Estilhaços
mdagraça ferraz
 
Tua boca tem a cor
do melhor vinho de lisboa
Língua grená igual
a cauda de uma raposa
E a minha, a transparência
do melhor cálice vienense
Saliva de cristal lembra
uva da parábola de Fontayne
Entorne-me devargazinho,
deixa-me sentir-te aos pouquinhos
Quero que me preenchas
todinha, até o gargalo,
como o glorioso falo dos
deuses Baco e Dionísio.
E, depois, o grito de
tua última gota no paraíso,
quebrará minha boca
no silêncio do  rito.
Restará cacos e verdascos-
 estilhaços do mito e do tabú
onde anjos e diabos 
andarão com pés nús
e embriagados





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