CORPUS
mdagraça ferraz
                                

                                                
Sou este púlpito vazio
Casarão de ventos vadios
Lar de espíritos desencarnados
Tribuna livre sempre ocupada
e pronta para dar o recado

Sopros, bolhas e grãos
viajam por tantas aberturas
de várias dimensões
Portas escancaradas...
fechaduras de vidro
cheias de arranhões...

Sou esta urna de carne,
de sentidos e de razões...
Espantalho a proteger
as plantações contra
invasões dos corvos...
Sou esta sentinela
atenta,
alerta, 
à guardar as janelas...

Nesta casa - corpo
subo escada balançante,
 perigosa,
sem escora,
com a missão de ir avante,
sempre avante 
sem demora.
A vigilante solitária
deste ninho 
frágil, nervoso
e
também sozinho...

Portanto, não estranhem...
Peço: Não estranhem!
Minha antena parabólica
Meu chapéu de ânfora
Minha clarabóias...
Esta cimalha. Aura columbina.
E...minha estórias.


 

 

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