Ridícula

mdagraça ferraz

 

 

Nenhuma mulher foi

tão ridícula como eu!

Sim...fui ridícula!

Ao te amar sem medo

com os dois lados do peito

Ao acreditar no afeto,

no carinho, no idílico...

Sim! fui e sou ridícula!

Ao crer na chance -

chance?- de poder ser

amada de verdade

num grande romance

Eu te acreditei

com a razão

Eu te compreendi

com o coração

Sim! sou ridícula!

Ao propagar

meu amor

com o rosto aberto

Ao sonhar com

espírito de poeta!

Ao gritar o lírico,

fui tão ridícula!

Ao saudar meus

vestígios de louca santa,

Fui ridícula! Sim, fui!

Hoje vejo bocas mudas,

vultos frios e frígidos,

pela noite escura...

Vejo amores vazios,

vulgares, fugidios

durante os longos dias...

Não sou estúpida...

Não sou frívola...

Mas sou ridícula!

minha única aventura

é a solidão...

Sou esta mulher

quieta,

de coração contraído,

figura patética

e perdida

pelo mundo afora...

Sofro da virtude

do ridículo

de amar demais

E minha atitude é

ir vivendo

sem encontrar paz

Trago o triste consolo -

 nobreza do decoro

de aceitar

o paradoxo de Deus

Aceitar o factídico

do sem sentido

e tão sentido:

Amar e... ser ridícula!

 

voltar

 

Hosted by www.Geocities.ws

1