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17 de maio de 1985
Crônica
Paulo Roberto Lopes
Ontem e hoje
Gosto de ler revistas e jornais
antigos. Quando mais recuados estiverem no tempo, melhor, porque saberei o que,
no passado, previa-se para o futuro, ou seja, hoje.
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Agora, estou folheando algumas antigas
"Seleções do Reader's Digest", que tanto sucesso fizeram por aqui.
Tenho lido não só a parte editorial, mas também os anúncios, ou melhor, os
"reclames", como se dizia nos tempos idos, que me têm deliciado.
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Na edição de agosto de 1944, por
exemplo, aparece o seguinte texto: "FM... o rádio do futuro. Em um futuro
próximo, a estática, os ruídos e a interferência serão coisas do passado na
história da rádio-transmissão. A FM (freqüência modulada) virá a
substituir todas essas desvantagens por um fundo de silêncio aveludado
(...)".
O redator desse reclame jamais poderia imaginar que as emissoras de FM no
futuro, em 1985, mais se prestariam à transmissão de ruídos -- e ruídos
importados -- do que a "um fundo de silêncio aveludado".
Na edição de junho de 1958, há o anúncio de uma novidade: relógio que marca
o dia do mês. "Sua memória entra em férias com o Omega Seamaster
Calendar. Agora você só vê no pulso que dia é hoje..."
De lá para cá, a tecnologia muito evoluiu. Há relógios que têm joguinhos
eletrônicos, despertador, registros de números de telefone, calculadoras,
instrumentos musicais, rádio FM, horóscopo, bip...Tudo isso, embora o que
importa mesmo, nos relógios de hoje, é o que justificavam os de antigamente: a
informação das horas.
Em abril de 1943, a revista publica condesado de um artigo do "Wall Street
Journal".
Com o título "Qual é a força do Japão", o artigo começa assim:
"Qual é, precisamente, a força industrial do Japão? Se nós, aqui nos
Estados Unidos, com tantas fábricas, materiais, técnicos, etc ainda nos
ressentimos da falta de certas coisas, como é que o Japão se agüenta, privado
como está de matérias primas, e com a sua indústria na infância, sem
experiência na manufatura de maquinaria de precisão? Será que os japoneses
são mais expertos do que nós pensávamos?"
Termina aqui o meu espaço. Voltarei ao assunto, porque há muito o que se
aprender dessas publicações do passado. Inclusive o quanto poderá parecer
absurdo, ou até ridículo, no futuro o que se publica hoje.
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