Textos de Paulo Roberto Lopes
no "Diário Popular" (anos 80)

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Que Fique Bem Claro
19 de julho de 1983
Abastecimento de remédios

Há uma impressão generalizada de que somente as empresas multinacionais investem em pesquisa. Não é bem assim, pelo menos no setor farmacêutico.

Em entrevista a este jornal, publicada no domingo último na página "Olho no Olho", o presidente da Central de Medicamentos, João Felício Scardua, contou uma história ilustrativa. Transcrevo parte da entrevista.

"O Instituto Pinheiro era tradicional aqui em São Paulo em pesquisa e credibilidade. Em determinado momento, foi vendido para a multinacional chamada Sintex, e os novos donos destativaram todo trabalho de existia de pesquisa, a seriedade, e ficaram com o mercado. O resultado é que a Sintex vende hoje um produto de péssima qualidade para a população."

Pois bem. Para refrescar a memória do leitor, a Sintex é a empresa que até há pouco tempo vendia vacina triplice falsa, sem poder imonológico. Tenho certeza de que o saudoso Instituo Pinheiro jamais seria capaz disso.

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Na entrevista do Scardua, ficou subentendido que o Brasil pode ter problemas no abastecimento de remédios, caso se agrave a questão das contas externas. Por um simples motivo: o país não é autosuficiente em matérias-primas de remédios.

Até já há resistência por parte de pelo menos um fornecedor. 

João Felício Scardua contou que, quando houve recentemente a necessidade de se importar cerca de 5 milhões de vacinas aratox-tetânica, a empresa fornecedora pediu "garantias reais de que o Brasil iria poder pagar".

"A gente deu uma resposta à altura, e a empresa então assumiu o compromisso de entregar a vacina", informou Scardua.

Sem mais comentários.  

Paulo Lopes

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