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No ano de 1992, o Ruy Barbosa
saiu da Listel S/A e veio trabalhar no Grupo Ticket. Um mes depois
ele convidou a mim e a uma outra pessoa para trabalhar com ele.
Fiquei bem animado. Mas fui tão mal na entrevista que não
fui aprovado. Nunca perguntei pro Waldemar (na época Gerente
do CPD) quais foram as minhas falhas, apesar de ter uma forte
idéia do que eu fiz de errado. Fiquei abalado, e não
havia nada a fazer.
Em Junho de 1.994 entrei
em contato com o Ruy, e ele me disse que gostaria de conversar
comigo, pediu para que eu fosse até a Ticket. Imaginei
que deveria ser uma proposta de emprego. Quase não dormi,
e no dia seguinte estava lá, conversando com ele. Era realmente
uma outra proposta que ele me fazia para trabalhar com ele. Lembro
que estava tão nervoso, que eu não parava de mexer
com as mãos, e ele disse algo como "Para de mexer
com as mãos, o que voce tem?" hehehehe Ele sabia que
eu estava nervoso, estava tentando me descontrair.
Fiquei tão contente,
parecia que eu tinha conseguido reparar um erro que me perturbava
havia dois anos.
Trabalhei um ano e meio com
a equipe dele no CPD, e me dei muito bem. Surgiu uma vaga na Administração
da Rede Ticket, e ele me transferiu para lá em Outubro
de 1995. Eu não entendi muito bem: como é que ele
abrira mão de alguém de sua plena confiança?.
Se eu estava trabalhando bem, porque ele estava fazendo aquilo?.
Mas ele foi tão profissional, que a vaga aberta na Administração
da Rede era muito boa, e ele achou que seria bom para o meu futuro,
independente de ele perder alguém de sua confiança.
Realmente era uma grande
oportunidade, eu iria parar de trabalhar com o mainframe, algo
que já estava ficando obsoleto, e começaria a trabalhar
com rede Microsoft, algo promissor na época, hoje uma realidade.
Mas acabei ficando bem encostado
naquele departamento, não me dei muito bem. Havia muita
disputa política entre o pessoal do CPD e a Administração
da Rede, e acabou sobrando pra mim, que não tinha nada
a ver com os problemas deles. Da equipe de cinco pessoas, apenas
um consultor externo, de quem eu não esperava ajuda, estava
me ajudando bastante, e eu já estava adquirindo algum conhecimento.
Passado um ano e meio, acho
que era Junho de 1997, o gerente de lá me chamou e disse
que a equipe precisava ser encolhida, e que se eu não aceitasse
trabalhar nas Áreas Centrais, ele teria que me demitir.
Fiquei pensando por meia hora
mais ou menos, aquilo era uma afronta, não tinha tido a
devida oportunidade, e ele queria me mandar embora. Estava no
corredor, olhando pela janela, sem saber que decisão tomar,
quando o Mônaco (líder de projetos), chegou e perguntou
se estava tudo bem. Expliquei a situação e ele me
disse: "E qual é a sua dúvida?. Vai lá
trabalhar nas Áreas Centrais, voce vai se dar bem lá".
Então eu aceitei. Mas
foi muito difícil para mim. Eu estava sendo descartado
da equipe, e parecia que as Áreas Centrais estava fazendo
um favor em ficar comigo. Confesso que cheguei lá muito
sem graça. Ainda bem que fui trabalhar a noite, para esfriar
um pouco a cabeça.
Dois meses depois o Waner
assumiu a gerência, e disse que eu voltaria para o dia no
começo do ano de 1998. A partir deste ponto, minha carreira
profissional avançou incrivelmente. Tive alguns aumentos
salariais, percentualmente falando, acredito que poucas pessoas
no nosso departamente tiveram tantos aumentos quanto eu. O meu
salário veio muito defasado da TR, e o Waner vinha corrigindo
este desajuste.
Hoje, eu tenho certeza que
fiz a escolha certa ao ter ficado no grupo. Lembro que antes de
aceitei trabalhar nas Áreas Centrais eu pensei: "Lutei
tanto pra entrar neste grupo, porque um gerente que não
me deu oportunidade vai me demitir?. Se eu tiver que sair do grupo,
que seja por um motivo justo, ou por vontade própria, não
por brigas políticas".
Trabalhei quase tres anos
neste departamento, e posso dizer com satisfação
que fiz parte de uma grande equipe. Equipe que me fez crescer
profissionalmente e como pessoa também. Sempre fui tratado
com respeito por todos, tive a chance de aprender e não
desperdicei. O crescimento de um indívíduo como
profissional depende muito de um bom ambiente de trabalho, e isso
eu tive nas Áreas Centrais, sem dúvida.
Saio da empresa muito feliz,
pois recebi um convite muito bom de outra companhia, mas deixo
aqui o respeito que voces merecem, e meus agradecimentos a todos,
que me receberam de braços abertos, independente de qual
departamente eu vim, ou com quem tenha trabalhado. É assim
que deve ser.
Engraçado que aquele
mesmo consultor, que me ajudou na TR, também me avisou
da abertura desta vaga na outra empresa. Ele me ajudou de novo.
E se não fosse a insistência do Ruy, em me convidar
novamente para trabalhar com ele, enfrentando o departamento inteiro
dele que achava que alguém da própria área
deveria ser promovido, e não contratar alguém de
fora da empresa. Mas ele enfrentou a todos e me ajudou a crescer
profissionalmente.
Acredito em Deus, apesar de
não ser uma pessoa religiosa. Mas Ele tem sido muito generoso
comigo.
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