Ébria
mdagraça ferraz
Colhi teus olhos verdes -
maduras uvas moscatéis-
e as amassei com meu pés
nús. A polpa doce e macia
foi tratada na bacia
de meus braços
na bem-aventurada orgia.
Até que o bagaço,
envelhecido em barris,
verteu sobre a taça
de cristal devagarzinho
a lágrima grená do vinho.
Hoje, ébria de teu
precioso travor,
no juízo capitoso do amor,
vago perdida pelas
avenidas, sem desejar
a cura deste meu vício.
Por Baco! Por Dionísio!
Sem te provar, eu não vivo!
Sou esta álcoolatra
anônima.Amante indômita
de teus olhos verdes...