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25 de janeiro de 1985
Crônica
Paulo Roberto Lopes
São Paulo, favelas e cortiços
Como toda pessoa que reclama desta
cidade, que nela vê mil problemas, que recorre ao cliclê "isto é uma
selva de pedra" (e é mesmo), amo São Paulo.
Contudo, o meu amor por esta cidade não foi à primeira vista. Foi surgindo aos
poucos, à medida que fui conhecendo as pessoas que aqui moram.
A primeira vez que coloquei os pés em São Paulo eu tinha uns 17 anos.
De São Carlos, cidade paulista de cem mil habitantes, vim para cá de trem, de
cujas janelas comecei a ver, de repente, formas de concretos a crescerem
ameaçadoramente.
Ao desembarcar na Estação da Luz, senti que acabara de ser engolido por essas
formas gigantescas. Senti medo, embora estivesse aqui a passeio por alguns dias.
Logo de cara, o que me chamou a atenção, além do concreto desmedido, foram os
indigentes que "moram" no centro da cidade. Alguns dias depois,
percebi que os indigentes são apenas a parte mais visível de uma precariedade
social constituída por favelas, cortiços, miséria.
Como tantos outros, acabei vindo morar em São Paulo por causa de emprego. A
cidade é pobre, mas também é rica. Cidade de contrastes.
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Hoje, dia de aniversário da cidade,
pensei em escrever sobre a São Paulo da qual eu gosto, daquela que é uma
festa. São Paulo de restaurantes de tudo quanto é comida, a qualquer hora do
dia e da noite, dos botecos, das livrarias, das bibliotecas, do metrô, dos
parques.
Mas desisti de exaltar essas coisas boas da cidade, porque pode parecer uma
comemoração de aniversário.
Comemorar só quando todos puderem participar da festa.
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