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Que Fique Bem Claro
19 de julho de 1983
Abastecimento de remédios
Há uma impressão generalizada de
que somente as empresas multinacionais investem em pesquisa. Não é bem assim,
pelo menos no setor farmacêutico.
Em entrevista a este jornal, publicada no domingo último na página "Olho
no Olho", o presidente da Central de Medicamentos, João Felício Scardua,
contou uma história ilustrativa. Transcrevo parte da entrevista.
"O Instituto Pinheiro era tradicional aqui em São Paulo em pesquisa e
credibilidade. Em determinado momento, foi vendido para a multinacional chamada
Sintex, e os novos donos destativaram todo trabalho de existia de pesquisa, a
seriedade, e ficaram com o mercado. O resultado é que a Sintex vende hoje um
produto de péssima qualidade para a população."
Pois bem. Para refrescar a memória do leitor, a Sintex é a empresa que até
há pouco tempo vendia vacina triplice falsa, sem poder imonológico. Tenho
certeza de que o saudoso Instituo Pinheiro jamais seria capaz disso.
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Na entrevista do Scardua, ficou subentendido que o Brasil pode ter problemas no
abastecimento de remédios, caso se agrave a questão das contas externas. Por
um simples motivo: o país não é autosuficiente em matérias-primas de
remédios.
Até já há resistência por parte de pelo menos um fornecedor.
João Felício Scardua contou que, quando houve recentemente a necessidade de se
importar cerca de 5 milhões de vacinas aratox-tetânica, a empresa fornecedora
pediu "garantias reais de que o Brasil iria poder pagar".
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"A gente deu uma resposta à
altura, e a empresa então assumiu o compromisso de entregar a vacina",
informou Scardua.
Sem mais comentários.
Paulo Lopes
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