
mdagraça ferraz
Tive todos os filhos do mundo
de todas as raças e biotipos
Senti dores agudas e profundas
de todos os partos benditos!
E sempre estou prenha e a parir
Incho e Minguo barriga
Choco ovo da lua mensalmente
Gero vidas mas nada digo!
Silêncio a sorte do ventre
santo que engole o sangue
e as águas de nascentes...
Sou a
jardineira. A parteira.
Solteira eunuca e silente
A
assistir a eclosão da semente
e colher o fruto com a mão
úmida, mansa e quente...
Pari todos os filhos desta vida
Não com útero, mas com as mãos
Mãos gestantes de sacerdotisa
a implorar a benção da carne
através
da consagração do pão