Cadeira de balanço

mdagraça ferraz

 

 

É o relógio

de meu tédio!

Relógio de pedal-

digo séria.

A cadeira de

balanço

marca a cadência

da dança

do meu coração.

É como um órgão-

sopro e cordas:

vento e tendão

das pernas.

Traduz movimento

oscilatório

de pêndulo tonto

em arco torto-

uma porta

giratória!

Adormeço

em seus braços

no compasso

da cantiga

de ninar...

Toada

binária de viver e

do amar

É no vai-vém

vém -vai

sai-entra

entra-sai

que dói ouvido

dá enjôo-

esta vida é

bumerangue sem

sentido!

É no ir-vir

vir-ir

a gente mexe

remexe

e não sai do lugar

que nem leque

Faz, desfaz,

Refaz

Finge que vem

sem ter ido

Finge que vai

mas não foi

É na cadeira

de balanço

onde a saudade

faz amor com

a lembrança...

Amor - na

vertical ou

horizontal-

é assim:

elástico plástico

virtual,quase real,

dinâmico e estático,

Paradoxal!

Ou tão banal!

É como se amor -

foi de si, vai de si, 

completamente fora

de si-irracional! -

fosse seu próprio

inimigo mortal!

 


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