Auto-rezando

mdagraça ferraz

 

Escrever é forma

de me desfazer

 Desfio-me

continuamente

num invisível tear

Vou me desescrevendo

em linhas finas

iguais cabelo

Uma mão puxa fio

horizontal

Ordenada!

Outra mão faz novelo,

cria vertical

Abscissa!

A soma das duas

é círculo

como bênção

ou  mãos postas em

oração

Não me desescrevo

com pontos

Ponto é nó

cirúrgico

Desfaço laços

ao me desfazer

num rital litúrgico

Decomponho-me em

núcleos de letras

miúdas

E assim me renasço

na leitura

como página de brochura

lida por voz infantil

cheia de ternura

 

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