� JANELA
MDAGRA�AFERRAZ
Vi um rosto na janela
Apari��o r�pida...fugaz
Como um colapso...um flash
Tentei, em v�o, toc�-lo
Mas assim como veio
intenso e contundente
Fez-se fuma�a s�bita
Era um rosto de beleza d�bia
express�o ambivalente
Andr�gino. Paradoxal
De uma irrealidade matem�tica
E olhava-me com tanto amor
como nunca fui olhada igual
N�o sei se este rosto
era velho ou crian�a
feio ou bonito
alegre ou triste
� como se n�o houvesse
a sensa��o do rosto
mas�somente sentimento
� como se n�o houvesse imagem
ou forma ou n�mero ou cor
Era como se nunca houvesse
olhado aquele rosto
E como se este rosto nunca
tivesse olhado meu rosto tamb�m
Era como se algu�m
al�m de n�s
nos olhasse e nos escrevesse
Pois eu vi um rosto � janela
Olhei para o rosto cujo rosto
olhava para mim
Um rosto olhava para
meu rosto que olhava...
Meu Deus!
Como n�o vi!
Cega...
S� agora descobri
Que foi a primeira vez que
meu rosto olhou para mim

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