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27 de março de 1985
Crônica
Paulo Roberto Lopes
Faltam respostas
- Os eventuais leitores deste canto de página já sabem do resultado da
cirurgia a qual foi submetido o presidente Tancredo Neves. Mas no momento em
que apressadamente batuco estas linhas, só há dúvidas, temores,
angústia, comoção. São 17h. Os informes dos repórteres nada revelam de
novo. Na televisão, alguém pede para que a Nação reze, como se ela já
não estivesse.
Mas independente do resultado da operação de ontem, a Nova República deve
algumas explicações à Nação.
Algumas perguntas precisam ser respondidas.
Por que os boletins médicos sempre deram conta de uma melhora na saúde do
presidente quando o que acontecia era justamente o contrário?
O que de fato houve com a primeira operação para que aparecesse uma
hemorragia? Teria havido um erro médico?
Por que o dr. Pinotti, que foi chamado às pressas a Brasília para operar
Tancredo, que já tinha sido operado, passou a discordar da equipe médica
do Hospital de Base, que vinha cuidando do presidente?
Por que ontem, durante a cirurgia, houve problema com a casa de força do
hospital, sendo necessário o funcionamento de geradores?
Até que ponto os familiares do presidente resistiram à decisão por uma
segunda operação, retardando assim uma medida de urgência?
Não se trata de querer maliciar, de estar sugerindo hipóteses, de querem
arrumar algum ou alguns responsáveis pela complicação do estado de saúde
do presidente. Trata-se apenas de se ter respostas para algumas perguntas
que toda a Nação faz.
Respostas para que os fatos, os verdadeiros fatos, aflorem.
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