Sobre o Dipo
- Observatório da Imprensa - 26/09/2001
DIÁRIO
POPULAR (1884 – 2001)
DIÁRIO DE S.PAULO (2001 – ?)
Morte sem necrológio,
nascimento sem batismo
Alberto Dines
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Acabou a solenidade, jornal virou produto. O
marketing é que manda, jornalista não apita. Neste ambiente de
supermercado, mata-se um jornal com a mesma frieza com que se muda a
embalagem do biscoito.
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O Grupo Globo afinal entrou de corpo inteiro
no mercado paulista. A parceria com o Grupo Folha no Valor, iniciada
há quase dois anos, converteu-se numa sucessão de amuos, arrufos e mágoas.
Tudo indica um divórcio.
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Apesar das diferenças, os Marinho
comportaram-se na festiva incursão pela Paulicéia exatamente como os Frias
quando liquidaram, em abril de 1999, dois jornais tradicionais – Folha
da Tarde e Notícias Populares – para entrar no ramo das
panelas e promoções, com o Agora.
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O Diário Popular foi enterrado como
indigente, não merecia: sem necrológio, coroa de flores ou lápide. O Diário
de S.Paulo renasceu sem loas. O pesquisador do futuro sequer conhecerá
sua história e, se tentar estabelecer a biografia, descobrirá que foi
encontrado na roda dos enjeitados. Ou é um clone, experiência genética,
brincadeira de laboratório.
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Matam-se jornais e inventam-se outros sem a
menor cerimônia. Houve tempos em que jornalismo fazia-se com emoção e
pompa. Era disso que o leitor precisava para enobrecer aquele precário maço
de papel e distingui-lo de outros que se vende a peso. Hoje, o Jornal do
Brasil troca de diretor e o leitor nem é apresentado ao substituto.
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Nesta era dos descartáveis sumiu a
auto-estima. Com ela vai também a estima dos outros. Coisas da vida.
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O mercado dá um jeito.
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