Textos de Paulo Roberto Lopes
no "Diário Popular" (anos 80)

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Que Fique Bem Claro
27 de maio de 1983
Figueiredo em São Paulo

No almoço que o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis de São Paulo (Secovi) ofereceu ontem em São Paulo ao presidente Figueiredo, os principais pratos foram dois: a crise econômica e a sucessão presidencial.

Os empresários, claro, preferiram a crise econômica, sobre a qual conversaram entre um e outro gole de bom vinho.

Pelo que ouvi, ninguém responsabilizou Figueiredo pelo que está ocorrendo. Já com relação ao ministro Delfim...

Um empresário mais descontraído --o vinho, repito, era bom-- comentou numa rodinha de colegas: "Estou aqui porque, caso o presidente anuncie que o Brasil vai pedir moratória, quer ser um dos primeiros a saber".

Mas Figueiredo não falou em moratória. O referido empresário deve ter ficado frustrado.

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O ex-governador  e deputado Paulo Maluf apareceu ao Clube Paineiras do Morumbi, local do almoço, após a chegada de Figueiredo, quanto junto com Carlos Átila, porta-voz da Presidência da República.

Maluf não perdeu a ocasião. Aos jornalistas pediu uma salva de palmas a Átila, porque era o dia do aniversário dele. Surpreso, o porta-voz riu. E não houve palmas.

Maluf: "Que isso, minha gente! Ninguém bate palmas para o Átila!"

Entre os jornalistas, alguém comenta: "Maluf mantém seu estilo em forma."

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O ex-prefeito Reynaldo de Barros foi um dos últimos a chegar. Mas chegou sorridente, mais do que é o seu habitual. 

Um político deu uma possível explicação para o contentamento do ex-prefeito: "Ontem (anteontem) o presidente jantou na casa do Reinaldo e diz que do que mais Figueiredo gostou foi da conversa".

Detalhe: para esse jantar, Maluf não foi convidado.

Paulo Lopes

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