Desilusão
   
(Mdagraça e Alberto Mello)
    

 

 

E te amei como estrela primeira

   
Amei-te como última estrela

   
Calei minha voz diante de teus olhos

   
Contemplei tua boca bela,

   
muda e cheia de segredos

   
Flor bela e pura de meu dia

    Que nas noites tive em sonhos


   
Deixei-me ser possuída,

    imaginada e sonhada sem medo


   
Escapaste de minha mão

    No primeiro raio do alvorecer


   
Mas, de repente, lançaste-me

    no ar como um astro sem asas

    que não sabe voar

   
Transformando em desilusão

    Minha vida, nosso bem-querer.


   
Foste tão precipitado ao

    fazer da solidão a tua desejada.

    E cego vaguei sem razão

   
E fui embora calada

    dizendo a todos que

    a desdita era a única culpada


   
Ao saber nesta luta sofrida

    Que de minha alma perdida


   
Pois tudo que quis na vida

    é saber qual o sentido

    de você não ter se amado


   
ó querido!- como te amei.

    Hei de sabê-lo um dia?

    Talvez, o saberei...


   
Só restou esta solidão

   
Mas tiveste mais sorte

    do que eu - Ficaste com

    minha solidão até a morte!

    Em mim, resta o vazio

    Irremediável e frio vazio!

    Nada me restou exceto

    a desrazão do amor:

    Do que nunca foi,

    e mesmo assim,

    se acabou!

 

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