| 17 de Março de 1999. | Feital Home Page |
Na semana passada, eu estava caminhando na hora do almoço pela Av. Paulista quando entrei em uma banca para dar uma olhada nas revistas. Olhada, pois como de costume não comprei nada, já que sou assinante de algumas revistas e quando eu entro em uma banca é só para ter uma idéia do que as outras revistas estão falando. Foi quando percebi que duas revistas tinham em sua capa uma pessoa que não tem nada a ver com o nosso cotidiano: Monica Lewinsky. O que está moça estava fazendo lá?. Sou obrigado a dizer meio sem graça que quando estava escrevendo este artigo tive que pegar uma revista para conferir se sabia o nome dela corretamente. Não sabia.
Tenho acompanhado de longe o caso na justiça envolvendo o presidente americano Bill Clinton e a ex-estagiária da Casa Branca. Como é de conhecimento de todo o mundo, o presidente teve um envolvimento afetivo com a moça. A frase "todo o mundo" não é força de expressão.
Confesso que minha curiosidade sobre o caso terminou no momento em que vi na televisão há uns meses atrás o rosto dela. Independente da minha opinião sobre sua aparência, a curiosidade sobre o caso terminaria de qualquer forma naquele momento. Não consigo entender porque o povo americano deu tanta atenção para isto. Costumo dizer que eles não tem problemas semelhantes aos nossos (economia, desemprego, miséria, etc, etc, etc). Desta forma, não teriam com o que se preocupar e acabaram sendo fisgados pela imprensa sensacionalista.
O que mais eu lamento na situação, é que o presidente provavelmente entrará para a história como "o presidente que teve um caso com sua estagiaria". Bill Clinton fez um bom governo nestes anos. Ele foi o responsável por uma guinada na economia americana como a muito tempo não se via. Ele conseguiu acabar com um déficit de (acreditem !!) seiscentos bilhões de dólares. É um feito e tanto. Para se ter uma idéia, o PIB brasileiro gira em torno deste mesmo valor. Ou seja, ele reduziu as despesas de seu país em um montante igual a tudo o que se produz no Brasil durante um ano.
"E daí?". Dirão os americanos. "Não fez mais do que a obrigação".
Talvez tenha feito sua obrigação mesmo. Mas a imprensa americana insiste em Monica Lewinsky. Ela é hoje a notícia mais quente. Está em capas de revistas, dá entrevistas aos programas de televisão, e recebe muitíssimo bem por isso. O que esperam que ela conte nestes programas?. Nada além do que já se sabe. Pode ser uma forma que a imprensa encontrou de bombardear o presidente, mostrar os erros por ele cometidos. Erros pessoais, não profissionais. Se faltam erros profissionais por lá, talvez essa imprensa deveria dar uma passadinha rápida pelo Brasil.
Bem, o problema é deles,
não é mesmo?. Talvez, mas é triste verificar
que algumas pessoas são lembradas pelos seus erros e não
pelos acertos. Por suas incapacidades e não por suas virtudes.
A história, ou o nosso dia a dia, está cheia de
casos assim. Uma pena.
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