Textos de Paulo Roberto Lopes
no "Diário Popular" (anos 80)

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12 de julho de 1985
Crônica
Paulo Roberto Lopes
Paraíso de caçadores

Por curiosidade, peguei para ler uma "Seleções" do ano e mês em que nasci -- outubro de 1952.

Antes eu não o tivesse feito, porque vi um anúncio que me deixou com raiva. É o anúncio do Hotel Amazonas, que diz o seguinte: "Amazônia é um verdadeiro paraíso para os caçadores".

A frase de maior destaque, encimando tudo, é: "Grandes Caçadas no Inferno Verde".

Continua o anúncio: "Hospede-se no moderno e confortável Hotel Amazonas, no liminar do Inferno Verde. Varanda tropical, ar condicionado, mandy-bar, apartamento de luxo e super-luxo. Aberto o dia inteiro.

Ou seja, para que se sintam em forma, todo o conforto para os destruidores da amazônica. Sombra, água fresca e muito bicho para matar.

Algumas informações mais recentes: em 1979, um pesquisador norte-americano estimou que 25% da mata amazônica já tinham sido derrubada, o que corresponde a um milhão de quilômetros quadrados.

Em 1981, se não me engano, o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) afirmou que se tratava de exagero do pesquisador. Para o IBDF, a derrubada até então tinha atingido somente 2,5% da mata. Repito: 2,5%. Se há exagero nessa história, certamente ele é do instituto, cuja estimativa é para menos.

A verdade é que, se não for contida a fúria predatória na Amazônia, em pouco tempo desaparecerá aquela que é a última grande reserva de verde do planeta.

Alguns pesquisadores chegaram à conclusão de que a floresta amazônica vai desaparecer em trinta, quarenta anos, o que deixaria a descoberto um vasto deserto. 

Tomaram que esses cientistas esteja enganados.

Neste momento, pelo menos há um consolo: já não se publica mais anúncio de que a "Amazônia é paraíso para os caçadores", embora ela continue sendo.

 

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