quando os primeiros caminhões da empresa, fabricados na Suécia, aqui chegaram.

 

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