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20 de agosto de 1983
Enfoque Econômico
Paulo Roberto Lopes
Secos & Molhados
Hoje e amanhã, a Secretaria dos
Transportes entrevistará as pessoas que se candidataram a vagas de trabalhador
e de feitor. Inscreveram-se 24.153 pessoas, 21.659 para a função de
trabalhador braçal e 2.494 para a de feitor. Apesar de tantos interessados,
foram abertas apenas 4 mil vagas, em todo o Estado de São Paulo. Ou seja, há
mais de seis concorrentes para cada vaga. E olhe que o salário não é essas
coisas. O do trabalhador braçal é de Cr$ 35 mil, e o do feitor, Cr$ 45 mil,
com jornada de 40 horas semanais para ambos os casos.
Sinal dos tempos.
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Entre 1º e 26 de julho, os saques do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de
Serviço) superaram os depósitos. Foram sacados Cr$ 132,7 bilhões e
depositados Cr$ 81,2 bilhões, havendo, portanto, a diferença de Cr$ 51,5
bilhões. Neste ano, esta é a segunda vez em que os saques ficam acima dos
depósitos. A primeira vez foi em abril.
Trata-se de uma péssima notícia para o setor de construção civil, porque o
FGTS é uma das fontes de recursos para o financiamento da casa própria. E
levando em consideração que o desemprego tenderá a se agravar, é possível
que os saques, nos próximos meses, superem outras vezes os depósitos.
Diante dessa possibilidade, o Governo está se acautelando. Encontram-se em
estudo o aumento do percentual da alíquota de recolhimento do Fundo de 8% para
10%.
Ou seja, entre as possíveis soluções, o Governo sempre acaba recorrendo à
mesma: aumento de impostos, de taxas, de recolhimentos.
É muita falta de imaginação.
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A produção de franco está bem acima do que o mercado interno pode absorver. A
explicação: para atender a demanda dos países árabes, os produtores
nacionais aumentaram a oferta. E em pouco tempo o Brasil passou a ser um dos
maiores exportadores de frango do mundo.
Acontece que, por causa da queda do preço do petróleo, os países árabes
tiveram de reduzir bastante as suas importações de maneira em geral. Os
produtores brasileiros de frango foram pegos de surpresa.
Os produtores vão reduzir a oferta, para que os preços subam, principalmente
os do mercado interno.
O superintende da Associação dos Abatedouros Avícolas de São Paulo, Marcelo
Sandoli, diz que "o setor vem atravessando a pior fase de toda a sua
existência e com perspectiva altamente negativa".
Com sempre, a fatura vai sobrar para os consumidores.
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A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) vai mesmo elevar a
sua produção. Mas os integrantes da organização ainda estão divididos.
A turma do contra argumenta que ainda é cedo para qualquer decidão, porque um
aumento na produção agora poderá provocar uma nova e substancial queda no
preço do petróleo.
A Venezuela, por exemplo, é de opinião de que a produção seja mantida nos
atuais níveis até o final deste ano ou possivelmente até o término de 1984,
para que não se "tenha uma solução semelhante à vivida durante os três
primeiros meses de 1983", quando os preços despencaram.
O ministro das Minas e Energia da Venezuela, Humberto Calderon, negou a
possibilidade da realização de uma conferência extraordinária da Opep no
próximo dia 25, com a finalidade de discutir o aumento da produção.
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As autoridades governamentais continuam garantindo, de pés juntos, que não
haverá racionamento de combustíveis. "O que pode acontecer é a
elevação dos preços, para conter o consumo", afirma um técnico do
segundo escalão do Governo.
Mas o fato é que, para os produtores agrícolas do Mato Grosso do Sul, já
está havendo o racionamento.
O presidente da Federação da Agricultura do Estado, Otair Hildebrand Ávila,
denunciou ontem que os agricultores estão tendo dificuldade na aquisição do
diesel. Segundo ele, as empresas distribuidoras estão dando preferência aos
postos de gasolina, "porque os fazendeiros compram apenas diesel para
abastecer suas bombas nas fazendas, deixando de lado a gasolina, os
lubrificantes e aditivos, enquanto os postos consomem maior variedade de
derivados".
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O ex-ministro Karlos Rischbieter, em mensagem enviado ao "Fórum Gazeta
Mercantil", comunicou sua adesão ao documento dos empresários que critica
a recessão como saída para os problemas econômicos do País. Depois da
divulgado na semana passada, mais 19 empresários aderiram ao documento.
No Palácio do Planalto, o documento está sendo interpretado como uma pressão
a mais dos empresários para derrubar Delfim Netto do Ministério do
Planejamento. Aliás, o próprio ministro encarou o documento como uma
"atitude política", e com tal, segundo ele, terá uma resposta em
breve.
A verdade é que Delfim Netto está mais firme do que nunca. Consta que o
presidente Figueiredo está gostando de sua atuação nas negociações para o
rolamento da dívida.
No começo desta semana, Figueiredo conversou com Delfim por longas horas, e
dizem que o presidente gostou do papo.
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