Textos de Paulo Roberto Lopes
no "Diário Popular" (anos 80)

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12 de janeiro de 1982
Enfoque Econômico
Paulo Roberto Lopes
Os índices. Quem acredita neles?

Tenho a impressão de que é mais fácil o povão acreditar em  discos voadores do que nos indicadores da economia brasileira.

A começar pelos índices de inflação.

No momento, a tendência da inflação é de queda. Caiu para 95% ao ano. A expectativa é de que a queda se mantenha.

Mas quem acredita nisso? "Inflação está caindo? Ora, isso é conversa do Governo", ouve-se com freqüência. "Se eles [o Governo] dizem que a inflação é de 95% é porque a coisa é maior ainda."

E não adianta explicar que não é o Governo que calcula a inflação. Que é uma fundação, a Getúlio Vargas. "Para nós, tudo é a mesma coisa."

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Mas não é só o povão que desconfia dos índices e números do desempenho do país. A tal de elite pensante também torce o nariz.

 O déficit da Previdência Social é um bom exemplo.

Os ministros juram de pés juntos que o déficit, este ano, chegará aos 400 bilhões de cruzeiros.

"Só!", exclamam empresários e economistas. "O déficit da Previdência é muito mais que isso. 400 bilhões são fichinhas perto do rombo verdadeiro da Previdência."

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Ressalta-se que são as próprias autoridades governamentais as responsáveis pela falta de credibilidade.

O caso do petróleo chega a ser gozado.

O presidente da Petrobrás, Shigeaki Ueki, diz que a produção nacional de petróleo aumentará tanto. O ministro César Cals, das Minas e Energia, entretanto, afirma que o aumento será de outro tanto. E povo acaba não acreditando em nenhum dos dois.

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De fazer rir também tem sido o caso do Produto Interno Bruto, o tal de PIB.

Resumindo: os cálculos preliminares (os definitivos devem sair esta semana) da Fundação Getúlio Vargas, entidade idônea, apontam para um PIB do ano passado entre zero e menos dois. O que, aliás, faz sentido, porque o povo sabe muito bem o quanto 1981 doem nos bolsos.

De repente, entretanto, surge o ministro Ernane Galvêas, da Fazenda, com a informação de que o PIB cresceu 3,1%.

Mágica?

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A situação ficou ainda mais confusa quando o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou cálculos que dão conta de um crescimento do PIB entre 2,52% e 2,56%,

É um rebu.

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Os números são tão dispare
s que a Getúlio Vargas, o IBGE e assessores do Ministério da Fazenda, cada um defendendo o "seu" PIB, resolveram discutir as metodologia de cálculos de cada uma deles.

Quer dizer, dependendo do resultado dessa discussão, 1981 pode ser declarado um ano de crescimento econômico ou de queda.

Não é uma coisa de louco?

O povão mesmo, que nem sequer desconfia o que é metodologia, sabe muito bem o que foi 81. E não foi coisa boa.  

 

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