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4 de junho de 1983
Enfoque Econômico
Paulo Roberto Lopes
Delfim na corda bamba?
A atual onda de boatos tem
algum fundamento? Desta vez parece que sim, porque Delfim Netto, presidente do
Brasil para assuntos de Economia, estaria mesmo na corda bamba.
É visível: ele perdeu apoio dentro do próprio governo. E quem já não o
apóia está ousando criticar em alto e bom som a política econômica do país.
É o caso do presidente do Banco Central, Carlos Geraldo Langoni, o qual outro
dia disse com todas as palavras que a política econômica é socialmente
perversa.
A revista "Senhor" que se encontra nas bancas informa que "ganhou
alento o conhecido Movimento anti-Delfim". Esse movimento teria obtido a
significativa adesão do ministro Leitão de Abreu, da Casa Civil, que, apesar
de ser cuidadoso em seus comentários, não esconde sua discordância em
relação às medidas adotadas por Delfim.
O biministro Hélio Beltrão, que se encontra em plena campanha pela sucessão
presidencial, também passou a criticar Delfim Netto, ressaltando, sempre quando
pode, que a recessão deve ser evitada a todo o custo. Ou seja, ela propõe
exatamente ao contrário que o ministro do Planejamento está fazendo.
Um dado inequívoco da perda de poder de Delfim é o acordo PDS-PTB. Desde o
começo, o ministro foi contra essa aliança, sob a alegação de que o acordo
só dificulta o combate à inflação. Entretanto, o acordo, embora não nos
termos em que queria a presidente do PTB, Ivete Vargas, foi aprovado, e Delfim
teve de engoli-lo.
Na semana em que foi aprovado o acordo, não foram poucos os comentários, entre
os políticos, de que "agora o gordinho caí".
As recentes queixas de banqueiros sobre, segundo eles, a falta de credibilidade
das autoridades monetárias também estariam desgastando Delfim.
Até há pouco, para justificar a permanência de Delfim no comando da economia,
o argumento do Governo era que ele, o ministro, por conhecer todas a manhas dos
banqueiros, seria o mais capacitado para negociar com eles medidas bancárias. O
problema é que os banqueiros também já sabem das manhas do ministro e eles,
hoje, não acreditam em tudo o que Delfim diz.
Entre os empresários paulistas, comenta-se que o pacote de medidas
econômicas que será anunciado no começo da próxima semana será a
última chance que Delfim terá para permanecer no poder. Caso a economia não
apresente bons resultados até o final do ano, a saída de Delfim do Governo
será inevitável.
Roberto Campos é o economista mais cotado para substituir o Delfim. Ex-ministro
do Planejamento, Campos diz que, se for convidado pelo presidente Figueiredo
para ocupar de novo o cargo, ele dirá não, acrescentando bem-humorado que não
gostaria de "voltar ao local do crime".
É o que ele diz, mas certamente não é o que pensa, porque, brincadeira
à parte, Campos não se considera um "criminoso", pois, afinal,
quando ministro, conseguiu colocar a economia nos eixos.
Além do mais, do ponto de vista do Governo, em relação a Delfim, Campos
possui a vantagem de ser muito bem relacionado com os banqueiros internacionais.
O que não é pouca coisa.
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