O “Mundo de Bobby”

 

 

As vezes acho que viver num mundo de sonhos parece ser muito melhor do que a vida real. Viver no “Mundo de Bobby” como diz um amigo meu. O “Mundo de Bobby” é um desenho animado onde o garoto imagina as coisas como ele gostaria que fossem e se não me engano ‘vive-as’ da melhor forma possível. Perguntei pro meu sobrinho se ele conhecia este desenho e não deu outra, ele não só conhece como acompanha o mesmo.

 

Viver num “Mundo de Bobby” pode ser interessante. Imagine uma coisa que você quer: pronto, ela acontece simples assim, sem mais delongas ou motivos que impeçam-na de ser real. Não seria o máximo?. Sou sincero, não tenho muitas aspirações no mundo real.Tudo é difícil. Não falo de bens materiais, os que me conhecem sabem que não dou a mínima para isso. Carros por exemplo, nossa não sei diferenciar um Audi de uma BMW, ou mesmo um Vectra de um Astra, lamentável. As vezes falo que gostaria de ganhar na loteria ‘apenas’ para não ter que pensar em dinheiro. O que eu faria ganhando na loteria? Nenhuma extravagância, iria viajar sem preocupação com contas a pagar no fim do mês, sem preocupação em poupar para pensar no futuro. Iria acompanhar torneios de tênis, formula 1, NBA, eventos que giram o mundo a cada ano.

 

Na verdade o “Mundo de Bobby” é surreal, é um desenho vivido por um garoto que tem o direito a tal fantasia. Eu não tenho esse direito. A realidade de cada dia é amarga mesmo. O que mais me desaponta é que mesmo sendo uma situação aparentemente inalcançável alguns conseguem entrar no “Mundo de  Bobby” enquanto que outros por mais que tentem não conseguem.  Algumas pessoas tem o poder de invocá-lo. E se funciona apenas para alguns quem está no mundo real dança mesmo. Em 1998 quando ainda trabalhava na Accor Brasil, uma garota invocou o “Mundo de Bobby” e pensou: ‘O Deniz vai gostar de mim!’. Assim mesmo, do nada, ela não se esforçou para que eu gostasse dela, simplesmente apareceu um dia miraculosamente no departamento onde eu trabalhava, ficou lá na minha frente por alguns minutos falando de trabalho com outra pessoa. Foi algo mágico o que ela fez. Eu nunca há tinha visto antes, e para se ter uma idéia naquele dia nem cheguei a conversar com ela. Ela só esqueceu de falar ‘e eu vou gostar dele também’.

 

Depois de alguns anos com ela,  com alguns intervalos de tempo nos separando, achei que não conseguiria participar da brincadeira. Ou eu posso entrar no “Mundo de Bobby” ou era melhor não terem me dito que o mesmo existia. Por que assim fica pior que a realidade, metade fica de fora e metade dentro dele? Não é certo. Por isso que eu acho que as vezes a realidade é um tanto quanto ingrata, queremos coisas que vão além do nosso alcance, coisas que para alguns são naturais mas que para outros são inacessíveis.

 

Mas que seria bom viver no “Mundo de Bobby” e ela ter dito ‘eu vou gostar dele também’, isso seria.

 


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