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13 de novembro de 1981
Enfoque Econômico
Paulo Roberto Lopes
Planejar, uma difícil tarefa
Fim de ano é época em que as
empresas começam a fazer planejamento para mais um período de atividades. E as
pessoas encarregadas dessa tarefa -- e que estão portanto tentando visualizar
como será 1982 -- já estão certamente arrancando à unha os cabelos.
O próprio ministro do Planejamento, Delfim Netto, é um dos primeiros
a reconhecer as dificuldades do planejamento. "Não dá para se
fazer planejamento a médio e a longo prazos", costuma dizer.
Não é fácil porque nunca se sabe quais os índices que a economia brasileira
poderá apresentar no decorrer de um ano, o que, aliás, um características de
todo pais subdesenvolvido.
A inflação vai cair mesmo? E os juros? E a balança comercial? E o subsídios?
E os reajustes dos combustíveis? E as novas taxações? E as possíveis
substituições de ministros?
Essas perguntas, neste momento, estão martelando a cabeça dos ministros.
Porque, para o planejamento, é preciso ter-se um mínimo de dados palpáveis.
É preciso ter a certeza de alguma coisa.
Em termos de informações confiáveis e objetivas, os empresários não podem
esperar muitos do governo, que é pródigo em afirmações vagas. Do tipo:
"daqui para frente, tudo vai melhor"; "ao que tudo indica, os
juros vão cair"; "há boas perspectivas para o equilíbrio da
balança comercial"; e por aí vai.
Mas quem, em sã consciência, coloca a mão no fogo por essas
"informações" do governo? Ninguém, claro.
Mas, mesmo assim, algum planejamento nas empresas tem de ser f eito. E, para
isso, já que não há à disposição um pouco da objetividade científica,
alguns empresários recorrem a recurso poucos ortodoxos. Eles lançam mão do
biorritmo, do horóscopo, das cartas.
Mas são poucos os empresários que recorrem a esses expedientes. Por enquanto.
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